junho 28

Original Rejeitado

Imagino as imenswhat-is-a-rejected-manuscripturáveis horas que você se dedicou escrevendo seu livro, até que chegou o tão sonhado momento.
Como um náufrago perdido em uma ilha, você deposita seus sonhos e esperanças em uma “mensagem na garrafa” e a atira ao oceano editorial.

Você volta feliz da agência postal, com a sensação de trabalho feito ou quem sabe, com a notificação em seu e-mail de que sua mensagem foi recebida.

É só o começo da árdua jornada literária.

Seu livro — um filho parido —, e a experiência me permite dizer, alguns prematuramente, outros filhos de autores coruja e na solidão fria, sem os cuidados devidos, de forma brutal e precoce, foi afastado de seu criador.

Eis que surge a espera. A interminável espera.

O tempo parece conspirar contra você, que com o coração palpitando, olha para o calendário e vê os dias, meses sequestrados por Chronos; e as respostas vão se esvaecendo junto com a esperança.

Sim; nenhuma maldita resposta de um tirano revisor!

Você rói as unhas, revira a internet a procura de outras editoras.

Acredita, que a editora que você submeteu seu original, não era boa suficiente para acolhê-lo; seu filho prematuro, jogado ao mundo, solitário nas mãos de um desconhecido editor, que irá dissecá-lo sem o menor remorso ou pudor.

Então, tu se questiona… enquanto a verdade mostra sua fria face.

Eu não fui bom o suficiente, será?

O tempo torna-se seu novo inimigo, implacável e aliado da editora, lhe esbofeteiam com mãos de ferro e pisoteiam seus sonhos e a esperança de ver seu livro, no glamour da vitrine de uma livraria.

Pobre do editor que mergulhado em um oceano de palavras; originais desqualificados, prostituídos pela falta de qualidade, pelos temas repetidos e já macerados – um vampiro mal resolvido, um amor não correspondido, um final previsível – e pelos longos parágrafos, impregnados de clichês e advérbios; personagens vazios, inconsistentes, tramas pífias e outros atos pichados, malcheirosos nas páginas em branco; pitorescos – vândalos literários.

O alvejado editor que navega por décadas, esperançoso a procura da supra arte, com os olhos vermelhos das noites mal dormidas; barbas longas, brancas e malcuidadas e as mãos trêmulas de experiência transforma-se num prisioneiro de originais mal elaborados.

Até que na solidão da madrugada, o editor encontra seu filho precocemente parido.

Mais um original a ser incinerado, e a vezes apiedado do escritor, o cavaleiro editor, sela a fogo com um carimbo, que grava na alma do escritor a palavra REJEITADO.

Mas lembre-se exímio espadachim das letras, mestre persistente da humilde arte da escrita. É só o primeiro degrau na escada da prosperidade.

A verdade, como uma sombra, emerge incontestável na magnitude de seu trabalho:

– Há que ser melhorado!

De posse de um café quente, numa noite insone, você jaz ao lado de uma folha em branco, resignado, até que fecundado por uma nova ideia, inicia uma nova gestação com os cuidados e resiliência, aprimorado, com preces voltadas aos céus e livros de técnicas ao seu lado, roga as preces ao vento, para não ter outro original rejeitado.

Eis que com anos de experiência, após somatórias recusas,  um dia um elegante livro vai surgindo, imperioso com chances de em um mundo literário reinar.

Hermes Marcondes Lourenço

@ Todos os direitos reservados

junho 18

Sete dicas para escrever uma história

Sete dicas para escrever uma história

 

Ana Faria

 

            A capacidade de contar histórias surgiu na humanidade junto com a comunicação. Entretanto, colocar a história no papel de forma elegante, envolvente e convincente não é tarefa fácil. Muito mais do que apenas inspiração, são necessárias técnicas que permitem o autor construir o seu enredo dando a ele início, meio e fim coerentes, concatenados, interessantes, proporcionsete dicasando aos leitores momentos de prazer e construção do conhecimento através dos livros.

            Por outro lado, ainda que o escritor tenha o sonho de escrever um livro, domine a gramática e as técnicas da escrita, sem a inspiração, sem a ideia inicial, não há história a ser desenvolvida. Vamos chamar tal ideia inicial de “detonador”, a partir do qual pensaremos toda a história do início ao fim, ou vice-versa (sim, pois muitos autores escrevem o final da história antes do início).

            Veja a seguir algumas dicas para lhe ajudar a realizar o sonho de escrever uma história, seja ela um livro, um conto, uma crônica, um poema, etc. Vamos listar algumas situações em que os detonadores aparecem no seu caminho e assim você poderá ficar mais atento para agarrar as oportunidades. Portanto não se desgrude de um caderninho de anotações ou mesmo de seu computador. Tenha sempre essas ferramentas em mãos para que as ideias iniciais sejam registradas e guardadas, para não serem esquecidas e sim utilizadas no futuro.

  • A inspiração pode vir de sonhos:

 

Parece clichê, mas é verdade. É bem provável que sonhemos todas as noites, porém nem sempre nos lembramos de tais sonhos. Muito embora grande parte dos sonhos não faça o menor sentido, alguns se passam como cenas de filmes em nossa mente e são excelentes como ideias iniciais para o futuro desenvolvimento de uma história. Dessa forma, mantenha próximo ao local onde você dorme um material de anotação para que, quando você acordar, seja no meio da noite ou pela manhã, possa registrar seu sonho ou pelo menos a parte que se lembra. Faça isso depressa, pois geralmente nos es
quecemos deles ao longo do dia.

  • A inspiração pode vir de outras histórias:

 

Quando lemos outros livros, outras histórias, podemos ter ideias de conflitos que poderiam ser adicionados ou modificados
na trama, mas não poderemos fazer isso no livro que não nos pertence. Contudo, essas ideias podem ser material para você escrever sua própria história. Isso não é plágio, é inspiração, influência. Todo autor bebeu em fontes anteriores para escrever o que escreve. É claro que você não fará uma cópia da história que está lendo, mas ideias podem pipocar na sua mente e dar origem a outras histórias, que mesmo com alguns pontos semelhantes, ainda assim serão originais. Portanto leia muito, os contemporâneos e os clássicos.

  • As ideias podem vir de situações vivenciadas por você ou por alguém que você conhece:

 

O cotidiano é um ótimo gerador de ideias iniciais, pois é dele que tiramos nossa experiência que dará veracidade às ideias da nossa história. Se eu não entendo nada de cavalos, posso até escrever sobre cavalos, mas terei de fazer uma pesquisa para isso. Por outro lado se escrevo obre algo que sei, que trabalho, que vivo, então escrevo com mais propriedade e tenho muitas situações vivenciadas que podem servir como “detonadores”. O mesmo vale para experiências que conhecidos nossos viveram as quais tomamos conhecimento.

  • As ideias podem vir de notícias:

 

Os noticiários estão repletos diariamente de notícias sobre política, economia, geopolítica, governos, questões policiais e, raramente, atos de bondade e coragem. Estas são boas fontes de ideias iniciais, ou seja, de “detonadores”.

  • As ideias podem vir de filmes e obras de arte:

 

Posso, por exemplo, olhar para uma pintura de uma paisagem, há um rio, uma montanha ao fundo com o cume coberto de neve, em primeiro plano um campo florido, um pequeno barco preso à margem… Esse pode ser um cenário perfeito para a cena de uma história e daí surge a ideia inicial. Os filmes também são excelentes, pois nos envolvem de uma forma única, utilizando som, imagem, poesia, enredo… Nos dão inspiração e nos fazem ter excelentes ideias para escrever nossa própria história.

  • Revisão Ortográfica

Além das dicas sobre ideias e inspiração, complemento dizendo aqui que a revisão ortográfica de seu texto é FUNDAMENTAL para a qualidade da obra. Não poupe esforços para investir neste serviço. Faça orçamentos e procure bons profissionais. Busque referências, verifique o trabalho que já fizeram. Não pague pelo serviço todo à vista. Pague uma parte se necessário e deixe para pagar o restante depois que você receber a revisão e conferir o trabalho feito. Um texto com erros gramaticais é altamente frustrante para o autor e pode trazer prejuízos para sua carreira.

  • Capa e Redes Sociais

 

A capa do livro também é um ponto alto. Embora não seja o mais importante, complementa a obra, enriquece e conquista os leitores. Invista numa capa bacana, pesquise o que seu público alvo gosta.

Utilize as redes sociais para divulgar o seu trabalho: Facebook, Instagran, Youtube, etc. Isso tem sido ferramenta fundamental para alavancar a carreira dos autores e mantê-los em contato com o público. Através da internet vocês e seus textos podem ser apreciados. E isso é ótimo!

Gostou das dicas? Tem o sonho de escrever um livro? Então mãos à obra e aguce sua atenção na busca por ideias, por “detonadores”. Tenho certeza de que sua história poderá ficar sensacional! Não desista dos seus sonhos, persevere. Se é escritor o que você quer ser, então escreva!

junho 23

Colocando os pingos nos “is”

Olá Amigos do Blog!
Bem, hoje vou falar um pouquinho sobre uma das etapas que acho que seja a mais importante para se escrever um livro. Conheço autores com ideias maravilhosas que na hora de passarem para o papel surgem alguns problemas de escrita, fazendo com que o leitor desista do livro antes de chegar ao final.
Não que cada autor deva ser o professor doutor e pós graduado em língua portuguesa, porém temos que transmitir para quem está lendo a sua ideia – você está vendendo seu peixe -, e nessa hora surgem fatos que complicam a leitura – basta se colocar no lugar do leitor  – e deixam o revisor de mãos amarradas por estarem impossibilitados de alterarem o contexto da estória. Isso sem contar que é uma das causas básicas de rejeição de originais pelas editoras.
Ultimamente vejo alguns “críticos” descendo a lenha no autor – Independente do autor ter produzido um livro cujo tema não agrade alguns leitores-, muitas vezes o autor desconhece algumas técnicas e isso o coloca em um “tribunal de insensatez literária” fazendo que muitos autores desistam de escrever devido a críticas. Respeito todas as opiniões, porém, para andarmos, primeiramente aprendemos a caminhar e ninguém subiu numa bicicleta pela primeira vez e ganhou um campeonato. Escrever é praticar e experiência se ganha com o tempo e estudo.
Jamais quero ser prepotente e tampouco dizer-lhes que eu sou o mestre da escrita. O que quero é compartilhar erros que “eu já cometi” e que me desagradaram muito. Isso me levou a procurar livros e aprimorar meu processo de escrita.  Como já disse anteriormente “escrever é um eterno processo de aprendizado”.
Durante uma leitura alguns meros detalhes desagradam o leitor.
Vejamos algum erros que tornam a leitura extremamente monótona.
1- Alô?
2- Alô! Quem está falando?
3- Sou eu Ana.
4- Quem está falando?
5- Sou eu Ermínio.
6- Oi Ermínio, tudo bem?
7- Comigo tudo bem, e você?
8- Comigo tá tudo bem.
9- Ah. Que bom. Fico feliz que tenha ligado.
10- Liguei porque estava com saudades.
11- Que bom que ligou. Também ia te ligar! Também estava morrendo de saudades…
No exemplo acima, existem uma série de erros e por incrível que pareça os erros gramaticais são os que menos incomodam.
O primeiro grande incômodo chama-se trivial. O autor preocupa-se com frases óbvias que usamos ao telefone ou em nosso dia a dia, estacionando a progressão da história gastando uma infinidade de parágrafos e “enrolando” o leitor. Foram gastas 5 linhas para saber que Ermínio estava telefonando para Ana, e o que é pior 11 linhas para saber que Ermínio estava com saudades de Ana; quando poderíamos transmitir a mesma mensagem de forma resumida e mais visual.
Um desejo incontrolável fez com que Ermínio subisse apressadamente as escadas até o telefone.  Sentiu um imenso alívio ao ouvir a voz de Ana.
É obvio que poderíamos escrever a mesma passagem de diversas formas.
Outro erro comum do autor são as palavras repetidas. Observem no mesmo exemplo:
1- Alô?
2- Alô! Quem está falando?
3- Sou eu Ana.
4- Quem está falando?
5- Sou eu Ermínio.
6- Oi Ermínio, tudo bem?
7- Tudo bem Ana, e você?
8- Comigo tá tudo bem Ermínio.
9- Ah. Que bom. Fico feliz que tenha ligado.
10- Liguei porque estava com saudades.
11- Que bom que ligou. Também ia te ligar! Também estava morrendo de saudades
“Bem” – kkkk usei de propósito –  pelo texto já da para perceber o tanto incomoda as palavras repetitivas. Agora imaginem um livro inteiro escrito dessa forma…
Também antes de concluirmos esta postagem, percebemos que da 8ª à 11ª linha, confunde a cabeça do leitor. Você não sabe quem está falando com quem… vixe!
Por hoje é só.
Espero que tenham gostado do post.

Um forte abraço a todos!