dezembro 5

“Pseudo” Academias e o Ego Ostentativo Literário

Ego significa o eu de cada um, é o defensor da personalidade, é um termo muito utilizado na psicanálise e na filosofia. A principal função do ego é procurar harmonizar os desejos e a realidade, e posteriormente, entre esses e as exigências; os valores da sociedade.

O ego é o defensor da personalidade, pois ele impede que os conteúdos inconscientes passem para o campo da consciência, acionando assim os seus mecanismos de defesa. O ego é responsável pela diferenciação que o indivíduo é capaz de realizar, entre seus próprios processos interiores e a realidade que se lhe apresenta. A realidade é realizada pela percepção, pela capacidade de perceber do próprio indivíduo.

Ostentação é o ato ou efeito de ostentar, quer dizer “apresentar” ou “mostrar” num sentido exibicionista, estando ligado ao orgulho, à presunção ou simplesmente à vaidade. É o ato de alguém que exibe as suas riquezas ou as suas próprias qualidades, sublinhando a importância de algo que tem, que fez ou que é.

Fonte: http://www.significados.com.br

 

Olá Amigos do site A Arte de Escrever

Peço desculpas pelo sumiço temporário, mas é devido a essa ausência é que consigo encontrar tempo para ler e escrever, atitudes necessárias a qualquer aspirante a escritor ou aficionados e é claro, a razão pela qual tenho aumentado o time de colunistas do site A Arte de Escrever.

Há alguns meses tenho recebido e-mails, de alguns colegas escritores questionando-me a respeito da epidemia de “Academias literárias” que vem surgindo nesse nosso imenso país, e que muitas vezes, observo que tem ludibriado diversos escritores. Fica aqui um alerta, e “POR FAVOR NÃO ME INTERPRETEM MAL …” Penso que as palavras abaixo, sejam o resultado de escritor em eterno aprendizado que não pode fechar os olhos diante pessoas que se aproveitam da boa-fé de autores/ escritores iniciantes.

Quase que semanalmente recebo convites – vide modelo abaixo -, sendo alguns uma imposição, que faz com que o escritor menos desavisado, sinta-se como a essência e o suprassumo da nata dos escritores.  Lembram-se dos sete pecados capitais? A Vaidade e a Soberba, cuidado…

CONVITE

 Com muito orgulho e alegria informamos que em assembleia ordinária no dia xxx de janeiro de xxxx, após indicação, seu nome foi aprovado por unanimidade por nossa diretoria, para ingressar no quadro de Acadêmicos Correspondentes de nossa instituição, Sua presença na ACADEMIA BLÁ BLÁ BLÁ nos honra e nos enche de alegria na certeza de que estamos formando um belo laço fraterno dentro da arte e da cultura nacional. A posse acontecerá na Cerimônia Magna de Posse a realizar-se no dia 1º DE ABRIL DE 2526 no Hotel TAL TAL TAL.      Os custos referentes à chancela totalizam o valor de R$ ALGUMAS CENTENAS DE REAIS, referentes a confecção de medalha, pelerine e do diploma.Ps.: O pagamento pode ser efetuado de forma integral até o dia TAL TAL TAL, podendo ser parcelado.

Particularmente e dentro de minha área de atuação – me perdoem pelas que deixei de citar – as Academias que conheço e que são nacionalmente/ mundialmente respeitadas são: Academia Brasileira de Letras, Academia Mineira de Medicina, Academia Brasileira de Médicos Escritores e SOBRAMES– Sociedade Brasileira de Médicos escritores. Essas academias/ sociedades, são detentoras de registro, CNPJ e toda documentação necessária e isso inclui atas registradas em cartório, tesouraria, e recolhimento “anual” de taxas diversas (relacionados a registro de atas, despesa com cartórios) etc. Toda academia, obrigatoriamente tem cadeiras, na qual representam um patrono e consequentemente seus ocupantes. Já as sociedades culturais, são entidades culturais, na qual “não existem” cadeiras de ocupantes.

Posso lhes garantir, que no caso das “respeitáveis” academias, para que você possa ocupar uma dessas cadeiras não é nada fácil, pelo contrário, você terá de provar que é bom de escrita, e que seu livro traz importante papel cultural para a sociedade — e isso condiz com um número x mínimo de publicações “notórias” — e que você faz jus ao nome do patrono da referida cadeira. Basta observarmos que quando alguém consegue entrar para a Academia Brasileira de Letras, virá notícia nas principais mídias.

Sei que existem academias idôneas e talvez até deixei de citá-las por não fazerem parte de minha área de atuação ou desconhecê-las, mas as verdadeiras academias são a fina flor da sociedade cultural brasileira.

Porém, infelizmente temos as academias questionáveis que disparam convites em busca de associados “pagantes”.

Geralmente o belo convite vem acompanhado de taxas que variam de 300 reais para cima, que está relacionado a confecção de medalha, diploma (vale ressaltar que o preço de “uma” folha de A4 de linho deve custar 0,30 centavos de reais cada), além da pelerine, que uma camisa que não deu certo e que não custa mais do que 30 reais e qualquer costureira é capaz de fazer usando pena, fio dourado e tecido de terceira categoria.

É muito barato comprar uma medalha de honra ao mérito, diga-se de passagem, se consegue comprar até pela internet –: “4 unidades de medalha de honra ao mérito” por 7 reais, repito: 4 medalhas por SETE Reais.

medalha honra ao mérito

Medalha Gedeval Pequena Ouro (Contém 04Unids)

Por: R$8,80

 

Em resumo, o custo do material para o recém e belo integrante da academia não passa de 50 reais (na melhor das hipóteses), e para onde vai o resto do dinheiro? É claro que no valor não está incluindo o jantar, regado a vinho e muitas vezes com patrocínio. Imaginem 50 escritores indicados a neoacadêmicos, da Academia Xuxulenta de Esporos Bacilíferos Socrática, ou AXEBS, sendo que o homenageado terá que custear 600 Reais para a solenidade e 400 reais para o jantar de gala. Geralmente a solenidade é realizada em um algum lugar cedido por alguma instituição, e por se tratar de academia, é claro que “sem fins lucrativos”.

Aposto que um almoço para a Família em um excelente restaurante, sai bem mais em conta do que isso. São MIL reais por participante, e se os “50 homenageados” aceitarem o convite, estamos falando DE CINQUENTA MIL REAIS. Agora peço para que se lembrem do custo de uma medalha, que gira em torno de R 1,75 (UM REAL E SETENTA E CINCO CENTAVOS). 

Com certeza as supostas academias, irão disparar e-mails para toda lista de contato de escritores que aparecem nas redes sociais — afinal, qual o escritor que nunca divulgou seu livro no facebook? — E quem morder o engodo mordeu…

Isso sem contar que somos assombrados até pelo fantasma de academias do exterior – Só neste ano, fui convidado para duas academias das quais até na internet é difícil de achar, talvez na deepweb, sendo que um dos convites veio da Argentina e outro de Portugal. É óbvio que eu teria que colocar a mão no bolso para ser contemplado por imensa honraria… Aí vale questionar, e o mérito? Se minha obra literária é digna de ser imortalizada em uma academia, por que “eu” tenho que pagar tantas despesas? Pelo que sei, as despesas da posse da Academia Brasileira de Letras são custeadas integralmente pelo governo do estado da cidade natal do acadêmico indicado.

De que adianta eu participar da academia de Letras de Nova Zelândia? Peraí, eu moro no Brasil! Isso sem contar que a maior parte dos escritores “mau” (faço questão do mau com u), são divulgados no estado em que residem…

Imaginou o preço de viagem, estadia, e solenidade para uma posse no exterior? Ao menos que você esteja com dinheiro sobrando (e não é o que tenho observado na maioria dos escritores no Brasil atual) e queira fazer um turismo e gastar muito, você está no caminho certo. Parabéns, você terá mais um pedaço de papel para guardar e claro, ótimas recordações de um passeio.

Para aqueles que não conseguem custear a honraria e solenidade, ainda mais com o dólar beirando os 4 reais (me recuso mencionar euro e Libra), há outros que buscam patrocínio em busca de realizar um desejo de reconhecimento. Tudo é valido quando corremos atrás de um sonho, mas por outro lado, o escritor deixa de lado seu principal ofício que é escrever e parte como um leão faminto atrás de patrocinadores e isso mancha a imagem do autor/escritor. Bacana demais, eu tomando posse na England Academy of Literatury in Oxônia, com patrocínio do Motel Vil Prazer! Neste ponto surge o paradigma: Qual é meu objetivo como escritor?

Particularmente eu tenho minha resposta, que é simples: Escrever livros cada vez melhores para agradar meu público e ponto(.)

De nada adianta você dizer que pertence a Academia de Letras de Nova Zelândia. Lhes asseguro que alguém irá lhe responder: “Que legal!” E vai se esquecer em menos de 2 minutos. 

Diferente seria: Eu ocupo a cadeira XX da Academia Brasileira de Letras.  Aí meu amigo, até eu iria querer seu autógrafo. Já me perguntaram, sobre como essas “academias” sobrevivem. Simples, promoção da confecção de coletâneas, superfaturas exclusiva para os “neoacadêmicos”, e aí temos duas facadas, a primeira da publicação ( e lhes asseguro que a publicação é quase que sobre demanda) e a segunda do lançamento e aí temos nova solenidade, novo jantar e disparam a mandar mais medalhas e homenagens com custo, enquanto a conta bancária de “algum ilustre” vai só engordando.

Outro fato que os “contemplados com imensa honraria de tornarem-se acadêmicos” devem tomar cuidado é sobre anagramas… Aquilo que estudávamos em análise combinatória na matemática do colegial.

Exemplo:

Academia Brasileira de Letras – ABL; reconhecida mundialmente.

Olha só quantas combinações são possíveis: LBA, LAB, BLA, ALB, BAL …. Em todos os anagramas, temos a palavra academia, Brasileira, Letras e não estamos falando da verdadeira Academia Brasileira de Letras.

Então meu amigo escritor, cuidado! Preocupe-se em divulgar seu livro e quando receber um convite de uma academia, tenha certeza de que você esteja sendo convidado para uma instituição idônea, SEM FINS LUCRATIVOS, mas acima de tudo, não se esqueça de seu propósito básico como escritor, que é o de escrever bons livros, e isso demanda leitura, estudo e tempo que são presas fáceis para o Ego e a Ostentação.

Forte abraço à todos!

 



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Posted 5 de dezembro de 2015 by Hermes Lourenço in category "Dicas Sobre A Escrita", "Uncategorized

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