junho 28

Original Rejeitado

Imagino as imenswhat-is-a-rejected-manuscripturáveis horas que você se dedicou escrevendo seu livro, até que chegou o tão sonhado momento.
Como um náufrago perdido em uma ilha, você deposita seus sonhos e esperanças em uma “mensagem na garrafa” e a atira ao oceano editorial.

Você volta feliz da agência postal, com a sensação de trabalho feito ou quem sabe, com a notificação em seu e-mail de que sua mensagem foi recebida.

É só o começo da árdua jornada literária.

Seu livro — um filho parido —, e a experiência me permite dizer, alguns prematuramente, outros filhos de autores coruja e na solidão fria, sem os cuidados devidos, de forma brutal e precoce, foi afastado de seu criador.

Eis que surge a espera. A interminável espera.

O tempo parece conspirar contra você, que com o coração palpitando, olha para o calendário e vê os dias, meses sequestrados por Chronos; e as respostas vão se esvaecendo junto com a esperança.

Sim; nenhuma maldita resposta de um tirano revisor!

Você rói as unhas, revira a internet a procura de outras editoras.

Acredita, que a editora que você submeteu seu original, não era boa suficiente para acolhê-lo; seu filho prematuro, jogado ao mundo, solitário nas mãos de um desconhecido editor, que irá dissecá-lo sem o menor remorso ou pudor.

Então, tu se questiona… enquanto a verdade mostra sua fria face.

Eu não fui bom o suficiente, será?

O tempo torna-se seu novo inimigo, implacável e aliado da editora, lhe esbofeteiam com mãos de ferro e pisoteiam seus sonhos e a esperança de ver seu livro, no glamour da vitrine de uma livraria.

Pobre do editor que mergulhado em um oceano de palavras; originais desqualificados, prostituídos pela falta de qualidade, pelos temas repetidos e já macerados – um vampiro mal resolvido, um amor não correspondido, um final previsível – e pelos longos parágrafos, impregnados de clichês e advérbios; personagens vazios, inconsistentes, tramas pífias e outros atos pichados, malcheirosos nas páginas em branco; pitorescos – vândalos literários.

O alvejado editor que navega por décadas, esperançoso a procura da supra arte, com os olhos vermelhos das noites mal dormidas; barbas longas, brancas e malcuidadas e as mãos trêmulas de experiência transforma-se num prisioneiro de originais mal elaborados.

Até que na solidão da madrugada, o editor encontra seu filho precocemente parido.

Mais um original a ser incinerado, e a vezes apiedado do escritor, o cavaleiro editor, sela a fogo com um carimbo, que grava na alma do escritor a palavra REJEITADO.

Mas lembre-se exímio espadachim das letras, mestre persistente da humilde arte da escrita. É só o primeiro degrau na escada da prosperidade.

A verdade, como uma sombra, emerge incontestável na magnitude de seu trabalho:

– Há que ser melhorado!

De posse de um café quente, numa noite insone, você jaz ao lado de uma folha em branco, resignado, até que fecundado por uma nova ideia, inicia uma nova gestação com os cuidados e resiliência, aprimorado, com preces voltadas aos céus e livros de técnicas ao seu lado, roga as preces ao vento, para não ter outro original rejeitado.

Eis que com anos de experiência, após somatórias recusas,  um dia um elegante livro vai surgindo, imperioso com chances de em um mundo literário reinar.

Hermes Marcondes Lourenço

@ Todos os direitos reservados

junho 18

Sete dicas para escrever uma história

Sete dicas para escrever uma história

 

Ana Faria

 

            A capacidade de contar histórias surgiu na humanidade junto com a comunicação. Entretanto, colocar a história no papel de forma elegante, envolvente e convincente não é tarefa fácil. Muito mais do que apenas inspiração, são necessárias técnicas que permitem o autor construir o seu enredo dando a ele início, meio e fim coerentes, concatenados, interessantes, proporcionsete dicasando aos leitores momentos de prazer e construção do conhecimento através dos livros.

            Por outro lado, ainda que o escritor tenha o sonho de escrever um livro, domine a gramática e as técnicas da escrita, sem a inspiração, sem a ideia inicial, não há história a ser desenvolvida. Vamos chamar tal ideia inicial de “detonador”, a partir do qual pensaremos toda a história do início ao fim, ou vice-versa (sim, pois muitos autores escrevem o final da história antes do início).

            Veja a seguir algumas dicas para lhe ajudar a realizar o sonho de escrever uma história, seja ela um livro, um conto, uma crônica, um poema, etc. Vamos listar algumas situações em que os detonadores aparecem no seu caminho e assim você poderá ficar mais atento para agarrar as oportunidades. Portanto não se desgrude de um caderninho de anotações ou mesmo de seu computador. Tenha sempre essas ferramentas em mãos para que as ideias iniciais sejam registradas e guardadas, para não serem esquecidas e sim utilizadas no futuro.

  • A inspiração pode vir de sonhos:

 

Parece clichê, mas é verdade. É bem provável que sonhemos todas as noites, porém nem sempre nos lembramos de tais sonhos. Muito embora grande parte dos sonhos não faça o menor sentido, alguns se passam como cenas de filmes em nossa mente e são excelentes como ideias iniciais para o futuro desenvolvimento de uma história. Dessa forma, mantenha próximo ao local onde você dorme um material de anotação para que, quando você acordar, seja no meio da noite ou pela manhã, possa registrar seu sonho ou pelo menos a parte que se lembra. Faça isso depressa, pois geralmente nos es
quecemos deles ao longo do dia.

  • A inspiração pode vir de outras histórias:

 

Quando lemos outros livros, outras histórias, podemos ter ideias de conflitos que poderiam ser adicionados ou modificados
na trama, mas não poderemos fazer isso no livro que não nos pertence. Contudo, essas ideias podem ser material para você escrever sua própria história. Isso não é plágio, é inspiração, influência. Todo autor bebeu em fontes anteriores para escrever o que escreve. É claro que você não fará uma cópia da história que está lendo, mas ideias podem pipocar na sua mente e dar origem a outras histórias, que mesmo com alguns pontos semelhantes, ainda assim serão originais. Portanto leia muito, os contemporâneos e os clássicos.

  • As ideias podem vir de situações vivenciadas por você ou por alguém que você conhece:

 

O cotidiano é um ótimo gerador de ideias iniciais, pois é dele que tiramos nossa experiência que dará veracidade às ideias da nossa história. Se eu não entendo nada de cavalos, posso até escrever sobre cavalos, mas terei de fazer uma pesquisa para isso. Por outro lado se escrevo obre algo que sei, que trabalho, que vivo, então escrevo com mais propriedade e tenho muitas situações vivenciadas que podem servir como “detonadores”. O mesmo vale para experiências que conhecidos nossos viveram as quais tomamos conhecimento.

  • As ideias podem vir de notícias:

 

Os noticiários estão repletos diariamente de notícias sobre política, economia, geopolítica, governos, questões policiais e, raramente, atos de bondade e coragem. Estas são boas fontes de ideias iniciais, ou seja, de “detonadores”.

  • As ideias podem vir de filmes e obras de arte:

 

Posso, por exemplo, olhar para uma pintura de uma paisagem, há um rio, uma montanha ao fundo com o cume coberto de neve, em primeiro plano um campo florido, um pequeno barco preso à margem… Esse pode ser um cenário perfeito para a cena de uma história e daí surge a ideia inicial. Os filmes também são excelentes, pois nos envolvem de uma forma única, utilizando som, imagem, poesia, enredo… Nos dão inspiração e nos fazem ter excelentes ideias para escrever nossa própria história.

  • Revisão Ortográfica

Além das dicas sobre ideias e inspiração, complemento dizendo aqui que a revisão ortográfica de seu texto é FUNDAMENTAL para a qualidade da obra. Não poupe esforços para investir neste serviço. Faça orçamentos e procure bons profissionais. Busque referências, verifique o trabalho que já fizeram. Não pague pelo serviço todo à vista. Pague uma parte se necessário e deixe para pagar o restante depois que você receber a revisão e conferir o trabalho feito. Um texto com erros gramaticais é altamente frustrante para o autor e pode trazer prejuízos para sua carreira.

  • Capa e Redes Sociais

 

A capa do livro também é um ponto alto. Embora não seja o mais importante, complementa a obra, enriquece e conquista os leitores. Invista numa capa bacana, pesquise o que seu público alvo gosta.

Utilize as redes sociais para divulgar o seu trabalho: Facebook, Instagran, Youtube, etc. Isso tem sido ferramenta fundamental para alavancar a carreira dos autores e mantê-los em contato com o público. Através da internet vocês e seus textos podem ser apreciados. E isso é ótimo!

Gostou das dicas? Tem o sonho de escrever um livro? Então mãos à obra e aguce sua atenção na busca por ideias, por “detonadores”. Tenho certeza de que sua história poderá ficar sensacional! Não desista dos seus sonhos, persevere. Se é escritor o que você quer ser, então escreva!

dezembro 5

“Pseudo” Academias e o Ego Ostentativo Literário

Ego significa o eu de cada um, é o defensor da personalidade, é um termo muito utilizado na psicanálise e na filosofia. A principal função do ego é procurar harmonizar os desejos e a realidade, e posteriormente, entre esses e as exigências; os valores da sociedade.

O ego é o defensor da personalidade, pois ele impede que os conteúdos inconscientes passem para o campo da consciência, acionando assim os seus mecanismos de defesa. O ego é responsável pela diferenciação que o indivíduo é capaz de realizar, entre seus próprios processos interiores e a realidade que se lhe apresenta. A realidade é realizada pela percepção, pela capacidade de perceber do próprio indivíduo.

Ostentação é o ato ou efeito de ostentar, quer dizer “apresentar” ou “mostrar” num sentido exibicionista, estando ligado ao orgulho, à presunção ou simplesmente à vaidade. É o ato de alguém que exibe as suas riquezas ou as suas próprias qualidades, sublinhando a importância de algo que tem, que fez ou que é.

Fonte: http://www.significados.com.br

 

Olá Amigos do site A Arte de Escrever

Peço desculpas pelo sumiço temporário, mas é devido a essa ausência é que consigo encontrar tempo para ler e escrever, atitudes necessárias a qualquer aspirante a escritor ou aficionados e é claro, a razão pela qual tenho aumentado o time de colunistas do site A Arte de Escrever.

Há alguns meses tenho recebido e-mails, de alguns colegas escritores questionando-me a respeito da epidemia de “Academias literárias” que vem surgindo nesse nosso imenso país, e que muitas vezes, observo que tem ludibriado diversos escritores. Fica aqui um alerta, e “POR FAVOR NÃO ME INTERPRETEM MAL …” Penso que as palavras abaixo, sejam o resultado de escritor em eterno aprendizado que não pode fechar os olhos diante pessoas que se aproveitam da boa-fé de autores/ escritores iniciantes.

Quase que semanalmente recebo convites – vide modelo abaixo -, sendo alguns uma imposição, que faz com que o escritor menos desavisado, sinta-se como a essência e o suprassumo da nata dos escritores.  Lembram-se dos sete pecados capitais? A Vaidade e a Soberba, cuidado…

CONVITE

 Com muito orgulho e alegria informamos que em assembleia ordinária no dia xxx de janeiro de xxxx, após indicação, seu nome foi aprovado por unanimidade por nossa diretoria, para ingressar no quadro de Acadêmicos Correspondentes de nossa instituição, Sua presença na ACADEMIA BLÁ BLÁ BLÁ nos honra e nos enche de alegria na certeza de que estamos formando um belo laço fraterno dentro da arte e da cultura nacional. A posse acontecerá na Cerimônia Magna de Posse a realizar-se no dia 1º DE ABRIL DE 2526 no Hotel TAL TAL TAL.      Os custos referentes à chancela totalizam o valor de R$ ALGUMAS CENTENAS DE REAIS, referentes a confecção de medalha, pelerine e do diploma.Ps.: O pagamento pode ser efetuado de forma integral até o dia TAL TAL TAL, podendo ser parcelado.

Particularmente e dentro de minha área de atuação – me perdoem pelas que deixei de citar – as Academias que conheço e que são nacionalmente/ mundialmente respeitadas são: Academia Brasileira de Letras, Academia Mineira de Medicina, Academia Brasileira de Médicos Escritores e SOBRAMES– Sociedade Brasileira de Médicos escritores. Essas academias/ sociedades, são detentoras de registro, CNPJ e toda documentação necessária e isso inclui atas registradas em cartório, tesouraria, e recolhimento “anual” de taxas diversas (relacionados a registro de atas, despesa com cartórios) etc. Toda academia, obrigatoriamente tem cadeiras, na qual representam um patrono e consequentemente seus ocupantes. Já as sociedades culturais, são entidades culturais, na qual “não existem” cadeiras de ocupantes.

Posso lhes garantir, que no caso das “respeitáveis” academias, para que você possa ocupar uma dessas cadeiras não é nada fácil, pelo contrário, você terá de provar que é bom de escrita, e que seu livro traz importante papel cultural para a sociedade — e isso condiz com um número x mínimo de publicações “notórias” — e que você faz jus ao nome do patrono da referida cadeira. Basta observarmos que quando alguém consegue entrar para a Academia Brasileira de Letras, virá notícia nas principais mídias.

Sei que existem academias idôneas e talvez até deixei de citá-las por não fazerem parte de minha área de atuação ou desconhecê-las, mas as verdadeiras academias são a fina flor da sociedade cultural brasileira.

Porém, infelizmente temos as academias questionáveis que disparam convites em busca de associados “pagantes”.

Geralmente o belo convite vem acompanhado de taxas que variam de 300 reais para cima, que está relacionado a confecção de medalha, diploma (vale ressaltar que o preço de “uma” folha de A4 de linho deve custar 0,30 centavos de reais cada), além da pelerine, que uma camisa que não deu certo e que não custa mais do que 30 reais e qualquer costureira é capaz de fazer usando pena, fio dourado e tecido de terceira categoria.

É muito barato comprar uma medalha de honra ao mérito, diga-se de passagem, se consegue comprar até pela internet –: “4 unidades de medalha de honra ao mérito” por 7 reais, repito: 4 medalhas por SETE Reais.

medalha honra ao mérito

Medalha Gedeval Pequena Ouro (Contém 04Unids)

Por: R$8,80

 

Em resumo, o custo do material para o recém e belo integrante da academia não passa de 50 reais (na melhor das hipóteses), e para onde vai o resto do dinheiro? É claro que no valor não está incluindo o jantar, regado a vinho e muitas vezes com patrocínio. Imaginem 50 escritores indicados a neoacadêmicos, da Academia Xuxulenta de Esporos Bacilíferos Socrática, ou AXEBS, sendo que o homenageado terá que custear 600 Reais para a solenidade e 400 reais para o jantar de gala. Geralmente a solenidade é realizada em um algum lugar cedido por alguma instituição, e por se tratar de academia, é claro que “sem fins lucrativos”.

Aposto que um almoço para a Família em um excelente restaurante, sai bem mais em conta do que isso. São MIL reais por participante, e se os “50 homenageados” aceitarem o convite, estamos falando DE CINQUENTA MIL REAIS. Agora peço para que se lembrem do custo de uma medalha, que gira em torno de R 1,75 (UM REAL E SETENTA E CINCO CENTAVOS). 

Com certeza as supostas academias, irão disparar e-mails para toda lista de contato de escritores que aparecem nas redes sociais — afinal, qual o escritor que nunca divulgou seu livro no facebook? — E quem morder o engodo mordeu…

Isso sem contar que somos assombrados até pelo fantasma de academias do exterior – Só neste ano, fui convidado para duas academias das quais até na internet é difícil de achar, talvez na deepweb, sendo que um dos convites veio da Argentina e outro de Portugal. É óbvio que eu teria que colocar a mão no bolso para ser contemplado por imensa honraria… Aí vale questionar, e o mérito? Se minha obra literária é digna de ser imortalizada em uma academia, por que “eu” tenho que pagar tantas despesas? Pelo que sei, as despesas da posse da Academia Brasileira de Letras são custeadas integralmente pelo governo do estado da cidade natal do acadêmico indicado.

De que adianta eu participar da academia de Letras de Nova Zelândia? Peraí, eu moro no Brasil! Isso sem contar que a maior parte dos escritores “mau” (faço questão do mau com u), são divulgados no estado em que residem…

Imaginou o preço de viagem, estadia, e solenidade para uma posse no exterior? Ao menos que você esteja com dinheiro sobrando (e não é o que tenho observado na maioria dos escritores no Brasil atual) e queira fazer um turismo e gastar muito, você está no caminho certo. Parabéns, você terá mais um pedaço de papel para guardar e claro, ótimas recordações de um passeio.

Para aqueles que não conseguem custear a honraria e solenidade, ainda mais com o dólar beirando os 4 reais (me recuso mencionar euro e Libra), há outros que buscam patrocínio em busca de realizar um desejo de reconhecimento. Tudo é valido quando corremos atrás de um sonho, mas por outro lado, o escritor deixa de lado seu principal ofício que é escrever e parte como um leão faminto atrás de patrocinadores e isso mancha a imagem do autor/escritor. Bacana demais, eu tomando posse na England Academy of Literatury in Oxônia, com patrocínio do Motel Vil Prazer! Neste ponto surge o paradigma: Qual é meu objetivo como escritor?

Particularmente eu tenho minha resposta, que é simples: Escrever livros cada vez melhores para agradar meu público e ponto(.)

De nada adianta você dizer que pertence a Academia de Letras de Nova Zelândia. Lhes asseguro que alguém irá lhe responder: “Que legal!” E vai se esquecer em menos de 2 minutos. 

Diferente seria: Eu ocupo a cadeira XX da Academia Brasileira de Letras.  Aí meu amigo, até eu iria querer seu autógrafo. Já me perguntaram, sobre como essas “academias” sobrevivem. Simples, promoção da confecção de coletâneas, superfaturas exclusiva para os “neoacadêmicos”, e aí temos duas facadas, a primeira da publicação ( e lhes asseguro que a publicação é quase que sobre demanda) e a segunda do lançamento e aí temos nova solenidade, novo jantar e disparam a mandar mais medalhas e homenagens com custo, enquanto a conta bancária de “algum ilustre” vai só engordando.

Outro fato que os “contemplados com imensa honraria de tornarem-se acadêmicos” devem tomar cuidado é sobre anagramas… Aquilo que estudávamos em análise combinatória na matemática do colegial.

Exemplo:

Academia Brasileira de Letras – ABL; reconhecida mundialmente.

Olha só quantas combinações são possíveis: LBA, LAB, BLA, ALB, BAL …. Em todos os anagramas, temos a palavra academia, Brasileira, Letras e não estamos falando da verdadeira Academia Brasileira de Letras.

Então meu amigo escritor, cuidado! Preocupe-se em divulgar seu livro e quando receber um convite de uma academia, tenha certeza de que você esteja sendo convidado para uma instituição idônea, SEM FINS LUCRATIVOS, mas acima de tudo, não se esqueça de seu propósito básico como escritor, que é o de escrever bons livros, e isso demanda leitura, estudo e tempo que são presas fáceis para o Ego e a Ostentação.

Forte abraço à todos!

 

junho 29

Meu original foi recusado e agora?

 

Uma das e16-recusadoprincipais perguntas inquisidoras para muitos autores/ escritores é a famosa questão: Por que meu original foi recusado?

Ainda mais quando recebemos um e-mail ou carta da editora com a seguinte mensagem:

Prezado Senhor,

Concluída a avaliação do original em referência, informamos que sua publicação não foi indicada, ainda que apresente evidentes qualidades.

Agradecemos a remessa desse material e informamos que, respeitando as normas da Editora para avaliação de originais, o mesmo foi inutilizado.

Agradecemos a escolha de nossa editora como editora potencial para sua obra . Gostaríamos de esclarecer que a recusa dessa publicação não inviabiliza o interesse em próximas obras de sua autoria.

Atenciosamente,

Departamento Editorial,

Setor de Avaliação de Originais

 

Caro Hermes,

Gostaria de informá-lo que os que seus manuscritos foram analisados, mas não faremos uma oferta por eles no momento.

Agradecemos a oportunidade de avaliá-los.

Atenciosamente,

Departamento Editorial

Setor de avaliação de originais

 

Olá Hermes, boa tarde!
No momento nossa editora não está recebendo nenhum tipo de material para
analise, pois estamos com o nosso planejamento editorial 2014 fechado.
Agradecemos o contato.

 

Departamento Editorial

Setor de avaliação de originais

Bem, na verdade tenho uma coleção de recusa de originais, na qual arrumei uma pasta e faço uma coleção dessas recusas. Podem até me criticar e dizer que é sadomasoquismo, mas toda a vez que olho para algumas das recusas, fico refletindo e me questionando sobre em que ponto minha obra falhou.

O legal é que algumas editoras nem resposta dão. Outras o fazem de forma educada e incentivadora.

O que aprendi com a prática e coletâneas seguidas de rejeição é que nem sempre o que é recusado por uma editora, necessariamente não significa que seu livro está ruim e não possa ser publicado.

Muitas vezes a editora está sem espaço para publicar, ou já empregou os recursos disponíveis que teria para publicá-lo com outras obras ou o que acontece na maioria das vezes, seu original foi enviado para a editora errada.

Vocês não imaginam as pilhas de originais as editoras recebem, e grande parte deste volume são de gêneros diferentes do que a editora está habituada a publicar.

De nada adianta você encaminhar seu livro de poesias para uma editora que só publica livros médicos, ou você querer enviar um livro de terror para uma editora que só publica romances.

Inúmeros escritores pulam passos primordiais e movidos pelo desespero e pela compulsão ansiosa de ver o livro publicado — eu prefiro chamar de síndrome do ponto final, ou seja, bastam colocar o ponto final no final do livro é já acreditam que o livro está pronto —, saem como metralhadoras disparando o original para qualquer editora que encontram nas ferramentas de pesquisas da internet.

A frente discutiremos de que forma devemos proceder para encaminhar um original para uma editora — acredite, um livro bem apresentado diminui as chances de recusa.

Nos coloquemos no lugar do editor. Imagine que nossa editora já tem sete livros sobre vampiros no nosso catálogo e o gênero que gostamos de publicar é terror e suspense, e você está com seu livro impecável, revisado, avaliado por leitores betas — ou cold readers do inglês que o mesmo que leitores frios — em outras palavras, seu livro é uma obra de arte, de causar inveja a Bram Stoker, mas você é o editor, e recebe “mais um” livro de vampiro e ao mesmo tempo um livro sobre lobisomem, que está bem escrito — já conhecendo que a tendência editorial após participar de feiras literárias pelo mundo será a volta dos livros de lobisomem.

Qual livro você aceitaria para publicar?

É claro que a escolha seria o livro do lobisomem. Sua editora já está saturada de livros de vampiros, inclusive de vampiros que brilham no sol. Ela quer publicar algo que venda e a inovação é chave para a venda de um produto. Por outro lado, uma editora que só publicava esoterismo, mas decidiu abrir espaço para o terror e suspense em especial vampiros e você descobriu que ela irá iniciar com este novo seguimento sendo que ela está carente de obras do gênero do livro que escreveu. Você decide encaminhar seu livro de vampiros e Voilá, seu livro foi aceito.

Mas nem tudo são flores. Sua editora precisa de livros de vampiros, mas recebeu cem originais de livros de vampiros. Neste momento, será avaliado a qualidade de escrita, a bibliografia do autor — quando digo bibliografia é se os livros que ele publicou foram bem aceitos no mercado —, a qualidade técnica do enredo e bem como conhecer as perspectivas do autor com relação a obra no mercado editorial. Daí entra a importância do book proposal que iremos falar no capítulo de como apresentar seu original.

Tem autores que enviam o original e ficam perseguindo — do inglês stalker —, que enviam o original e alguns dias depois revirando a internet, ficam encaminhando diversos emails ao editor, perguntando sobre o andamento da obra.

Imagine se eu lhe dou cem originais, cada um com aproximadamente 200 a 300 paginas cada um para você avaliar por ordem de chegada, e o autor número 98 já quer saber se o livro dele foi aceito. Detalhe: Você só teve tempo para avaliar ainda 6 originais — daí o tempo de demora da avaliação de original por parte da editora.

Por mais que a editora tenha 5 funcionários para avaliação de originais, cada um irá ficar com 20 originais para serem bem avaliados e lhes asseguro, que irá demandar tempo e quando me refiro a tempo, me refiro a meses de trabalho. Então aquele original cujo autor é número 98 e fica aborrecendo o editor com numerosos e o pressionam com insistentes emails do tipo: “Olha só, uma editora já aceitou meu original e preciso de resposta da editora de vocês pois ela é maior!”, o editor certamente irá recusar seu livro por três razões:

1ª Você já foi aceito por outra editora — ao menos foi o que você escreveu.

2ª Um original a menos para ser avaliação. Eram cem, agora faltam 99, (melhor ainda se eu estava com 20, pois ficaram 19).

3ª Um escritor “chato” a menos que iria aborrecê-lo durante todo o processo editorial, caso o livro fosse aceito.

Como podem perceber, em minha preciosa lista de recusa, elas vieram de forma espontânea e lhes asseguro que algumas chegaram anos depois do envio e também confesso que no início da minha carreira acabei sendo um pouco chato, mas foi bom, que aprendi com os erros e posso hoje compartilhar com vocês.

Outra causa de rejeição é mandar o livro sem revisão e isso é sério. Se nos incomodamos quando encontramos um pastel — erros gramaticais que escapam do revisor —, de um famoso best seller, lhes pergunto, por que um editor é obrigado a ler um livro inteiro cheio de erros gramaticais?

No site das editoras, encontramos a política para envio de originais, ou seja, a forma que seu manuscrito deve ser encaminhado para editora — vai desde formatação do texto, tamanho de fonte, configuração de página. Há editoras que não aceitam envios eletrônicos – tipo você encaminhar seu livro em formato word ou pdf por e-mail — e editoras que só aceitam avaliar seu original se estiver devidamente registrado na Fundação Biblioteca Nacional.

Outros autores se preocupam tanto com o envio da obra que esquecem de anexar no original as próprias informações. Imaginem seu livro chegando na editora, o editor abre seu envelope e o joga no lixo e começa a avaliar seu original. Ele amou seu livro e quer publicá-lo. Então ele vai procurar seu contato e cadê seus dados? Estavam apenas no remetente do envelope que foram jogados no lixo. E como descobrir quem é o autor? Impossível. Melhor recusar e nesse caso o autor sequer irá receber a carta de recusa da editora, porque o endereço do autor se perdeu. Para evitar que isso ocorra, anexe todos os seus contatos: e-mail, telefone, celular, skype, etc…

Há casos dos autores / escritores que não aguentam mais esperar. Precisam publicar de qualquer forma. O prazo de espera estipulado pela editora torna-se no pior instrumento de tortura criado pela Inquisição da Editora. Então ele desiste em poucos meses e acaba enviando o livro para editoras de pequenas tiragens. Meses depois e com um livro mal publicado, mal distribuído e já assinado o contrato, a editora manda a resposta. Aí quem não pode publicar é o autor, pois o livro já foi publicado. Isso é horrível, pois além de perder espaço em se publicar em uma grande editora, —lembre-se de que o editor também é humano e não é uma máquina — ele vai se lembrar de você quando enviar seu original novamente para a editora e dificilmente ele irá aceitá-lo temendo que você já tenha publicado por outra editora.

Resumindo os motivos principais de recusa por parte de editoras:

— O gênero do seu original foi parar na editora errada – mandou seu “Harry Potter” para editora que só publica livro de direito.

— Você enviou seu original sem seguir as normas de envio ditadas pela editora;

— Seu original não está registrado na Fundação Biblioteca Nacional;

— Falta de informações sobre a obra — “book proposal”.

— Falta de informações pessoais sobre o autor — “quem vai querer avaliar um original se sequer tem as informações do autor?”

— Livro sem revisar;

— Autor / Escritor “stalker” que ficam aborrecendo a paciência do editor seja por telefone, e-mail ou pessoalmente.

— Falta de paciência do autor/ escritor, que desiste de esperar o prazo de avaliação estipulado pelas editoras e acaba publicando o livro por conta própria em editoras de pequenas tiragens.

— Falta de qualidade técnica de escrita tornando o original inviável para publicação;

— Excesso de gêneros na editora semelhantes ao original que foi enviado.

abril 25

Como escrever uma cena em seu livro…

Qescrita_cientifica_-_reproducaouando era criança, certa vez antes de chegar as amigas de minha mãe, ela me chamou no canto e disse: “Filho, está para chegar visita, e eu só tenho um pouquinho de doce de abóbora para servir. Por favor quando elas chegarem não peça doce de abóbora que eu não terei para servir todo mundo.”

Na época eu era apaixonado por doce de abóbora, independente de ter visitas ou não, mas  elas chegaram. Assim que minha mãe serviu as amigas, eu olhei aquele prato de doce de abóbora e disse na frente das pessoas queridas e tão aguardadas pela minha amada matriarca: “Mãe, eu quero doce de abobora!”

Mamãe na hora ficou da cor do arco-íris, indo gradativamente do branco ao violeta até que uma das amigas dela se dispôs a dividir o doce comigo. Após as visitas terem ido embora, minha mãe foi em uma vendinha onde ela comprava a bendita abóbora e voltou para casa com uma gigante. Descascou, enquanto eu inocentemente brincava com meu único boneco de playmobil* não vou explicar o que é playmobil, pois eu sei que este bonequinho franjinha ainda existe.

Para minha surpresa, após algumas horas, mamãe me chamou sem eu sequer imaginar o que me aguardava.
Ao chegar na cozinha havia na mesa um prato fundo de doce de abóbora quase transborndando ao lado de um vidro de mais ou menos 5 litros, repleto até a tampa do bendito doce.  Minha mãe com o olhar lustroso de vingança disse algumas palavras que me marcaram toda vida: “Come tudo ou você vai se arrepender. Não queria comer doce de abóbora?”

O fato é que depois de mais de trinta anos é que voltei a sentir sabor por este doce, mas o amor acabou.

Em uma época da minha vida — principalmente quando era rejeitado pelas editoras — começei a devorar livros importados de escrita, gastar fortunas com cursos de escrita criativa — e havia alguns cursos  que me faziam sentir que iria vender mais do que o Stephen King —, até que montei uma pasta recheada de técnicas e orientações para se escrever, em outras palavras, tinha um vidro gigante de doce de abóbora e a obrigação de devorar as técnicas evitando a rejeição da editora.

No mercado brasileiro você encontra poucos livros que ensinam como escrever um livro. Já o mercado americano e europeu está lotado. Qualquer esquina você encontra esses livros como pragas e se deixar eles quase que se reproduzem.

O fato é que neste amontoado de livros, poucos realmente trazem informações necessárias que irão auxiliar o aspirante a escritor em sua jornada de aprendizado. O Resto é pura bobagem.

A maioria dos cursos e oficinas que participei, vendiam pequenas dicas que eu encontrava no rodapé dos livros importados e os cursos eram vendidos  a preço de ouro, com aulas enfadonhas.

O pesadelo tornou-se real quando minha mente saturada de técnicas e mais técnicas, tornava o trabalho de escrever uma página num martírio — algo como ter que comer mais do doce de abóbora quando você já esta lotado e quase vomitando, até chegar num ponto que eu não conseguia mais escrever saturado por tanta técnica.

Nesse momento tive que rever todos meus conceitos sobre escrita e cheguei a simples conclusão de que o excesso de técnica e meu respeito implacável por elas me impediam de escrever e bloqueavam meu processo criativo.

Foi uma grande lição. É claro, que em meio a imensidão de informações, “pesquei” as que eram necessárias e fundamentais no processo da escrita.

Recentemente um leitor me enviou um comentário, após o rompimento da corrente que me prendia pelo tornozelo,  dizendo que minhas últimas publicações tinham uma escrita bela, “desatadas das técnicas”  e por isso a obra tornou-se preciosa e encantadora, melhor do que as anteriores que foi minuciosamente escrita sobre a compulsão inquisidora das normas de escrita.

Porém, nem tudo são flores e é só sair escrevendo como se fosse uma metralhadora. Algumas regras são fundamentais na hora da escrita.

O Primeiro e mais básico erro do escritor iniciante é quando falamos de POV. O que é isso? Na verdade POV é uma abreviação americana de Point Of View, que nada mais é do que o famoso ponto de vista.
Para você entender com mais facilidade imaginemos que cada POV seja uma câmera de cinema disposta em algum lugar da cena.

Por exemplo uma narração em primeira pessoa, você coloca uma única e exclusiva câmera em cima da cabeça de seu personagem e essa câmera será utilizada durante todo o filme — no caso seu livro. Em outras palavras essa câmera nada mais é do que os olhos de seu personagem e as impressões que ele tem de tudo o que acontece ao seu redor, dentro da estória.

Vamos retirar a câmera da cabeça de seu personagem e instalar várias câmeras dentro do quarto em que ocorreu um assassinato e filmar as reações de seu personagem. Você irá conseguir vê-lo com todos os detalhes, ele arrastando o corpo de uma mulher para a cama; irá ver o sangue manchando o lençol e até visualizar a sudorese no rosto de seu assassino. Poderá detalhar a arma do crime caída ao lado da cama. É como se você fosse uma testemunha ocular crime e tivesse dentro da cena sem que o assassino imaginasse que você está la.

Imaginemos que você mora no prédio do outro lado da rua, e você estivesse bisbilhotando a janela do seu vizinho na hora do crime. Você irá perceber — se a rua não for movimentada — que parecia que eles estavam discutindo, poderá descrever “sem muita segurança”, como eles estavam vestidos e que depois de algum tempo você não viu mais a mulher.

Agora imagine que você fosse um policial que passava de helicóptero a dois quilômetros de altura. Você não iria ver nada e o crime iria acontecer de qualquer forma, embaixo de seu nariz.

O POV é fundamental na descrição de uma cena. Já vi livros e até filmes que ocorrem erros gravíssimos do ponto de vista do personagem. Nunca devemos nos esquecer que uma câmera não registra cheiros, temperatura, intensidade sonora, sabores e essas sensações enriquecem e devem fazer parte de sua estória. É claro que não precisa detalhar o grão de arroz do prato que seu personagem está comendo, basta seu leitor saber que seu personagem está almoçando.

Outro assunto é a criação da cena.

A primeira pergunta é: O que é uma cena? É o mesmo que um capítulo?

Não. Um capítulo é um conjunto de cenas enquanto a cena é o somatório do cenário, temporalidade, ações dos personagens, POV. Resumindo é uma ação que ocorre em determinado local em determinado espaço de tempo.

Vários livros trazem as técnicas que foram descritas pelo site advanced fiction writing (http://www.advancedfictionwriting.com/articles/writing-the-perfect-scene/, que na verdade facilitou para o escritor o desenvolvimento da cena. Há autores que a seguem metodicamente — Objetivo, conflito, desastre e as sequelas da cena: reação, dilema e decisão; — proposto pelo advanced fiction writing  — e acabam se esquecendo da principal pergunta a ser realizada antes de construir a cena, seja de roteiro ou de um livro.

A pergunta é simples: O que há de grandioso em sua cena e como você irá emocionar seu leitor? Essas simples perguntas destrói qualquer regra, e carregam o principal objetivo de qualquer livro, ou seja, “amarrar o leitor e emocioná-lo”.

Eu particularmente prefiro substituir a técnica acima, pelas famosas e pouco divulgadas regras dos 6W que fazem parte do jornalismo investigativo: WHO, WHAT, WHEN, WHERE,  HOW, , WHY — quem, o que, quando, onde, como e porque.

Vamos exemplificar as duas técnicas.

Primeira pelo advanced fiction writing.

Premissa: Protagonista chega no apartamento e encontra a esposa morta e é surpreendido pelo vizinho que estava acostumado a ouvir as brigas do casal. Ele tem duas opções: Explicar ao vizinho que é inocente ou fugir e deixar para tentar explicar depois.

Objetivo: Personagem chegar no apartamento após um exaustivo dia de trabalho.

Conflito: Ao chegar em casa, ele não consegue abrir a porta, e ele vê marcas de sangue no chão. Ele arromba a porta e entra.

Desastre: Ele encontra a esposa morta, com a faca suja de sangue ao lado.

A seguir são as sequelas, em outras palavras as consequências…

Reação: Chamar a polícia, mas um vizinho bisbilhoteiro (que escutou a porta ser arrombada — já estava familiarizado com as brigas do casal) chamou a polícia quando ouviu o chute na porta — e entrou na casa encontrando o protagonista segurando uma faca suja de sangue ao lado da esposa morta

Dilema: Permanecer na cena e tentar explicar para o vizinho e a polícia que não tardaria em chegar, que ele arrombou a porta porque a esposa não atendeu e a chave não funcionava e encontrou a esposa morta ao lado de uma faca suja de sangue; ou fugir, contratar um advogado e tentar provar a inocência depois.

Decisão: O Personagem decide fugir para descobrir quem matou a esposa e provar a inocência depois.

A mesma estória pode ser construída usando as regras do 6W

O Que: seu personagem está buscando: Personagem chegar no apartamento para descansar após um dia cansativo da rotina do trabalho.

Quem: Um sujeito que brigava muito com a esposa a ponto de incomodar o vizinho.

Quando: após um dia exaustivo de trabalho.

Onde: No apartamento do casal.

Como: O Personagem ao chegar no apartamento, não conseguiu abrir a porta e teve que arromba-la. O som chamou a atenção do vizinho, que preocupado com a segurança do prédio, chamou a polícia.  O vizinho impulsionado pela curiosidade foi ao apartamento, surpreendendo o protagonista ao lado da esposa morta, segurando a faca do crime.

Porque: O protagonista decidiu fugir, pois não havia como convencer o vizinho de era inocente, e precisava descobrir quem realmente era o verdadeiro assassino, entregá-lo a polícia e dessa forma provar a sua inocência.

Na cena existe algo de grandioso? Sim, pois não todo dia que chego em casa e encontro a esposa morta.

Você conseguiu emocionar seu leitor? Claro, pois ele ficará apreensivo, querendo saber quem é o assassino e criará empatia pelo seu personagem por saber que ele é inocente.

Observação: esse conjunto de cenas que determinaram um capítulo.

Uma estória, deve apresentar obrigatoriamente um inicio, meio e fim — que nada mais é do que o antigo primeiro, segundo e terceiro ato, e deve ter seus pontos de virada.

O que é um Ponto de Virada? É algo que irá acontecer e marcar seu personagem, dando maior profundidade a sua estória e cativando ainda mais seu leitor. O cativar que me refiro e diminuindo a chance do leitor abandonar a leitura de seu livro.

Imaginemos um livro de 120 páginas. As trinta primeiras páginas serão reservadas para a apresentação de seu personagem até o primeiro ponto de virada, que colocará seu personagem num caminho sem volta. Ele terá que ir até o final. Já o segundo ponto de virada acontece no segundo ato, ou seja quando seu personagem descobre quem é o assassino — do exemplo das cenas acima — e se surpreenderá ao descobrir que o assassino por exemplo é o próprio irmão que um tinha secretamente um caso com a esposa. E terceiro ponto de virada irá ocorrer por volta da pagina 85 a 90, é representado pela confrontação onde ele ficará frente a frente com o irmão que fará de tudo para matá-lo e ele terá que se defender. Já as páginas 90 a 120, serão reservadas para o final de sua estória, onde seu personagem matou o irmão e termina internado, enlouquecido num hospício.

Alguns cuidados devem ser tomados com a conclusão de sua estória. Aprendi que devemos surpreender o leitor em cada página lida em seu livro, bem como podemos ou não dar a ele o final desejado. Por exemplo, você gostou do seu personagem terminar num hospício após ter matado o irmão, após provar sua inocência.

Há aqueles que iriam preferir, que ele terminasse em um bistrô em Paris, após descobrir que o irmão era um dos mais procurados traficantes de drogas, conhecendo uma linda mulher sugestivo de um futuro relacionamento.

Essa conclusão quem determina é o escritor e é claro tentando agradar seu publico alvo. Aos amantes de suspense, terminar num hospício ia ser ótimo. Já aos fãs de justiça feita e de romance, terminar em um bistrô em Paris, conhecendo uma linda mulher seria o final perfeito.

Cabe a você decidir.

Hermes Marcondes Lourenço

 

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dezembro 26

Software para Escritores

 


 

terminator

 

 


 

Software para Escritores

Olá Amigos!

Bem, hoje trago para vocês um post especial, que acredito que irá auxiliar muito  o escritor.
Quem nunca se deparou em estar escrevendo um livro – muitas vezes usando o  word – e subitamente… Putz, como era a descrição daquela personagem  mesmo? Então começa a via sacra de ficar rolando a barra do word até chegar lá  no inicio do livro para encontrar a descrição de seu bendito personagem.
Escrever um livro implica-se em planejamento, construção do personagem, construção da cena, construção da trama,  pontos de vista (POV), cenários, etc.
Se você for criar para cada item desses acima um documento do word, você irá ficar doido de tantos arquivos guardados ou espalhados na sua área de trabalho.
Eu particularmente uso o editor de texto da microsoft para dar acabamento a meus livros, ou seja lapidá-lo depois de pronto.
Existem softwares para todo gosto e todo tipo de escritor. Um dia, me perguntaram na aba quero escrever um livro e agora? -, sobre qual o melhor software para o escritor?
A resposta é simples, porém tenho que alertá-los: aquele que você mais se adaptar!
Ter um software que nos auxilia na escrita é que nem ter um carro na garagem. Quanto mais você usa, rapidinho o olho cresce e você vai querer ter outro software, ainda melhor. O grande problema em se trocar de software é o tempo que você irá gastar para dominá-lo, pois quanto mais recursos, mais complicado é para manuseá-lo e isso irá atrasá-lo na escrita de seu livro.  Hoje eu estou no meu terceiro software, mas fico pelo menos de 2 a 3 anos com cada um deles. Ainda estou a procura do software perfeito, mas ainda não o encontrei. Com o tempo você irá descobrir que alguns trazem recursos que outros não trazem e quando você muda de software, você irá sentir falta do recurso que o antigo lhe apresentava.
Para os iniciantes, eu recomento o ywriter. Ele é totalmente free – por enquanto-, mas tenho certeza que ele irá ajuda-lo na construção de sua estória. Você pode baixa-lo no link do desenvolvedor: http://www.spacejock.com/yWriter5_Download.html
Dica, sempre baixe o software no link do desenvolvedor, para evitar pragas virtuais.
O ywriter lhe permite trabalhar com varias janelas na mesma tela, bem como, tem a aba para seus personagens, locações, cenas, notas da cena e storyboard. Também você pode configurá-lo em português, além de poder colocar o som da máquina de escrever enquanto digita – adoro esse recurso kkkkkk. No próprio site do desenvolvedor, você irá encontrar o tutorial do programa.
Outro software, que eu já usei, porém não me senti muito satisfeito foi o scrivener, inicialmente desenvolvido para a plataforma mac os, porém, o sucesso foi tanto que acabaram desenvolvendo-o para o Windows. Você pode experimentar a versão demo, porém, não terá tantos recursos como o original. Ele é muito apresentável e como todo sistema mac os, e é muito fácil de usá-lo. A versão para Windows você encontra no link: http://www.literatureandlatte.com/scrivener.php e custa aproximadamente 40 dólares.
A desvantagem é que você tem que dominar o inglês, mas o visual é fantástico bem como a simplicidade de utilizá-lo.  O ruim da história e você ter que comprar e acabar não gostando. Então recomendo que teste a versão demo.
Na internet podemos encontrar software para todo gosto, para até criar a estória como o dramática pro, que vai lhe fazendo tantas perguntas sobre sua ideia e no final você já tem o esboço pronto de seu livro.
Existem outros diversos softwares para autores que vou apenas cita-los no final do post e cabe  a cada um ser seletivo no que concerne a qual software mais irá satisfazê-lo de acordo com suas necessidades. Outra dica importantíssima é que a maioria destes softwares tem que ser comprada com cartão de crédito, então habilite seu cartão para uso no exterior e compre através de sites seguros como Pay Pal – ou como todo bom brasileiro que sempre tem um conhecido que viaja para o exterior, então encomende seu software.

Aqui segue uma lista de softwares.

Um forte abraço a todos!

 

Por Hermes Marcondes Lourenço

@ All Rights reserved

julho 12

Como Construir uma Grande História

Olá Amigos do Blog, hoje vamos trocar algumas palavras, sobre os conceitos básicos e pré-requisitos para se escrever uma grande história.
De início, posso lhes assegurar que escrever um livro não é pegar seu primeiro manuscrito e sair postando pelo correio ou e-mail para todas as editoras que você encontra pela frente.
Qual foi o autor que nunca pensou: “Minha vida daria um livro!”.
Concordo plenamente que a vida de qualquer pessoa daria um livro. Até a vida do meu cachorro.  Agora temos um ponto muito importante a ser discutido, que será o diferencial de um dos diversos quesitos para a aceitação ou rejeição por parte das editoras.
Imaginem uma biografia de um sujeito que nasce no interior de Minas Gerais e que com muito estudo consegue se formar em engenharia civil. Me permito ir mais longe. Imagine agora o irmão desse mesmo indivíduo que conseguiu se formar em direito e tornou-se um renomado desembargador. 
Agora imaginemos outra situação. Você está remexendo em seu velho baú e lá você encontra a estória de sua bisavó, que quando criança, viveu no campo de concentração Auschwitz e na estória ela conta tudo o que vivenciou – desde a morte dos irmãos, dos pais  –  e pior, um dos oficiais nazistas se apaixona por ela e para preservá-la a coloca para ter que incinerar diariamente os corpos dos judeus que eram assassinados. Dentre os corpos ela sempre encontrava um parente, um professor, um amigo e a única forma para ela sobrevivesse seria se entregar aos prazeres do oficial, só que ela descobre que o mesmo oficial incinerou “vivos” seus pais.
Agora lhes pergunto. Se a editora fosse sua e é claro, editora são empresas que para sobreviver precisam de lucro. Qual das estórias que você acha que mais venderia e qual delas você aceitaria publicar?
Pois bem, editoras sérias recebem muitos, mais muitos originais – quando digo original, digo um livro pronto -, com estórias sem consistência, e pior… O escritor quando se depara com a recusa – e sabemos que essa resposta demora muito -, quase perdem a cabeça, criticam a editora ou o editor, dizendo que eles não sabem o que estão perdendo e por aí vai.
Mais quais são os principais elementos que constroem uma boa estória? É isso que vamos discutir aqui.
Eu sempre comparo escrever um livro como uma partida de xadrez. Há aqueles escritores que estão apenas começando a aprender a mexer as peças de um tabuleiro de xadrez e saem cantando aos quatro ventos: Eu sou escritor. E a veemência obsessiva é tão grande, que, para quem assiste de fora, chega a pensar que até Dan Brown teria inveja deste sujeito. Mas na verdade ele apenas sabe mexer as peças e não conhece as regras do jogo. Eu jogo xadrez desde meus 9 anos de idade – digamos que mais ou menos há 30 anos – e confesso que não considero mestre e tampouco expert em xadrez, mas lhe garanto que os conhecimentos que adquiri, sou capaz de causar muita dor de cabeça ao meu s adversários e isso me põe na frente de muitos, mas de muitas pessoas que dizem por aí que sabem jogar xadrez.
Escrever um livro é o mesmo. Vamos entrar um pouco na parte tática da escrita. Ah, você se surpreendeu? Claro, da mesma forma que o xadrez, escrever um livro exige estratégia, tática, planejamento e outras ferramentas que iremos discutindo mais adiante.
O primeiro chamariz para seu leitor, chama-se impacto emocional. E isso é forte! É o que irá amarrar seu leitor durante toda a sua estória para que saiba o que é que irá acontecer no final.
Em meu ponto de vista, um livro com um dos maiores impactos emocionais que já conheço é A Cabana, do autor best seller William P. Young. Nela o impacto emocional é história de um pai que perde a filha assassinada por um psicopata e tem a oportunidade de digamos que, acertar as contas, nada mais, nada menos do que com Deus, com Cristo e por aí vai.

Outro livro que posso citar é O Guardião de Memórias, da autora Kim Edwards – e confesso que achei a leitura muito difícil, mas o impacto emocional da estória me fez colar no livro até chegar na última página. Nesse livro narra a história de um pai – médico -, que ao fazer o parto da esposa descobre que tem gêmeos, sendo uma das crianças – uma menina – é portadora de Síndrome de Down. Diante disso ele dá a filha para a enfermeira desaparecer com a criança e esconde este grande segredo da própria esposa e você leitor irá ficar amarrado até o final do livro para saber o que aconteceu ou irá acontecer. O impacto emocional, nada mais, nada menos aguça a curiosidade de seu leitor. Esse é um dos primeiros diferenciais de uma história bem construída, que lhe prenderá até o final, e de uma estória que muitas vezes você será obrigado a ler, pelo simples fato do autor ser seu amigo. O impacto emocional é um dos principais pilares de qualquer livro: “A Emoção”, e lhes asseguro que um bom escritor, com um livro com menos de 100 páginas é capaz de saber emocionar seu leitor. Não acredita? Então leia o velho e o mar de Ernest Hemingway ou A Hora do Lobisomem de Stephen King. É claro que o impacto emocional é um dos primeiros alicerces para construirmos uma boa estória. Também temos que ter personagens bem construídos – com seus respectivos pontos emocionais meticulosamente elaborados­ -, diálogos bem estruturados, um cenário cujo autor conheça melhor do que a palma da própria mão; uma boa narrativa e de outras técnicas que iremos abordar cada uma a seu devido tempo. E lembre-se, um leitor não interessa pelo seu nome escrito em letras garrafais na capa dourada de seu livro, mas sim pelo conteúdo de sua estória. Agora, se seu conteúdo já começa com excelente impacto emocional e respeita as técnicas de escrita; meu amigo, lhes asseguro que seu leitor irá admirá-lo e colocá-lo no hall da fama pessoal como um dos melhores escritores que ele já conheceu. Quanto a crítica, não se preocupe. Eles sempre darão um jeitinho de encontrar uma falha. Mas lembre-se de que você jamais agradará a 100% de seu público alvo. Se conseguir 60% já estará trilhando um maravilhoso caminho. Forte abraço a todos!

Hermes M. Lourenço

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julho 8

A PROBLEMÁTICA DAS SÉRIES

Quando novos autores me pedem dicas, a primeira que dou é:
Não escreva séries.
E invariavelmente, como resposta, recebo um sorriso amarelo de quem já iniciou ou idealizou uma série com 3, 5, 7, 10 livros!
Eu não sei quem foi que inventou que os novos autores devem iniciar suas carreiras escrevendo séries. Confesso que eu mesma li essa dica em algum site sem noção por aí e o pior: também segui a tal dica. Mas novos autores, por favor, ouçam a voz da experiência: não façam isso.
Eu sei que você dirá: mas todos os grandes começaram assim! E aí você citará J.K. Rowling, George R. R. Martin, Stephenie Meyer. Pois bem, mas pense comigo: todos esses autores são estrangeiros. O mercado nacional é totalmente diferente. Você não deve se basear no que dá certo lá fora, deve focar no que dá certo aqui. E autor iniciante começar com séries é a maior furada.
Enumerarei algumas razões para você não iniciar sua carreira com uma série:
1 – Muitas vezes você consegue uma editora para o primeiro livro da série, mas não consegue que a mesma publique o segundo, porque geralmente o primeiro livro de um autor não vende bem mesmo, e aí os leitores ficarão sem uma continuação.
2 – Se você publicou por uma editora sob demanda, a coisa se complica. Porque arranjar dinheiro para publicar UM livro a gente até arranja, mas 3, 7, 10?! Nem pensar.
3 – Você vai ficar “preso” a essa série por anos, e acredite, você vai enjoar dela. Chegará um dia em que não aguentará mais falar dela, escrevê-la, promovê-la e aí você vai querer escrever outras coisas, mas “deve” aos leitores um final para a história.
Um dia desses, tive um problemão com uma autora que disse que não ia mais batalhar em cima do primeiro livro da série, apenas do segundo. Hello?! Como assim? Se você escreve uma série, SEMPRE terá que trabalhar o primeiro da série, pois ele é o carro chefe da história, é ele quem deverá “atrair” os leitores, conquistá-los, fidelizá-los. E essa é uma problemática grande, porque geralmente, após alguns anos, você achará aquele livro “cru”e não quererá mais trabalhar com ele. Acredite, este que hoje é sua “obra-prima”, amanhã, terá sido apenas um degrau na dura e longa escada do aprendizado.
Sem falar que é ruim, porque você fica um pouco “limitado”enquanto aquela série durar, pois você dificilmente conseguirá escrever e/ou publicar outras coisas nesse meio tempo e se tornará aquele autor que está no mercado há anos, mas “só” escreveu AQUELE livro. Aconteceu comigo também o seguinte: alguns amigos, que não gostavam da temática da minha série, mas queriam me prestigiar, perguntavam-me se eu não tinha outro livro, com outro tema e quando eu respondia que não, eles perguntavam: “Mas não é o seu terceiro livro?” Muito sem jeito, eu tinha que responder que sim, mas que o segundo e o terceiro eram apenas uma continuação do primeiro. Isso é complicado, porque você não consegue conquistar novos leitores para seus novos livros, só comprará o terceiro livro, quem já comprou o primeiro e o segundo. Ou seja, cai naquele novo dilema: você ficará anos trabalhando em cima do primeiro livro e o pior, muitas vezes, sem grandes resultados. Apenas para exemplificar: meu primeiro livro vendeu x exemplares, o segundo, x/2 e o terceiro, x/3. E por que? Porque, ao contrário do que se pensa, é difícil “fidelizar”o leitor. Eu mesma, já abandonei diversas séries, às vezes no primeiro, às vezes no segundo livro. E não venha me dizer que com seu livro isso não acontecerá. Sejamos humildes e realistas. Isso acontece com todos, de Tolkien a Vianco, não acredite que você será a exceção, afinal, todo leitor tem o direito de abandonar uma série, seja porque não gostou, seja porque ela se tornou muito extensa, seja porque demorou muito, enfim, por n motivos.
Eis algumas séries que, apesar do estrondoso sucesso, eu, enquanto leitora, simplesmente abandonei:

Agora, para elucidar o que estou falando, quero citar um caso de autor iniciante nacional bem-sucedido, que seguindo na contramão da moda das séries, obteve êxito onde muitos, que insistiram em séries, falharam. Estou falando da queria Samanta Holtz. 

Acredite, se não a conhece, vai conhecer, pois a garota é sucesso certo. Para quem não sabe, como dezenas de autores iniciantes, Samanta começou a publicar pela Editora Novo Século, pelo selo Novos Talentos, aquele pelo qual se paga uma fortuna para publicar. Entretanto, ao contrário de 90% de seus colegas, Samanta iniciou sua carreira com um livro único, não componente de uma série. E o livro foi um sucesso. Tanto, que ela passou para o selo oficial da editora, aquele onde não se paga para publicar e onde o autor tem toda a notoriedade e apoio, ou seja, otime A da Novo Século, o que não é pouca coisa, visto essa ser uma editora grande e o sonho de 10 entre 10 autores iniciantes. Recentemente, ela publicou seu novo livro por esse selo oficial e seu primeiro livro ganhou nova edição, nova capa, novo status. E o que aconteceu com os colegas de Samanta que também publicaram pelo selo novos talentos, os primeiros livros de suas séries? A esmagadora maioria – para não dizer todos – amarga o fato de não ter conseguido passar para o título oficial da editora e de não ter dinheiro para bancar o segundo, o terceiro, o sétimo, o décimo livro de sua série.  Temos, portanto, diversos autores e leitores “’órfãos”, sem a continuação de suas obras publicadas.
Como eu lhes disse, isso de série, no Brasil, para autores iniciantes, raramente funciona. Um conselho: primeiro “construa”um nome no meio literário, conquiste fãs fiéis, leitores vorazes e aí sim invista em séries. Ou alguém duvida que se hoje, Samanta Holtz iniciar uma série, ela não será “devorada”e acompanhada integralmente por seus ardorosos fãs?   

Para mais postagens, acesse: elainevelasco.blogspot.com.br

junho 26

Construção de personagem

    Já faz um certo tempo que não escrevo nada aqui no blog, e nesse meio tempo, muita coisa aconteceu. Agora, além de escritora, sou também revisora e editora na Editora Literata.  Também ajudo a selecionar os livros que serão publicados. Com esses encargos, tenho aprendido ainda mais sobre “A Arte de Escrever” e quero dividir isso com vocês, leitores do blog. Quero, primeiramente, abordar o tema “Construção de Personagens”, algo vital para qualquer obra.
    Você, aspirante a escritor, deve, antes de tudo, ter em mente o público alvo que deseja atingir, pois isso irá determinar como seu personagem deverá ser construído. Exemplificando: Se você pretende escrever algo na linha de “O Senhor dos anéis”, ou “Guerra dos tronos”, ou seja, se pretende escrever para o leitor que aprecia esse tipo de Literatura, você deve se preocupar bastante com a construção de seu personagem, bem como com o cenário em torno dele. Apreciadores desse tipo de literatura, gostam de descrições detalhadas, de personagens com personalidades profundas, fortes e marcantes. Portanto, se esse é o seu objetivo, prepare-se: seu público é mais exigente e seu trabalho deverá ser mais cuidadoso.
    Já se você pretende escrever histórias mais “sentimentalizadas”, ou seja, onde o que realmente importa é o sentimento, tais como: “As vantagens de ser invisível”, “A culpa é das estrelas”, “Crepúsculo” e afins, a descrição física do personagem deverá ser superficial, dando margem à livre imaginação do leitor, já que este tipo de livro requer uma empatia, uma identificação do leitor com o personagem, de forma que, quanto mais abrangente e “vagas” forem suas características, melhor, assim, possibilitará que uma maior gama de pessoas se identifiquem com ele. Esse tipo de personagem, deverá ser o mais “comum” possível, dando a impressão de que você poderá cruzar com ele a qualquer momento na rua.
     O que deve-se tomar cuidado, em ambos os casos, é em não se contradizer. Se o personagem possui determinadas características, não se deve atribuir outras, contrárias àquelas, “do nada”. Exemplo: um dia desses, li um livro onde, no primeiro capítulo, a personagem dizia que preferia andar de ônibus, que odiava andar de carro. Apenas alguns capítulos depois, ela assumia o volante de seu carro, feliz, dizendo que adorava dirigir. Há aí, um contrassenso: ou ela gosta de carros, ou não gosta. A não ser que algo a tivesse feito mudar de ideia nesse interim, o que não é o caso. A autora disse que sua personagem era “meio bipolar”. Gente, pelo amor de Deus, isso não é explicação. Bipolaridade é uma doença psiquiátrica séria, com características específicas e não deve ser tratada assim, levianamente, para explicar um erro de enredo. Você pode sim construir um personagem bipolar, mas isso então deverá ficar claro e a doença deve ser algo a ser tratado de forma importante na história. A personagem em questão, era mal construída, e ponto.
    Tome cuidado também para não criar personagens pedantes, a não ser que se trate do vilão, apesar de hoje em dia, até mesmo o vilão tender a ser cativante. Li um livro um dia desses, onde a personagem principal só sabia chorar, que saco! A leitura se torna maçante e enfadonha e levará o leitor a nunca mais querer ler algo seu.
   Tenha cuidado também com estereótipos. Vi muitos homens, por exemplo, ao construírem uma personagem feminina, pecarem pelo excesso, criando uma mulher chorona, frágil e histérica, como se todas as mulheres fossem assim. Outros, criam personagens femininas à luz do que eles são: duronas, insensíveis, frias e calculistas. Nem tanto o céu, nem tanto o inferno. Mulheres são mais sentimentais e intuitivas que os homens, mas isso não quer dizer que elas não tenham autocontrole e que se desesperem diante de qualquer dificuldade. Há de se saber dosar.
    O escritor, ou aquele que pretende sê-lo, deve ser, antes de tudo, um bom observador da natureza humana. Deve perceber as sutilezas de cada caráter, as características que motivariam um vilão, o que gera empatia ou não nas pessoas e conseguir colocar isso tudo no papel.
     O que me desgosta, é que hoje em dia, todo mundo pensa que pode ser escritor. Que basta ter uma ideia – que muitas vezes nem chega a ser boa – e colocá-la de qualquer jeito no papel, sem se preocupar se as frases estão coerentes, se os personagens estão bem construídos, se a história está bem “amarrada”. Pensam que o revisor irá corrigir tudo isso. Ele não vai. Como o próprio nome já diz, cabe ao revisor, revisar, ou seja, corrigir os erros gramaticais e só. Ele não deve reescrever a história, tentar salvar algo que não tem salvação.
      Conselho de amiga: antes de enviar seu livro para uma editora, peça a um consultor literário (sério) para que avalie seu livro. Ele lhe dará uma opinião sincera sobre seu manuscrito, sobre o que deve ser melhorado, o que deve ser suprimido, o que deve ser ressaltado. Não confie na opinião de familiares e amigos que simplesmente dirão que seu trabalho é lindo, lembre-se que os leitores não terão estima alguma por você, muito menos a obrigação de gostar de um livro ruim. 
Para ver mais postagens minhas, acesse: elainevelasco.blogspot.com.br
dezembro 11

Os Autores e Raposa

Olá Amigos do Blog!
Ultimamente tenho recebido diversos e-mails sobre indicação da melhor editora para publicar um livro.
Inicialmente, saibam que a melhora editora é aquela que tem melhor distribuição, não cobra pelo serviço e paga regularmente seus royalties conforme contrato. Além disso, tem uma assessoria de imprensa que divulga nacionalmente/ internacionalmente seus autores – e preocupam-se com eles -, bem como se prezam “rigorosamente” com a qualidade editorial do livro que estão colocando no mercado – e quando eu digo qualidade, me refiro a capa, escolha do papel, diagramação, REVISÃO, lombada, etc. -, e lhe asseguro que você irá encontrar seu livro nas principais livrarias.
Esse tipo de editora é o sonho de consumo de todo autor. No Brasil elas existem, porém são poucas e a fila de espera para a avaliação do original é gigantesca, mas vale a pena esperar, mesmo que recebam uma recusa.
Porém cuidado…
Lembrem-se de que moramos no Brasil e existem muitos “devoradores de almas”, que tentam transformar o sonho do autor de publicar um livro em um negócio na qual apenas o editor/ editora irá sair ganhando. Atuam como raposas e como “bons políticos” na época das eleições, elogiam seu livro da primeira a última página, pensando apenas na publicação do mesmo, “porém”, sem se preocupar com o autor.  O que interessa é o pagamento e cobranças “$$$”. Colocam no mercado um livro “mau” – mau com u mesmo, de mau revisado – , um livro mau distribuído – novamente mau com u, pois a editora vive do seu pagamento para a diagramação, revisão, impressão, arte de capa, ficha catalográfica, registro FBN, ISBN, enfim, exploram financeiramente a anatomia do processo de publicação –  e não se interessa em divulga-lo ou investir na divulgação da imagem do autor. Criam taxas e impostos mais absurdos possíveis – conheço casos de que a nota fiscal foi cobrada do autor, mesmo após ele ter comprado uma quantidade absurda de livros e não recebeu a nota…
Eu sempre digo para meus alunos. Escrever um livro é como parir um filho. Todos querem que o elogiem e acima de tudo, que o livro faça sucesso. Mas quem é pai, sabe que criar um filho leva tempo, paciência e você não deixa seu filho ir na casa de qualquer estranho. Com o livro a lógica é a mesma.
Como dizia meu falecido avô: “Quando a esmola é muita, até Santo desconfia”, e isso é uma verdade.
Mas cuidado! Principalmente aos novos autores que se desesperam em por publicar.
Terminou seu livro? Não tenha pressa.
Até JK Rowling, Stephen King e outros inúmeros autores que hoje são best sellers, foram recusados por editoras.  Estudem, leiam, aprimorem-se. Participem de eventos e oficinas literárias.  Releiam seus livros e o compare com o seu autor favorito. Consulte um Beta-Reader/ Leitor Frio, para ter a opinião sincera de seu trabalho. E enquanto seu livro estiver sendo avaliado, não tenha pressa. Escreva outro, até que quando você menos esperar um livro seu será aceito por uma boa editora.
Um forte abraço a todos!

PS: Caso alguém conheça algum exemplo acima, peço encarecidamente que NÃO o citem nos comentários. Não tenho o menor interesse em macular a santa imagem de nenhuma editora, mas sim alertar aos autores novatos e sedentos pela publicação, para tomarem cuidado com as raposas, pois afinal estamos no final de ano e muito 13º Salário tem aroma de uva para alguns devoradores de sonhos.