Dicas Sobre A Escrita

Meu original foi recusado e agora?

 

Uma das e16-recusadoprincipais perguntas inquisidoras para muitos autores/ escritores é a famosa questão: Por que meu original foi recusado?

Ainda mais quando recebemos um e-mail ou carta da editora com a seguinte mensagem:

Prezado Senhor,

Concluída a avaliação do original em referência, informamos que sua publicação não foi indicada, ainda que apresente evidentes qualidades.

Agradecemos a remessa desse material e informamos que, respeitando as normas da Editora para avaliação de originais, o mesmo foi inutilizado.

Agradecemos a escolha de nossa editora como editora potencial para sua obra . Gostaríamos de esclarecer que a recusa dessa publicação não inviabiliza o interesse em próximas obras de sua autoria.

Atenciosamente,

Departamento Editorial,

Setor de Avaliação de Originais

 

Caro Hermes,

Gostaria de informá-lo que os que seus manuscritos foram analisados, mas não faremos uma oferta por eles no momento.

Agradecemos a oportunidade de avaliá-los.

Atenciosamente,

Departamento Editorial

Setor de avaliação de originais

 

Olá Hermes, boa tarde!
No momento nossa editora não está recebendo nenhum tipo de material para
analise, pois estamos com o nosso planejamento editorial 2014 fechado.
Agradecemos o contato.

 

Departamento Editorial

Setor de avaliação de originais

Bem, na verdade tenho uma coleção de recusa de originais, na qual arrumei uma pasta e faço uma coleção dessas recusas. Podem até me criticar e dizer que é sadomasoquismo, mas toda a vez que olho para algumas das recusas, fico refletindo e me questionando sobre em que ponto minha obra falhou.

O legal é que algumas editoras nem resposta dão. Outras o fazem de forma educada e incentivadora.

O que aprendi com a prática e coletâneas seguidas de rejeição é que nem sempre o que é recusado por uma editora, necessariamente não significa que seu livro está ruim e não possa ser publicado.

Muitas vezes a editora está sem espaço para publicar, ou já empregou os recursos disponíveis que teria para publicá-lo com outras obras ou o que acontece na maioria das vezes, seu original foi enviado para a editora errada.

Vocês não imaginam as pilhas de originais as editoras recebem, e grande parte deste volume são de gêneros diferentes do que a editora está habituada a publicar.

De nada adianta você encaminhar seu livro de poesias para uma editora que só publica livros médicos, ou você querer enviar um livro de terror para uma editora que só publica romances.

Inúmeros escritores pulam passos primordiais e movidos pelo desespero e pela compulsão ansiosa de ver o livro publicado — eu prefiro chamar de síndrome do ponto final, ou seja, bastam colocar o ponto final no final do livro é já acreditam que o livro está pronto —, saem como metralhadoras disparando o original para qualquer editora que encontram nas ferramentas de pesquisas da internet.

A frente discutiremos de que forma devemos proceder para encaminhar um original para uma editora — acredite, um livro bem apresentado diminui as chances de recusa.

Nos coloquemos no lugar do editor. Imagine que nossa editora já tem sete livros sobre vampiros no nosso catálogo e o gênero que gostamos de publicar é terror e suspense, e você está com seu livro impecável, revisado, avaliado por leitores betas — ou cold readers do inglês que o mesmo que leitores frios — em outras palavras, seu livro é uma obra de arte, de causar inveja a Bram Stoker, mas você é o editor, e recebe “mais um” livro de vampiro e ao mesmo tempo um livro sobre lobisomem, que está bem escrito — já conhecendo que a tendência editorial após participar de feiras literárias pelo mundo será a volta dos livros de lobisomem.

Qual livro você aceitaria para publicar?

É claro que a escolha seria o livro do lobisomem. Sua editora já está saturada de livros de vampiros, inclusive de vampiros que brilham no sol. Ela quer publicar algo que venda e a inovação é chave para a venda de um produto. Por outro lado, uma editora que só publicava esoterismo, mas decidiu abrir espaço para o terror e suspense em especial vampiros e você descobriu que ela irá iniciar com este novo seguimento sendo que ela está carente de obras do gênero do livro que escreveu. Você decide encaminhar seu livro de vampiros e Voilá, seu livro foi aceito.

Mas nem tudo são flores. Sua editora precisa de livros de vampiros, mas recebeu cem originais de livros de vampiros. Neste momento, será avaliado a qualidade de escrita, a bibliografia do autor — quando digo bibliografia é se os livros que ele publicou foram bem aceitos no mercado —, a qualidade técnica do enredo e bem como conhecer as perspectivas do autor com relação a obra no mercado editorial. Daí entra a importância do book proposal que iremos falar no capítulo de como apresentar seu original.

Tem autores que enviam o original e ficam perseguindo — do inglês stalker —, que enviam o original e alguns dias depois revirando a internet, ficam encaminhando diversos emails ao editor, perguntando sobre o andamento da obra.

Imagine se eu lhe dou cem originais, cada um com aproximadamente 200 a 300 paginas cada um para você avaliar por ordem de chegada, e o autor número 98 já quer saber se o livro dele foi aceito. Detalhe: Você só teve tempo para avaliar ainda 6 originais — daí o tempo de demora da avaliação de original por parte da editora.

Por mais que a editora tenha 5 funcionários para avaliação de originais, cada um irá ficar com 20 originais para serem bem avaliados e lhes asseguro, que irá demandar tempo e quando me refiro a tempo, me refiro a meses de trabalho. Então aquele original cujo autor é número 98 e fica aborrecendo o editor com numerosos e o pressionam com insistentes emails do tipo: “Olha só, uma editora já aceitou meu original e preciso de resposta da editora de vocês pois ela é maior!”, o editor certamente irá recusar seu livro por três razões:

1ª Você já foi aceito por outra editora — ao menos foi o que você escreveu.

2ª Um original a menos para ser avaliação. Eram cem, agora faltam 99, (melhor ainda se eu estava com 20, pois ficaram 19).

3ª Um escritor “chato” a menos que iria aborrecê-lo durante todo o processo editorial, caso o livro fosse aceito.

Como podem perceber, em minha preciosa lista de recusa, elas vieram de forma espontânea e lhes asseguro que algumas chegaram anos depois do envio e também confesso que no início da minha carreira acabei sendo um pouco chato, mas foi bom, que aprendi com os erros e posso hoje compartilhar com vocês.

Outra causa de rejeição é mandar o livro sem revisão e isso é sério. Se nos incomodamos quando encontramos um pastel — erros gramaticais que escapam do revisor —, de um famoso best seller, lhes pergunto, por que um editor é obrigado a ler um livro inteiro cheio de erros gramaticais?

No site das editoras, encontramos a política para envio de originais, ou seja, a forma que seu manuscrito deve ser encaminhado para editora — vai desde formatação do texto, tamanho de fonte, configuração de página. Há editoras que não aceitam envios eletrônicos – tipo você encaminhar seu livro em formato word ou pdf por e-mail — e editoras que só aceitam avaliar seu original se estiver devidamente registrado na Fundação Biblioteca Nacional.

Outros autores se preocupam tanto com o envio da obra que esquecem de anexar no original as próprias informações. Imaginem seu livro chegando na editora, o editor abre seu envelope e o joga no lixo e começa a avaliar seu original. Ele amou seu livro e quer publicá-lo. Então ele vai procurar seu contato e cadê seus dados? Estavam apenas no remetente do envelope que foram jogados no lixo. E como descobrir quem é o autor? Impossível. Melhor recusar e nesse caso o autor sequer irá receber a carta de recusa da editora, porque o endereço do autor se perdeu. Para evitar que isso ocorra, anexe todos os seus contatos: e-mail, telefone, celular, skype, etc…

Há casos dos autores / escritores que não aguentam mais esperar. Precisam publicar de qualquer forma. O prazo de espera estipulado pela editora torna-se no pior instrumento de tortura criado pela Inquisição da Editora. Então ele desiste em poucos meses e acaba enviando o livro para editoras de pequenas tiragens. Meses depois e com um livro mal publicado, mal distribuído e já assinado o contrato, a editora manda a resposta. Aí quem não pode publicar é o autor, pois o livro já foi publicado. Isso é horrível, pois além de perder espaço em se publicar em uma grande editora, —lembre-se de que o editor também é humano e não é uma máquina — ele vai se lembrar de você quando enviar seu original novamente para a editora e dificilmente ele irá aceitá-lo temendo que você já tenha publicado por outra editora.

Resumindo os motivos principais de recusa por parte de editoras:

— O gênero do seu original foi parar na editora errada – mandou seu “Harry Potter” para editora que só publica livro de direito.

— Você enviou seu original sem seguir as normas de envio ditadas pela editora;

— Seu original não está registrado na Fundação Biblioteca Nacional;

— Falta de informações sobre a obra — “book proposal”.

— Falta de informações pessoais sobre o autor — “quem vai querer avaliar um original se sequer tem as informações do autor?”

— Livro sem revisar;

— Autor / Escritor “stalker” que ficam aborrecendo a paciência do editor seja por telefone, e-mail ou pessoalmente.

— Falta de paciência do autor/ escritor, que desiste de esperar o prazo de avaliação estipulado pelas editoras e acaba publicando o livro por conta própria em editoras de pequenas tiragens.

— Falta de qualidade técnica de escrita tornando o original inviável para publicação;

— Excesso de gêneros na editora semelhantes ao original que foi enviado.

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