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Resenha Inferno – Dan Brown

                                 Resenha Inferno – Dan Brown


downloadA princípio quando me deparei com o livro Inferno de Dan Brown, estava esperando algo do mesmo nível de Anjos e Demônios ou até mesmo Ponto de Impacto — que em minha opinião Ponto de Impacto continua sendo o melhor livro publicado pelo autor, respeitando as técnicas de escrita.

Há pessoas que dizem que Dan Brown não escreve mais livros e sim roteiros, e confesso a vocês seguidores do site A Arte de Escrever, que isso tem me incomodado, pois ultimamente tenho estudado diversos livros de roteiro e o que Dan Brown escreve está muito longe de um roteiro. Vejo Inferno como apenas um livro de ficção, nada mais do que isto, e como “qualquer livro”, que em mãos de roteiristas experientes, pode facilmente ser adaptado para as telas do cinema .

A característica peculiar de Dan Brown é colocar as tramas das estórias em cenários clássicos, onde por diversas vezes ele preocupa-se muito mais com a descrição das obras de artes e do locais * turísticos— que para muitos leitores, se não tiverem paciência de acessar o google images e/ou visitar o local que acontece a trama, irão ficar vagando em determinados pontos da estória —, como exemplo, a máscara mortuária de Dante Alighiere — uma das peças chaves da trama —, além de locais como Palazzo Vecchio — local onde se inicia a trama e que Langdon descobre que está em Florença, após acordar em um estado latente de amnésia, sob os cuidados da médica Sienna Brooks — uma médicimagesa digamos que com um QI muito, mas muito acima da média —, que é uma das co-protagonista da estória. Observem que sinalizei a palavra turístico, e aí vai uma crítica – a mesma que por sinal também recebi em um livro que o ambientei em Buenos Aires, Argentina. Será que toda a estória somente acontece em museus e lugares turísticos? Bem a resposta é que na verdade quando construímos nossa estória, usamos locais que pressupomos que a maioria das pessoas conhecem, e é claro, de forma a inserir o leitor para dentro do livro e envolve-lo ainda mais com a trama.
Voltando a estória, L
angdon tem alguns sonhos enigmáticos: com pessoas mortas, a máscara semelhante a usada na época da peste negra que parecia um bico de uma ave (vide imagem neste post), uma mulher de cabelos prateados e a frase “busca e encontrarás” o persegue pelo menos até o primeiro ponto de virada da trama.

Desta vez não é uma bomba no Vaticano, não se trata de um meteoro com indicações de vida em outro planeta, tampouco a descendência de Cristo. O gancho central é uma arma biológica colocada no subterrâneo de um algum lugar próximo a água corrente que irá espargir o “agente” podendo dizimar a humanidade, praga essa criada por um cientista, que queria controlar a população, achando que a população humana está crescendo exponencialmente dantee que talvez em pouco tempo – num futuro apocalíptico —, não existirá recursos para toda a humanidade, então, que tal dizimarmos a humanidade?

A partir daí temos o pontapé inicial do livro – um “desmemoriado” envolvido em uma conspiração que pode assolar a humanidade.

Com certeza os amantes de Dan Brown, esperavam mais no final do livro, pois como diz o tio Parker para Peter Parker — O Homem Aranha — “Quanto maior o poder, maior a responsabilidade”, e ser um autor best-seller, os futuros lançamentos agregam em uma grande expectativa para os leitores e achei que Inferno decepcionou, principalmente no que concerne ao tão cansativo que é a descrição dos itens de artes e locais turisticos, o que provavelmente foi uma das causas que me levou a abandonar a leitura em dois momentos.

O que mais me incomodou, foi a descrição médica de uma personagem que faz uso de injeções de anti-emético muito comum no mercado brasileiro de 1 em 1 hora — erro de tradução? (ainda não tive tempo de comparar com o original em inglês) —, mas asseguro que qualquer personagem que fizer uso desta medicação de 1 em 1 hora, não viverá 3 linhas na mesma página.

Também me incomoda o fato de que Robert Langdon, ainda continua sendo o mesmo personagem plástico, não moldável, como é o Frodo do Senhor dos Anéis — cá entre nós, se um Hobbit é capaz de se moldar com o sofrimento na jornada do Herói, então por que não um ilustre doutor e professor de Harvard?

Tirando os vieses, uma leitura interessante de um autor cuja capacidade criativa era digna de oferecer muito mais.

Um forte abraço a todos!

Por Hermes M. Lourenço

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Posted 3 de janeiro de 2015 by Hermes Lourenço in category "Uncategorized

2 COMMENTS :

  1. By Caio on

    Eu comprei Inferno de Dan Brown em uma promoção nas Americanas e, como já tinha lido O Código da Vinci e O Simbolo Perdido, sabia que não iria me arrepender. De fato, a história é frenética e muito boa! Ela segue o mesmo esquema dos outros livros com Robert Langdon, o professor que resolve todos os problemas enquanto é perseguido pelo resto do mundo, mas a história consegue te prender até o fim!
    No site Gnomo da Estante (http://gnomodaestante.blogspot.com) você pode conferir as notícias mais atuais sobre Dan Brown e as novidades do filme que estão fazendo desse livro. Vale a pena passar de lá 😉

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    1. By hmsfenix@gmail.com (Post author) on

      Pois é Caio. Sou fã do Dan Brown, porém sinto o incômodo do personagem plástico que tornou-se Robert Langdon.

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