Autor: Hermes Lourenço (Página 1 de 30)

La Casa de Papel

Olá amigos do site A Arte de Escrever!

Hoje vamos falar um pouco sobre uma série exibida na Netflix, La Casa de Papel, que trata-se de uma série espanhola, criada por Alex Pina, inicialmente para a TV espanhola e posteriormente adquirida pela Netflix. Ela chamou minha atenção por três fatores iniciais.

O primeiro fator a ser considerado é o roteiro bem elaborado, carregado de cliffhangers – técnica de roteiro que coloca o personagem digamos que na beira do precipício, explorando seus limites e nos deixando curiosos sobre como será o desfecho –, além do domínio da empatia e simpatia nos protagonistas e antagonistas.

O segundo fator, que já não considero surpreendente é por ser uma série espanhola o que vem a reforçar a quebra do paradigma (para não dizer monopólio) das séries americanas.

O terceiro fator é capacidade do roteirista em interagir diversos personagens, é isso não é uma tarefa fácil. Um exemplo que considero a perfeição da escrita de roteiro é o clássico Star Wars – obra esta citada por diversos livros de roteiro –, e considero que a série La Casa de Papel, conseguiu dominar com maestria os conflitos internos que envolvia todos os personagens.

Bem a trama começa quando “El professor” recruta alguns criminosos para executar um plano meticulosamente planejado. Assaltar a casa da moeda espanhola, sequestrar reféns e ficar alguns dias fabricando Euros – algo em torno de 1 bilhão de Euros –, ou seja, o roubo do século –  para não dizer do milênio.

Os criminosos mantem contato o tempo todo com o professor que estipula o caminho que o roubo e sequestro deverá seguir na tentativa de alcançar o êxito. O grupo de criminosos, adotam o nomes de cidades pelo mundo e atenção especial para esse nome: Berlin, onde vocês irão compreender grande parte de onde a trama se originou. É claro que temos outros destaques, como Oslo, Estocolmo, etc… Outro grande ponto positivo para La Casa de Papel, vai pela interação dos conflitos internos e externos dos reféns com os criminosos e mais uma vez, ponto para o roteirista.

A série é dividida em duas temporadas, onde a trama parecia ter sido finalizada e confesso que hoje fui pego de surpresa com o anúncio da terceira temporada prevista para 2019.

Vale a pena conferir para quem gosta da união de suspense, policial e drama.

resenha: Origem – Autor Dan Brown

Olá amigos do site a arte de escrever. Após um período de ausência, venho trazer a vocês a resenha do novo livro do renomado autor Dan Brown

Título: Origem

Autor: Dan Brown

SBN-13: 9788580417661
ISBN-10: 858041766X
Ano: 2017 / Páginas: 432
Idioma: português 

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Entrevista Hermes Lourenço parte II

Confiram a continuação da entrevista no canal Juca Bugado.

Entrevista

Entrevista do escritor Hermes Lourenço ao canal Juca Bugado do youtuber Ledi Moreira.

Supernatural

 

Olá amigos do site a arte de escrever.

Há algum tempo venho me preparando para escrever a resenha da série Supernatural.

Confesso que considero supernatural uma das melhores séries de fantasia sombria já exibida.

Então façam um círculo de sal, desenhem um pentagrama no chão – armadilha para demônios –, e deixe próximo uma barra de ferro que iremos começar.

Supernatural conta a história dos irmãos Sam e Deam Winchester, interpretado respectivamente por Jared Padalecki e Jensen Ackles e já começa retratando um fato que marcou a infância dos irmãos Winchester, carregada de mistérios; a morte enigmática da mãe de Sam e Deam causada por forças obscuras – um demônio de olhos amarelos. Sam até então era um pacto estudante de direito, quando recebe a visita do irmão Deam pedindo ajuda para ele encontrar o pai que havia desaparecido. A única pista, um diário deixado pelo pai com todas as dicas para “matar” fantasmas, vampiros e uma infinidade de seres que perambulam entre nós na qual desconhecemos.

Bem, o segredo de uma história de sucesso é criar uma conexão entre o leitor (telespectador) e o personagem e isso acontece já no início da série, pois o John Winchester (pai de Sam e Deam), praticamente deixa os filhos crescerem meio que abandonados enquanto caça seres sobrenaturais e em especial o demônio de olhos amarelos que matou a esposa.

Entre as idas e vindas do pai, o irmão mais velho Deam, torna-se um arquétipo de pai adotivo para Sam, e com o passar dos episódios isso fica bem evidente. O maior elo da série e a união dos irmãos a ponto de sacrificarem a própria vida em prol do outro – e isso acontece algumas vezes enquanto dirigem um chevy impala preto 1967, enquanto caçam fantasmas, vampiros, metaforfos, demônios e anjos, fadas, lobisomens, leviatãs e por aí vai – acreditem, existem anjos corrompidos. O fato é que nesse caminho muitas surpresas ocorrem e os heróis são colocados a prova a todo momento desde intrigas externas e pessoais.

Não vou me ater em  fazer os resumos de cada temporada, pois vocês encontram pesquisando na internet.

Bem, não quero dar spoilers. Atualmente estou na 11 temporada (via netflix), a 12ª temporada deve entrar em breve no ar, pois já estão filmando a 13ª temporada. O que posso garantir é o que roteiros foram meticulosamente elaborados e determinados episódios são de tirar o fôlego.

Uma série mais do que recomendada para os admiradores do gênero.

No meio do caminho havia uma flor

 

No meio do caminho havia uma flor

 

O ponteiro do relógio parecia que havia parado marcando quatro horas da manhã.

O tempo parecia não passar, era lento como uma infindável fila do caixa do supermercado ou dos bancos no dia pagamento; só que minha paciência era maior.

Não era a primeira vez que Letícia voltava tarde do plantão. Teoricamente o plantão que devia terminar as 19h, que somado as horas extras terminaria por volta de 23horas; mas 4 horas da manhã?

Não sei explicar o que acontece com meus pensamentos.

 Sim, as vezes nosso cérebro nos prega peças, como no meu caso em imaginar a própria esposa embaixo dos lençóis com um algum médico bem-dotado — financeiramente falando —; ideias parasitas que de forma pulsátil corroíam minha alma, aceleravam meu corpo, em especial meu coração e minha respiração, deixando meus sentidos alertas, como um lobo selvagem que se aproxima em silêncio da presa.

O fato era que meu casamento não andava bem. O peso das cobranças se acumulavam em minhas costas, tornando-me na imagem de Quasímodo.

Estava sentado no sofá da sala, olhando para o chuvisco da televisão que automaticamente havia silenciado, com a emissora que saia do ar.

Como seria ele? Rico, mais forte do que eu?

Não me considero um fracassado, apesar de defender criminosos e coloca-los na rua. Não sei explicar esses sentimentos. Talvez uma afinidade, pois todos nós temos nosso momento de fúria.

A história de minha vida se resume em dor, perdas de meus pais em minha infância e o acidente de meu tio quando eu tinha nove anos, que me deixou preso no carro com ele morto ao meu lado, com um pedaço de ferro atravessado no tórax, até que corpo de bombeiros chegasse e liberasse minhas pernas, me resgatando do carro e a seguir o corpo de meu tio.

A segunda parte de minha vida, chama-se orfanato. Ela era dividida em momentos de bullying, exploração e abuso.

Já a terceira parte, foi quando conheci Letícia e junto com ela a chance de ter um “lar” para morar. Nunca quis ter filhos. Odeio crianças.

No início do casamento até que foi bom, apesar de nunca conseguir dizer um Eu te amo verdadeiro. O amor que sinto por ela e pelo mundo são como peças de polímero, frias em uma exposição de arte moderna.

Foi então que ouvi a porta se destravar.

A sala estava escura. Estava sentado na poltrona e desliguei a TV, deixando um breu total.

Vi que a luz automática do corredor de meu apartamento se acendeu. Letícia abriu a porta, carregando os sapatos e sorrateira passou pela sala e foi para o quarto de hospedes.

Eu era um vulto. Estava vestido de preto e mesmo que ela quisesse ela não me enxergaria.

Aprendi que todos que todos os criminosos, cedo ou tarde cometem um deslize, e talvez o maior erro de Letícia, foi ir para o banho no quarto de hospedes e deixar a bolsa sobre a cômoda do quarto.

Vasculhei a bolsa e lá estava em meio a diversas mensagens, uma especial do neurocirurgião…

“Amanhã, depois do plantão, te quero outra vez, minha fina flor.
Com amor, Fernando.”

As palavras diziam por si só.

Escondi por trás da porta e quando ela saiu do banho, com uma velocidade que minhas aulas de Muai tai me proporcionavam, a joguei contra a banheira, fazendo-a quebrar o pescoço. Uma morte rápida, que ela não teve tempo para entender.

Havia conquistado minha liberdade. Faltava apenas Fernando, o neurocirurgião.

Fui até a sala e chamei uma ambulância, sem antes deixar o vidro de shampoo derramar sobre o piso de granito.

Ao chegarem, ela estava sem vida e uma médica apiedou-se deste pobre homem que acabara de ficar viúvo, por uma fatalidade do destino. A polícia me interrogou, mas foi fácil despistá-los, ainda mais quando se conhece a lei.

O fato que no dia seguinte no velório de Letícia, lá estava ele. O neurocirurgião Fernando, que se aproximou com a cara mais vil. Mal sabia ele, que enquanto ele estava no velório o carro estava sendo sabotado. As vezes colocar criminosos na rua, faz com que esses bandidos fiquem lhe devendo favores.

Ele se aproximou com a cara mais deslavada.

— Luciano, sinto por sua perda. — Me disse colocando as mãos em meus ombros. — Sou colega de sua falecida esposa e trabalhávamos juntos. Ela era uma grande amiga.

— Compreendo — respondi me segurando para não quebrar os dentes do filho da puta, e derrubá-lo sobre o caixão de minha ex-mulher. Mal sabia que ele tinha os minutos de vida contados.

— Luciano, sua esposa era uma pessoa fantástica. Ela estava me ajudando em um romance com uma médica e amanhã ela iria mandar um buque de rosas para Aline. Deixei até o cartão que ela colocaria no arranjo. Só que ontem, chegou um baleado e ficamos até tarde na cirurgia. Ela falou tempo todo de você. Disse que lhe amava e quando chega tarde ela prefere dormir em outro quarto pois sabe que você tem uma vida corrida. Agora, olhando para ela, realmente fico a pensar sobre o quanto somos pequenos diante do mundo e que a morte pode nos visitar quando menos esperamos.

Bem, naquele momento não havia mais o que dizer. Fiquei por um tempo, pensativo. Há determinadas atitudes que quando tomamos não tem mais volta.

Fiquei atormentado por pensamentos que me corroíam. Sabia que a solidão e a angústia se tornariam minha melhor companheira, pela eternidade.

Horas depois, sepultando a terceira e melhor parte de minha vida, recebi a notícia do acidente de carro fatal do neurocirurgião. Havia me esquecido que o carro havia sido sabotado…

Bem, depois disso, hoje já não sei mais nem mesmo quem sou eu.

 

Hermes Marcondes Lourenço

 

A Estrada Maldita

Era uma noite calma e fria. Tão calma como uma igreja vazia e fria como um iceberg no meio do oceano, onde o silencio era uma mistura destes dois lugares.

Voltava para a cidade de Belo Horizonte. Compromissos inadiáveis me aguardavam em minha empresa pela manhã. Gostava de viajar de madrugada, ainda mais quando tinha que passar por uma estrada de terra de uma cidadezinha do interior de Minas Gerais – uma forma perspicaz de evitar de comer a poeira deixada por outros carros durante o dia.

A estrada era iluminada pelos faróis de meu carro e pelo pisca-alerta que havia acionado, pelo menos até onde eles podiam alcançar. O restante a lua gorda e soberba se encarregava de clarear.

Havia estacionado o carro próximo a um pequeno barranco, devido a uma devastadora vontade de urinar. Infelizmente o frio faz isso com as pessoas, é claro que não posso omitir o chá de hortelã que minha avó Justina me fez tomar.

Vovó odiava que eu viajasse de madrugada.  Vinha sempre com a velha história — mais velha do que ela — de fantasmas, almas penadas, corpo seco, além é claro do perigo de assalto.

É lógico que não acreditava nas histórias da minha avó e duvidava de que algum criminoso se aventurasse a realizar um assalto na madrugada em uma estrada deserta.

Bem, o fato era que eu havia achado o lugar ideal para urinar. Seria o “mijo” perfeito, se não fosse por alguma pane elétrica que fez com que as luzes de meu carro ficassem piscando como se estivessem em curto circuito, antes sequer de eu colocar para fora da calça meu objeto de poder e encontrar o alívio que almejava.

Antes que eu voltasse para o carro, as luzes do meu veículo se apagaram por completo e o frio pareceu se intensificar.

O manto perene da lua — após minhas pupilas se adaptarem — traziam a imagem da estrada e seus arredores.

Caminhei em direção a meu carro. Sabia que não portava nenhuma lanterna comigo. Minha salvação seria meu celular, mas ao retirá-lo do bolso, percebi que ele simplesmente havia parado de funcionar.

Foi então que ouvi uma voz. Confesso que meu coração acelerou, pois jamais imaginava encontrar uma alma viva no meio da madrugada.

“Ei moço! Voismicê me discurpa, mas o sinhô ta atrapaiando o cortejo.”

Ao olhar para traz, havia um senhor de aproximadamente uns cinquenta anos. Vestia um terno preto destes antigos com um chapéu da mesma cor. Usava um cavanhaque bem aparado, num rosto enrugado.

Bem, tive a certeza de que não era um criminoso, caso contrário já teria me atacado. Um boia fria talvez… Mas bem vestido? Um cortejo de madrugada? Não fazia sentido…

“Me perdoe, mas um cortejo neste horário? Foi isso mesmo que o senhor me disse?”

“Sim sinhô. É só o cê oiá no finar da istrada”.

De fato, ele tinha razão. Quando olhei para o horizonte, diversas pessoas caminhavam a curtos passos em nossa direção. Algumas a cavalo, enquanto outras pessoas carregando velas acesas, acompanhavam o defunto .

O que me chamou a atenção era que ao invés do caixão, o cadáver estava numa rede que fora colocada em um longo pedaço de madeira, sendo carregado em suas extremidades por dois homens fortes, que também se vestiam de preto e usavam chapéu.

Jamais imaginava que as pessoas eram sepultadas em pleno século XXI dessa forma.

Em respeito fui para a beira da estrada acompanhado do estranho homem.

“Quem é o falecido?” Perguntei curioso. As vezes podia ser algum conhecido de minha avó.

“Num é falecido não”. Falou o estranho. “ É falecida, i vai pru inferno”.

“Ela devia ser muito ruim…”  Disse enquanto olhava a rede com o defunto que se aproximava.

“Ela feiz pacto cum o tinhoso para que o netinho dela tivessi muito dinheiro, num demoro pra ele vim cobra o acordo.” Falou o séquito homem.

“Se ela era tão ruim assim, por que esse tanto de gente no cortejo?”  Perguntei, enquanto as primeiras pessoas passavam devagar em minha frente.

“É que nóis qué fica livre dela dipressa e tê certeza de que ela foi interrada. O Cê que vê ela? Acho que voismecê deve conhece.”

Era uma oferta assustadora no meio da madrugada. Fui tomado por uma terrível onda de curiosidade.

Acompanhado do estranho senhor, aproximei-me da rede que conduzia o cadáver.

O cortejo parou. Aproximei-me do defunto.

Ao afastar o tecido da rede, minhas pernas perderam a força e minhas mãos ficaram frias e trêmulas enquanto meu coração parecia que iria sair pela boca. Queria gritar mas minha voz não saia. Parecia que havia engolido uma pedra que ficara entalada em meu estômago, enquanto a urina quente escorria perna abaixo.

Na rede estava o cadáver de minha querida avó.

Quando olhei para o estranho, seu rosto transformou-se na imagem de uma caveira — dessas parecidas com as dos piratas — e em um instante, todos desapareceram ao mesmo tempo que as luzes de meu carro se acenderam e o celular de meu bolso começou a vibrar.

Guardei o ocorrido em segredo. Tive medo de contar para alguém o que havia acontecido. Talvez pudessem achar que tivesse ficado louco, mas os fatos me perturbavam, até que seis dias depois, vítima da explosão de um botijão de gás, minha querida avó veio a falecer.

Hermes Marcondes Lourenço / Todos os direitos reservados@

População 436

População 436

 

Olá amigos do site A Arte de Escrever!

Não podia deixar de registrar minha impressão sobre este filme que assisti no Netflix.

Bem, para quem gosta de escrever, posso assegurar que o final é surpreendente e cheio de reviravoltas; então vamos a história.

Em uma pequena cidade dos EUA, chamada Rockwell Falls, um agente do censo (semelhante ao nosso IBGE), Steve Kady interpretado por Jeremy Sisto, vai até a cidade para investigar sobre a razão pela qual a pequena cidade, há décadas vêm mantendo a população com o número exato de 436 habitantes. Uma questão pertinente, de um número que não oscila no decorrer dos anos.

 Algo está errado nesta história e para descobrir esse problema, nada melhor do que uma investigação a pedido do censo americano.

Dizem que num bom roteiro, os primeiros 5 minutos de projeção tem que prender o leitor e acredito que neste filme, menos de dois minutos foram suficientes, pois o filme começa num ritmo contagiante, com um cidadão tentando fugir de Rockwell Falls, em meio à uma perseguição frenética pela polícia, ao mesmo tempo em que uma cidadã, entra em trabalho de parto. O que acontece? Óbvio (mas não subestime o filme). O “fugitivo” sofre um acidente e morre no exato momento em que a criança nasce, mantendo o equilíbrio de 436 habitantes.

Uma mistura moderada de religiosidade, associado a um médico doido adepto da lobotomia (confesso que essa parte me chamou a atenção pois é a segunda vez que vejo essa concepção instigante de “alguns roteiristas” onde a verdadeira e feliz família americana é lobotomizada). Sim, isso me chamou a atenção.

Em todo filme ou livro, gosto de dar uma atenção especial ao início e o final. Sabemos que temos finais positivos, negativos e neutros. Nessa história,  vou deixar para que você descubra qual deles se encaixa na trama — deixem nos comentários abaixo, que terei imensa satisfação em respondê-los.

Espero que vocês se surpreendam com a história. Vale a pena conferir.

Forte abraço!

Quarto 33

Quarto 33

Desde pequeno me esforcei para ser um astronauta e ir trabalhar na NASA. Era motivo de riso de meus colegas, que sempre diziam que eu era louco e Nerd.
Eles estavam certos. Sonhos se desfazem no meio do caminho e as vezes tento medir o que nos resta quando nossas maiores aspirações são desfeitas. Medo, insegurança. Talvez… Eu prefiro denominar esse sentimento de frustração.
Hoje faço 35 anos e é meu aniversário. Não é um dia de comemoração ou de festividades, não para alguém que teve seu maior sonho destruído. Olho ao redor, e vejo apenas pedaços desfeitos de meu maior desejo. Restaram foguetes que nunca alçaram voos e projetos meticulosos que ficaram apenas no papel. Ah! Se a Nasa os visse! Tenho certeza que já teríamos pisado em Marte ou quem sabe descoberto o verdadeiro segredo que se esconde por traz dos “buracos de minhoca”. Não posso reclamar, por outro lado fui recompensado com meus amigos verdadeiros que se fazem presentes. No meu caso, Cintia e Marcelo.
Sim, eles são as únicas pessoas que não deixaram que meu aniversário caísse no esquecimento, e estão aqui, arrumando os doces e pregando os balões no teto e preparando a mesa com meu bolo em formato de foguete.
Cintia é uma bela amiga. Já tive um caso com ela. — Mas isso fica entre nós —, e Marcelo eu tenho quase certeza de que ele é gay. Não que eu seja preconceituoso. Pelo contrário. Respeito cada um em sua individualidade. Mas eles são meus amigos e amigos de verdade nunca te abandonam e a amizade sempre perdura, desde a infância.
Desfiz o namoro com a Cintia por que percebemos que em nossa relação, parecia que ela tinha amor de mãe, mas o grande problema é quando o relacionamento se torna intenso, e as mulheres gostam de dar palpite. Sempre acreditei que no relacionamento perfeito os limites individuais são respeitados, que em outras palavras “cada um no seu quadrado”, e por isso optei em permanecer apenas com meus projetos. Imagine só, Cintia querendo dar palpite nos projetos de meus foguetes. Por isso optamos em manter a amizade.
Marcelo é graduado em engenharia aeroespacial. Quando ele entrou na faculdade,  sempre me dizia que eu devia estar em seu lugar. Nisso ele tinha razão. Sei que ele ainda permanece meu amigo devido a termos crescidos juntos, mas na verdade houve uma época que achava que ele roubava meus projetos — e ainda acho.
Ele é uma boa pessoa. Seria meu lado bem-sucedido. Trabalha na NASA e conseguiu chegar onde eu nunca cheguei. Não tenho inveja dele não. Pelo contrário, as vezes acho que ele não seja tão bom no que faz, porque se fosse, não ficaria interessado nos meus projetos.
Mas ele é uma pessoa bacana.
Eles são o que restou de minha família.
Meus pais morreram cedo, quando eu ainda era criança e essa é a maior razão de meu fracasso nesta vida, pois quando temos pais que nos apoiam, até o universo é pequeno.
Como disse hoje completo 35 anos. Sim, 35 anos longe das estrelas… Apenas olhar para elas e ver a lua foi o mais próximo que estive do espaço.
Meus convidados chegaram, todos vestidos a rigor.
Me deram uma bebida, balas e de repente, o mundo tornou-se uma espaçonave.
Sim, eu conseguia voar, e tocar a estrelas. Eu tinha a minha própria espaçonave.
Vi os anéis de saturno, o sol que em sua mestria iluminava nosso sistema.
Até que por fim não acreditava. O “buraco de minhoca”. Lá estava ele, bem diante de meus olhos e sem hesitar, saltei para dentro dele.

— Dr. Luiz Otávio, o que ele têm?
— Esquizofrenia e depressão psicótica. Ele têm alucinações com a mãe Cintia que se suicidou após manter relação afetiva com ele. O pior é que ele considera o pai, como se fosse um amigo gay e não o reconhece. A eletroconvulsivoterapia é uma tentativa de trazê-lo a realidade.
— Professor, ele já recebeu duas descargas elétricas na cabeça. Isso não é perigoso?
O velho docente riu. — Não. Hoje os pacientes são sedados antes do procedimento. Por isso temos o anestesista presente. Essa prática já uma rotina e segura. Não tem nada a ver com cadeiras elétricas dos sentenciados a morte. Espere… Meu Deus! — Gritou o professor de psiquiatria enquanto o paciente se contorcia em múltiplos espasmos e um filete de sangue espesso escorria pelas orelhas e manchava o lençol branco, junto ao cheiro de queimado.
Levantou os cabelos longos do pobre moribundo inconsciente enquanto o anestesista lutava pela vida em uma reanimação malsucedida.
Foi então que o monitor cardíaco se tornou uma linha reta, anunciando o final da viagem para o paciente do quarto 33, enquanto o docente lembrou-se com tristeza e pesar que o pobre homem usava aparelho auditivo por uma deficiência congênita na qual a equipe havia se esquecido de retirar, ficando camuflada pelos longos cabelos e barba descuidada de alguém que um dia sonhou em conhecer o universo.

Hermes Marcondes Lourenço

Fevereiro de 2017

O Atirador

Olá amigos do si te a arte de escrever.

Na última semana, o site foi alvo de um Hacker, e a postagem da série O Atirador foi retirada do ar e colocado no lugar uma mensagem deixada pelo invasor.

A segurança do site foi atualizada e novos recursos foram instalados, porém, nada é perfeito, então caso vocês se deparem com fato semelhante desconsiderem. 

De qualquer forma, consegui recuperar a postagem da série e a coloco novamente no ar…

Hoje trago a resenha de uma série que está no Netflix, chamada O Atirador – Shooter.

Bem, na verdade em meio a um oceano de séries, eu confesso que não tinha dado muita atenção a ela, se não fosse por recomendação de um colega de trabalho. “Hermes, assista a série o atirador. Você vai adorar!”. Foram exatamente estas palavras que me fizeram interromper minha jornada em meio ao Supernatural – temporada 6 -, e iniciar a primeira temporada da série “O Atirador”.

A boa notícia é que está no ar a primeira temporada, com seus 10 episódios (até a presente data desta resenha, e parou por aí, é claro que com espaço para continuação a critério do roteirista).
Bem, haja folego. Na verdade, quando li a sinopse da série, não criei muitas expectativas, pois em minha concepção como pode se mesclar ação com um protagonista atirador de elite, que teoricamente procura o melhor lugar e fica ali parado, escolhendo os alvos. Doce engano.

Considero uma excelente série de suspense e ação.

Tudo começa quando nosso protagonista Bob Lee Swagger, ou Bob Lee, um atirador de elite da marinha americana, vive sua vida pacata e tranquila, quando ele recebe a visita de um velho comandante, que lutou com ele no oriente médio, relatando a existência de uma conspiração contra o presidente dos EUA, onde um suposto atirador irá tentar matar o presidente durante um discurso a céu aberto, e nada melhor do Bob Lee, para poder calcular e tentar localizar o ponto para o tiro perfeito, prevenindo assim um atentado.

Bem, Bob Lee é um gênio, e a serviço da pátria, segue para as análises dos pontos para se abrigar um atirador que conspira contra os EUA.

O que era um plano de proteção, ao decorrer da história descobre-se que houve uma armação, e quem morre é uma importante figura política que estava ao lado do presidente dos EUA, e adivinha quem é culpado por tentar matar o presidente dos EUA?

O próprio Bob Lee.

A frase que me chamou a atenção foi quando a esposa que sabia que não era o marido que havia disparado o tiro. “Se fosse Bob Lee o assassino, o presidente estaria morto. Ele nunca erra.”

 A partir daí a trama pega velocidade e você fica na expectativa para descobrir o final.

Uma história empolgante, porém, após estudar alguns livros de roteiro, onde as tramas se repetem, ou ressuscitam de velhas histórias, acabei lembrando um pouco do filme Comando para Matar, interpretado por Arnold Schwarzenegger, em especial o início e a parte final da história.

Bob Lee é interpretado pelo ator Ryan Phillippe, (o mesmo do filme Eu sei o que vocês fizeram no verão passado).

Vale a pena conferir, apesar da trama conter alguns clichês de roteiro, não deixa de ser empolgante.

Confiram o trailer clicando aqui.

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