julho 30

DUAS MULHERES

Olá Amigos do blog!

Hoje trago uma sublime poesia que me foi enviada por uma brilhante escritora.
Espero que gostem.
Forte abraço a todos!

Duas Mulheres


Somos duas mulheres em uma só
Uma é do amor a família,
A outra é de amor a orgia,
uma é das prendas do lar,
A outra é a periguete do bar.

Somos duas mulheres em uma só
Uma tem amor e afeição,
A outra não tem coração.
Uma é meiga e Carinhosa,
A outra é toda fogosa.

Somos duas mulheres em uma só
Uma só quer viajar,
A outra na casa ficar,
Uma vive na noite,
A outra põe-se a casa enfeitar.

Somos duas mulheres em uma só
Uma é constante e sincera
A outra é uma volúvel pantera.
Uma aos filhos é devotada.
A outra aos filhos é desleixada.

Somos duas mulheres em uma só
Uma faz marido e filhos sofrer,
Enquanto a outra, só dá prazer,
Uma se veste de dama,
A outra se joga na lama.

Somos duas mulheres em uma só
A eternidade nenhuma irá sobrepujar;
Uma terá uma placa na lápide:
“Ao marido e filhos que amou.”
A outra, a mariposa da noite;
Nem mesmo o nome restou.

Inêz Lourenço


Texto publicado com permissão da autora.
Inêz Lourenço –
contato: inezmol@gmail.com
julho 12

Como Construir uma Grande História

Olá Amigos do Blog, hoje vamos trocar algumas palavras, sobre os conceitos básicos e pré-requisitos para se escrever uma grande história.
De início, posso lhes assegurar que escrever um livro não é pegar seu primeiro manuscrito e sair postando pelo correio ou e-mail para todas as editoras que você encontra pela frente.
Qual foi o autor que nunca pensou: “Minha vida daria um livro!”.
Concordo plenamente que a vida de qualquer pessoa daria um livro. Até a vida do meu cachorro.  Agora temos um ponto muito importante a ser discutido, que será o diferencial de um dos diversos quesitos para a aceitação ou rejeição por parte das editoras.
Imaginem uma biografia de um sujeito que nasce no interior de Minas Gerais e que com muito estudo consegue se formar em engenharia civil. Me permito ir mais longe. Imagine agora o irmão desse mesmo indivíduo que conseguiu se formar em direito e tornou-se um renomado desembargador. 
Agora imaginemos outra situação. Você está remexendo em seu velho baú e lá você encontra a estória de sua bisavó, que quando criança, viveu no campo de concentração Auschwitz e na estória ela conta tudo o que vivenciou – desde a morte dos irmãos, dos pais  –  e pior, um dos oficiais nazistas se apaixona por ela e para preservá-la a coloca para ter que incinerar diariamente os corpos dos judeus que eram assassinados. Dentre os corpos ela sempre encontrava um parente, um professor, um amigo e a única forma para ela sobrevivesse seria se entregar aos prazeres do oficial, só que ela descobre que o mesmo oficial incinerou “vivos” seus pais.
Agora lhes pergunto. Se a editora fosse sua e é claro, editora são empresas que para sobreviver precisam de lucro. Qual das estórias que você acha que mais venderia e qual delas você aceitaria publicar?
Pois bem, editoras sérias recebem muitos, mais muitos originais – quando digo original, digo um livro pronto -, com estórias sem consistência, e pior… O escritor quando se depara com a recusa – e sabemos que essa resposta demora muito -, quase perdem a cabeça, criticam a editora ou o editor, dizendo que eles não sabem o que estão perdendo e por aí vai.
Mais quais são os principais elementos que constroem uma boa estória? É isso que vamos discutir aqui.
Eu sempre comparo escrever um livro como uma partida de xadrez. Há aqueles escritores que estão apenas começando a aprender a mexer as peças de um tabuleiro de xadrez e saem cantando aos quatro ventos: Eu sou escritor. E a veemência obsessiva é tão grande, que, para quem assiste de fora, chega a pensar que até Dan Brown teria inveja deste sujeito. Mas na verdade ele apenas sabe mexer as peças e não conhece as regras do jogo. Eu jogo xadrez desde meus 9 anos de idade – digamos que mais ou menos há 30 anos – e confesso que não considero mestre e tampouco expert em xadrez, mas lhe garanto que os conhecimentos que adquiri, sou capaz de causar muita dor de cabeça ao meu s adversários e isso me põe na frente de muitos, mas de muitas pessoas que dizem por aí que sabem jogar xadrez.
Escrever um livro é o mesmo. Vamos entrar um pouco na parte tática da escrita. Ah, você se surpreendeu? Claro, da mesma forma que o xadrez, escrever um livro exige estratégia, tática, planejamento e outras ferramentas que iremos discutindo mais adiante.
O primeiro chamariz para seu leitor, chama-se impacto emocional. E isso é forte! É o que irá amarrar seu leitor durante toda a sua estória para que saiba o que é que irá acontecer no final.
Em meu ponto de vista, um livro com um dos maiores impactos emocionais que já conheço é A Cabana, do autor best seller William P. Young. Nela o impacto emocional é história de um pai que perde a filha assassinada por um psicopata e tem a oportunidade de digamos que, acertar as contas, nada mais, nada menos do que com Deus, com Cristo e por aí vai.

Outro livro que posso citar é O Guardião de Memórias, da autora Kim Edwards – e confesso que achei a leitura muito difícil, mas o impacto emocional da estória me fez colar no livro até chegar na última página. Nesse livro narra a história de um pai – médico -, que ao fazer o parto da esposa descobre que tem gêmeos, sendo uma das crianças – uma menina – é portadora de Síndrome de Down. Diante disso ele dá a filha para a enfermeira desaparecer com a criança e esconde este grande segredo da própria esposa e você leitor irá ficar amarrado até o final do livro para saber o que aconteceu ou irá acontecer. O impacto emocional, nada mais, nada menos aguça a curiosidade de seu leitor. Esse é um dos primeiros diferenciais de uma história bem construída, que lhe prenderá até o final, e de uma estória que muitas vezes você será obrigado a ler, pelo simples fato do autor ser seu amigo. O impacto emocional é um dos principais pilares de qualquer livro: “A Emoção”, e lhes asseguro que um bom escritor, com um livro com menos de 100 páginas é capaz de saber emocionar seu leitor. Não acredita? Então leia o velho e o mar de Ernest Hemingway ou A Hora do Lobisomem de Stephen King. É claro que o impacto emocional é um dos primeiros alicerces para construirmos uma boa estória. Também temos que ter personagens bem construídos – com seus respectivos pontos emocionais meticulosamente elaborados­ -, diálogos bem estruturados, um cenário cujo autor conheça melhor do que a palma da própria mão; uma boa narrativa e de outras técnicas que iremos abordar cada uma a seu devido tempo. E lembre-se, um leitor não interessa pelo seu nome escrito em letras garrafais na capa dourada de seu livro, mas sim pelo conteúdo de sua estória. Agora, se seu conteúdo já começa com excelente impacto emocional e respeita as técnicas de escrita; meu amigo, lhes asseguro que seu leitor irá admirá-lo e colocá-lo no hall da fama pessoal como um dos melhores escritores que ele já conheceu. Quanto a crítica, não se preocupe. Eles sempre darão um jeitinho de encontrar uma falha. Mas lembre-se de que você jamais agradará a 100% de seu público alvo. Se conseguir 60% já estará trilhando um maravilhoso caminho. Forte abraço a todos!

Hermes M. Lourenço

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julho 8

A PROBLEMÁTICA DAS SÉRIES

Quando novos autores me pedem dicas, a primeira que dou é:
Não escreva séries.
E invariavelmente, como resposta, recebo um sorriso amarelo de quem já iniciou ou idealizou uma série com 3, 5, 7, 10 livros!
Eu não sei quem foi que inventou que os novos autores devem iniciar suas carreiras escrevendo séries. Confesso que eu mesma li essa dica em algum site sem noção por aí e o pior: também segui a tal dica. Mas novos autores, por favor, ouçam a voz da experiência: não façam isso.
Eu sei que você dirá: mas todos os grandes começaram assim! E aí você citará J.K. Rowling, George R. R. Martin, Stephenie Meyer. Pois bem, mas pense comigo: todos esses autores são estrangeiros. O mercado nacional é totalmente diferente. Você não deve se basear no que dá certo lá fora, deve focar no que dá certo aqui. E autor iniciante começar com séries é a maior furada.
Enumerarei algumas razões para você não iniciar sua carreira com uma série:
1 – Muitas vezes você consegue uma editora para o primeiro livro da série, mas não consegue que a mesma publique o segundo, porque geralmente o primeiro livro de um autor não vende bem mesmo, e aí os leitores ficarão sem uma continuação.
2 – Se você publicou por uma editora sob demanda, a coisa se complica. Porque arranjar dinheiro para publicar UM livro a gente até arranja, mas 3, 7, 10?! Nem pensar.
3 – Você vai ficar “preso” a essa série por anos, e acredite, você vai enjoar dela. Chegará um dia em que não aguentará mais falar dela, escrevê-la, promovê-la e aí você vai querer escrever outras coisas, mas “deve” aos leitores um final para a história.
Um dia desses, tive um problemão com uma autora que disse que não ia mais batalhar em cima do primeiro livro da série, apenas do segundo. Hello?! Como assim? Se você escreve uma série, SEMPRE terá que trabalhar o primeiro da série, pois ele é o carro chefe da história, é ele quem deverá “atrair” os leitores, conquistá-los, fidelizá-los. E essa é uma problemática grande, porque geralmente, após alguns anos, você achará aquele livro “cru”e não quererá mais trabalhar com ele. Acredite, este que hoje é sua “obra-prima”, amanhã, terá sido apenas um degrau na dura e longa escada do aprendizado.
Sem falar que é ruim, porque você fica um pouco “limitado”enquanto aquela série durar, pois você dificilmente conseguirá escrever e/ou publicar outras coisas nesse meio tempo e se tornará aquele autor que está no mercado há anos, mas “só” escreveu AQUELE livro. Aconteceu comigo também o seguinte: alguns amigos, que não gostavam da temática da minha série, mas queriam me prestigiar, perguntavam-me se eu não tinha outro livro, com outro tema e quando eu respondia que não, eles perguntavam: “Mas não é o seu terceiro livro?” Muito sem jeito, eu tinha que responder que sim, mas que o segundo e o terceiro eram apenas uma continuação do primeiro. Isso é complicado, porque você não consegue conquistar novos leitores para seus novos livros, só comprará o terceiro livro, quem já comprou o primeiro e o segundo. Ou seja, cai naquele novo dilema: você ficará anos trabalhando em cima do primeiro livro e o pior, muitas vezes, sem grandes resultados. Apenas para exemplificar: meu primeiro livro vendeu x exemplares, o segundo, x/2 e o terceiro, x/3. E por que? Porque, ao contrário do que se pensa, é difícil “fidelizar”o leitor. Eu mesma, já abandonei diversas séries, às vezes no primeiro, às vezes no segundo livro. E não venha me dizer que com seu livro isso não acontecerá. Sejamos humildes e realistas. Isso acontece com todos, de Tolkien a Vianco, não acredite que você será a exceção, afinal, todo leitor tem o direito de abandonar uma série, seja porque não gostou, seja porque ela se tornou muito extensa, seja porque demorou muito, enfim, por n motivos.
Eis algumas séries que, apesar do estrondoso sucesso, eu, enquanto leitora, simplesmente abandonei:

Agora, para elucidar o que estou falando, quero citar um caso de autor iniciante nacional bem-sucedido, que seguindo na contramão da moda das séries, obteve êxito onde muitos, que insistiram em séries, falharam. Estou falando da queria Samanta Holtz. 

Acredite, se não a conhece, vai conhecer, pois a garota é sucesso certo. Para quem não sabe, como dezenas de autores iniciantes, Samanta começou a publicar pela Editora Novo Século, pelo selo Novos Talentos, aquele pelo qual se paga uma fortuna para publicar. Entretanto, ao contrário de 90% de seus colegas, Samanta iniciou sua carreira com um livro único, não componente de uma série. E o livro foi um sucesso. Tanto, que ela passou para o selo oficial da editora, aquele onde não se paga para publicar e onde o autor tem toda a notoriedade e apoio, ou seja, otime A da Novo Século, o que não é pouca coisa, visto essa ser uma editora grande e o sonho de 10 entre 10 autores iniciantes. Recentemente, ela publicou seu novo livro por esse selo oficial e seu primeiro livro ganhou nova edição, nova capa, novo status. E o que aconteceu com os colegas de Samanta que também publicaram pelo selo novos talentos, os primeiros livros de suas séries? A esmagadora maioria – para não dizer todos – amarga o fato de não ter conseguido passar para o título oficial da editora e de não ter dinheiro para bancar o segundo, o terceiro, o sétimo, o décimo livro de sua série.  Temos, portanto, diversos autores e leitores “’órfãos”, sem a continuação de suas obras publicadas.
Como eu lhes disse, isso de série, no Brasil, para autores iniciantes, raramente funciona. Um conselho: primeiro “construa”um nome no meio literário, conquiste fãs fiéis, leitores vorazes e aí sim invista em séries. Ou alguém duvida que se hoje, Samanta Holtz iniciar uma série, ela não será “devorada”e acompanhada integralmente por seus ardorosos fãs?   

Para mais postagens, acesse: elainevelasco.blogspot.com.br

julho 5

Carpinejar

Talvez isso não tenha muito a ver com o assunto do Blog, mas gostaria de compartilhar com vocês um texto de um dos meus autores preferidos, que aliás, é um escritor brasileiro contemporâneo, se não conhece, procure conhecer, vale a pena!!!

O quanto um livro pode mudar sua vida?
Mudar não, mas pode dar sentido a tudo o que sofreu. Pode explicar seu silêncio. Pode resgatar sua dignidade. Pode oferecer a maçaneta para que procure a porta. Pode mostrar que a vida não é brincadeira, mas pode ser alegre se atravessarmos a tristeza sem perder a esperança.
Somos o que ficamos depois de sofrer.
Porque na dor encontramos uma honestidade que não há em nenhum outro sentimento.
Porque na dor encontramos uma urgência que não há em nenhum outro lugar.
Porque na dor encontramos uma autenticidade que não há em nenhum conselho.
Ninguém usará disfarces, adiamentos, mentiras quando sofre. É quando nos conhecemos, nos aceitamos e passamos a amar as pequenas gentilezas e descobertas.
Somente aquele que cuidou de um pai ou mão doente saberá o que é ser filho.
Somente aquele que se separou ainda amando entenderá o que é casamento.
Somente aquele que perdeu um parente numa tragédia entenderá o que é fé.
Somente aquele que foi mendigo em sua casa entenderá o que é generosidade.
Sofrer é entender a si mesmo para ouvir com mais atenção e empatia.
Por mais angustiada que seja a perda,
por mais gritante que seja a separação,
por mais inimaginável que seja a injustiça,
temos uma incrível e maravilhosa
capacidade de sobrevivência, de nos 
regenerar, de despertar das ruínas, de
seguir em frente. Apesar de o passado 
querer nos puxar para ficar com ele.
“Me ajude a chorar”, diz que você não está sozinho, nunca esteve, jamais estará.
As páginas do livro são braços abertos.
Este livro é meu abraço. 
Fabricio Carpinejar