novembro 22

Por que continuar

Quero iniciar esta coluna pedindo desculpas pelo meu sumiço abrupto, mas creio que muitos sabem o motivo para tal. Meu marido faleceu no dia 25 de outubro, após uma semana na UTI. Tinha apenas trinta anos, era professor da escola municipal de música Hugo Belézia. Foi algo repentino, uma crise de asma que se agravou e levou a uma parada cardíaca. Algo trágico e inesperado.
Quem já passou por uma história de luto sabe como é difícil este momento. Como é difícil aceitar e retomar a vida. Ele me deixou uma filha linda, de seis anos e é por ela que devo continuar lutando todos os dias. Eu achei, num primeiro momento, que jamais conseguiria escrever de novo. Afinal, ele era meu maior fã, meu crítico, meu revisor, meu vendedor e marqueteiro. Era o maior entusiasta da minha arte. Lia todos os meus textos, todos os artigos, indicava o que mudar, o que aprimorar. Como continuar sem ele? Sem seu apoio, sem sua companhia?
Hoje olho para Refúgio, meu terceiro livro, ainda inacabado, que ele nunca irá ler e sinto o coração apertar, as lágrimas encherem meus olhos.
Muitos amigos e familiares tentam me consolar, animar, apoiar. É claro que jamais será o mesmo. Mas dentre tantos conselhos que ouvi, houve um que me fez refletir, um amigo me aconselhou: “Tenta pensar no que ele ensinou de bom pra você.”
Mauricio me ensinou muitas coisas, mas dentre todas elas, uma foi muito especial: Ele me ensinou a sonhar e a correr atrás desses sonhos. Ele me ensinou que o que realmente importa nesta vida é ser feliz fazendo o que se ama. E é o que muitos amigos têm afirmado para mim e que tem me dado muita força neste momento é que Mauricio estava profundamente feliz pela primeira vez na vida. Fazia o que amava, morava numa cidade que ele adorava e tinha uma família que ele amava muito e que o amava na mesma medida.

É por isso que eu me propus a não desistir. Ele não iria querer que eu desistisse. Vou continuar a escrever, a viver o meu sonho. A literatura sempre foi um alento para mim. Agora será ainda mais. E sei que onde quer que ele esteja, continuará torcendo por mim e me inspirando a escrever lindas histórias de amor, pois só pode escrever uma história de amor quem viveu uma intensamente e eu, graças a Deus, tive a oportunidade de viver uma com o Mauricio, a maior e a mais definitiva da minha vida.