julho 8

A PROBLEMÁTICA DAS SÉRIES

Quando novos autores me pedem dicas, a primeira que dou é:
Não escreva séries.
E invariavelmente, como resposta, recebo um sorriso amarelo de quem já iniciou ou idealizou uma série com 3, 5, 7, 10 livros!
Eu não sei quem foi que inventou que os novos autores devem iniciar suas carreiras escrevendo séries. Confesso que eu mesma li essa dica em algum site sem noção por aí e o pior: também segui a tal dica. Mas novos autores, por favor, ouçam a voz da experiência: não façam isso.
Eu sei que você dirá: mas todos os grandes começaram assim! E aí você citará J.K. Rowling, George R. R. Martin, Stephenie Meyer. Pois bem, mas pense comigo: todos esses autores são estrangeiros. O mercado nacional é totalmente diferente. Você não deve se basear no que dá certo lá fora, deve focar no que dá certo aqui. E autor iniciante começar com séries é a maior furada.
Enumerarei algumas razões para você não iniciar sua carreira com uma série:
1 – Muitas vezes você consegue uma editora para o primeiro livro da série, mas não consegue que a mesma publique o segundo, porque geralmente o primeiro livro de um autor não vende bem mesmo, e aí os leitores ficarão sem uma continuação.
2 – Se você publicou por uma editora sob demanda, a coisa se complica. Porque arranjar dinheiro para publicar UM livro a gente até arranja, mas 3, 7, 10?! Nem pensar.
3 – Você vai ficar “preso” a essa série por anos, e acredite, você vai enjoar dela. Chegará um dia em que não aguentará mais falar dela, escrevê-la, promovê-la e aí você vai querer escrever outras coisas, mas “deve” aos leitores um final para a história.
Um dia desses, tive um problemão com uma autora que disse que não ia mais batalhar em cima do primeiro livro da série, apenas do segundo. Hello?! Como assim? Se você escreve uma série, SEMPRE terá que trabalhar o primeiro da série, pois ele é o carro chefe da história, é ele quem deverá “atrair” os leitores, conquistá-los, fidelizá-los. E essa é uma problemática grande, porque geralmente, após alguns anos, você achará aquele livro “cru”e não quererá mais trabalhar com ele. Acredite, este que hoje é sua “obra-prima”, amanhã, terá sido apenas um degrau na dura e longa escada do aprendizado.
Sem falar que é ruim, porque você fica um pouco “limitado”enquanto aquela série durar, pois você dificilmente conseguirá escrever e/ou publicar outras coisas nesse meio tempo e se tornará aquele autor que está no mercado há anos, mas “só” escreveu AQUELE livro. Aconteceu comigo também o seguinte: alguns amigos, que não gostavam da temática da minha série, mas queriam me prestigiar, perguntavam-me se eu não tinha outro livro, com outro tema e quando eu respondia que não, eles perguntavam: “Mas não é o seu terceiro livro?” Muito sem jeito, eu tinha que responder que sim, mas que o segundo e o terceiro eram apenas uma continuação do primeiro. Isso é complicado, porque você não consegue conquistar novos leitores para seus novos livros, só comprará o terceiro livro, quem já comprou o primeiro e o segundo. Ou seja, cai naquele novo dilema: você ficará anos trabalhando em cima do primeiro livro e o pior, muitas vezes, sem grandes resultados. Apenas para exemplificar: meu primeiro livro vendeu x exemplares, o segundo, x/2 e o terceiro, x/3. E por que? Porque, ao contrário do que se pensa, é difícil “fidelizar”o leitor. Eu mesma, já abandonei diversas séries, às vezes no primeiro, às vezes no segundo livro. E não venha me dizer que com seu livro isso não acontecerá. Sejamos humildes e realistas. Isso acontece com todos, de Tolkien a Vianco, não acredite que você será a exceção, afinal, todo leitor tem o direito de abandonar uma série, seja porque não gostou, seja porque ela se tornou muito extensa, seja porque demorou muito, enfim, por n motivos.
Eis algumas séries que, apesar do estrondoso sucesso, eu, enquanto leitora, simplesmente abandonei:

Agora, para elucidar o que estou falando, quero citar um caso de autor iniciante nacional bem-sucedido, que seguindo na contramão da moda das séries, obteve êxito onde muitos, que insistiram em séries, falharam. Estou falando da queria Samanta Holtz. 

Acredite, se não a conhece, vai conhecer, pois a garota é sucesso certo. Para quem não sabe, como dezenas de autores iniciantes, Samanta começou a publicar pela Editora Novo Século, pelo selo Novos Talentos, aquele pelo qual se paga uma fortuna para publicar. Entretanto, ao contrário de 90% de seus colegas, Samanta iniciou sua carreira com um livro único, não componente de uma série. E o livro foi um sucesso. Tanto, que ela passou para o selo oficial da editora, aquele onde não se paga para publicar e onde o autor tem toda a notoriedade e apoio, ou seja, otime A da Novo Século, o que não é pouca coisa, visto essa ser uma editora grande e o sonho de 10 entre 10 autores iniciantes. Recentemente, ela publicou seu novo livro por esse selo oficial e seu primeiro livro ganhou nova edição, nova capa, novo status. E o que aconteceu com os colegas de Samanta que também publicaram pelo selo novos talentos, os primeiros livros de suas séries? A esmagadora maioria – para não dizer todos – amarga o fato de não ter conseguido passar para o título oficial da editora e de não ter dinheiro para bancar o segundo, o terceiro, o sétimo, o décimo livro de sua série.  Temos, portanto, diversos autores e leitores “’órfãos”, sem a continuação de suas obras publicadas.
Como eu lhes disse, isso de série, no Brasil, para autores iniciantes, raramente funciona. Um conselho: primeiro “construa”um nome no meio literário, conquiste fãs fiéis, leitores vorazes e aí sim invista em séries. Ou alguém duvida que se hoje, Samanta Holtz iniciar uma série, ela não será “devorada”e acompanhada integralmente por seus ardorosos fãs?   

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