junho 3

Conto do Fantastiverso: Capítulo 4

Sei que essa semana a postagem do conto atrasou um pouquinho, mas enfim, aí está ela, mesclando personagens de Limiar de minha autoria (Elaine Velasco) e Insônia de Mari Scotti.

Capítulo 4
            Samael sabia que não seria fácil convencer o caído a se juntar a ele, mas tinha um trunfo em suas mãos e o usaria a seu favor caso fosse necessário.    
            Pietro era um dos mais novos anjos caídos enviados pelo próprio Lúcifer para corromper a alma de uma garota nefilim, mas fraco como a maioria, deixou-se influenciar pela vingança e o ódio que tinha pelo irmão Pierre. Apesar dos anos de reclusão após sua queda, Samael ouvia historias e conhecia muito bem as fraquezas dos anjos para saber que Pietro aceitaria unir-se a ele contra a nefilim, o anjo e seu Pai.
            O jovem anjo estava sentado no lado norte do Museu do Ipiranga, observando a lua cheia que iluminava a cidade de São Paulo. Não possuía asas, mas tinha um dom especial para conseguir se deslocar até ali. Com a possibilidade de se exibir, Samael sobrevoou o local até que fosse visto pelo caído e só então pousou ao lado dele, no telhado.
            Pietro, um moreno sisudo com feições italianas, levantou-se e o encarou. Tinha escoriações no rosto e lábios, bem como nas mãos, indicando um confronto recente.
             O que é você? — questionou ao notar as asas cinzentas, diferentes das dos anjos que conhecia.
             Samael. Sou um jinni — explicou, aguardando para ver seu semblante mudar ao reconhecê-lo. Pietro conhecia as historias dos que foram lançados junto com Lúcifer, mas que não queriam segui-lo, ficando exilados de ambos os lados. Porém, o caído não sabia que eles ainda possuíam asas e o invejou. Samael sorriu vangloriando-se e pôs-se a falar. — Sabe a que vim, caído?
             Não — Pietro o analisou. Samael fazia-o se recordar de seu irmão. Tinha modos um tanto rudes e a arrogância estava presente em seu sorriso. Quis dar-lhe as costas e voltar à melancolia de não saber como manchar a alma de Suzanna agora que estava apaixonado, mas manteve o olhar no dele.
             Uma guerra está para acontecer. Estou reunindo meus filhos e vim oferecer-lhe um lugar em meu exército; a meu lado.
             Uma guerra? E a quem você serve? A Lúcifer? — desdenhou.
             Não necessariamente. 
             Eu não sirvo a mais ninguém. Apenas a mim mesmo, não pretendo entrar em mais nenhuma contenda — deu as costas ao jinni e suspirou, sentando-se à beirada do telhado, olhando abaixo o Museu se estendendo, silencioso devido à madrugada.
             Tampouco eu sirvo a senhor algum. Mas lhe asseguro que temos inimigos em comum e apenas isso, creio ser o suficiente para nos unir. Tempos sombrios se aproximam e é importante criar alianças.
            — Inimigos em comum? A quem se refere?
— Creio que sabe de quem estou falando — disse, erguendo a sobrancelha esquerda. — Acaso não ouviu falar de Noah, o nefilim?
— O que tenho eu a ver com isso?  
            — Ora, então não sabes que Pierre é o responsável por tomar conta do moleque?
Pietro virou o rosto fitando-o. Todos os desejos mortíferos contra o irmão brotando de uma só vez em sua mente. Pensou em Veronique e também em Suzanna e se ergueu, ainda encarando Samael.
             Não quero a morte de meu irmão — proferiu entre dentes, enquanto Samael sorria maliciosamente, aguardando o desfecho daquelas palavras. — Quero que ele sofra. Muito.
             O que você quiser — respondeu o anjo da morte. — Eu só quero o maldito nefilim.
            Estendeu a mão para selar aquela promessa. Pietro hesitou por um instante, mas a apertou firmemente. Assim que Samael desapareceu, questionou-se em que havia se metido. Só dava passos errados desde que se apaixonou por aquela maldita humana.
            Não muito longe dali, Pierre ouvira tudo e sabia que teria uma árdua tarefa pela frente. Tinha esperanças em resgatar seu irmão e até aquele momento acreditava que Pietro havia mudado, afinal, não obrigara Suzanna a pecar em nenhum momento, mesmo tendo chances. Agora, começava a acreditar que os planos de Pietro eram, na verdade, confundi-lo e fazer com que baixasse sua guarda. Precisava avisar seus superiores, mas sem alarde, ou a guerra seria facilmente vencida… pelo lado errado.

junho 3

Conto do Fantastiverso: Capítulo 4

Sei que essa semana a postagem do conto atrasou um pouquinho, mas enfim, aí está ela, mesclando personagens de Limiar de minha autoria (Elaine Velasco) e Insônia de Mari Scotti.

Capítulo 4
            Samael sabia que não seria fácil convencer o caído a se juntar a ele, mas tinha um trunfo em suas mãos e o usaria a seu favor caso fosse necessário.    
            Pietro era um dos mais novos anjos caídos enviados pelo próprio Lúcifer para corromper a alma de uma garota nefilim, mas fraco como a maioria, deixou-se influenciar pela vingança e o ódio que tinha pelo irmão Pierre. Apesar dos anos de reclusão após sua queda, Samael ouvia historias e conhecia muito bem as fraquezas dos anjos para saber que Pietro aceitaria unir-se a ele contra a nefilim, o anjo e seu Pai.
            O jovem anjo estava sentado no lado norte do Museu do Ipiranga, observando a lua cheia que iluminava a cidade de São Paulo. Não possuía asas, mas tinha um dom especial para conseguir se deslocar até ali. Com a possibilidade de se exibir, Samael sobrevoou o local até que fosse visto pelo caído e só então pousou ao lado dele, no telhado.
            Pietro, um moreno sisudo com feições italianas, levantou-se e o encarou. Tinha escoriações no rosto e lábios, bem como nas mãos, indicando um confronto recente.
             O que é você? — questionou ao notar as asas cinzentas, diferentes das dos anjos que conhecia.
             Samael. Sou um jinni — explicou, aguardando para ver seu semblante mudar ao reconhecê-lo. Pietro conhecia as historias dos que foram lançados junto com Lúcifer, mas que não queriam segui-lo, ficando exilados de ambos os lados. Porém, o caído não sabia que eles ainda possuíam asas e o invejou. Samael sorriu vangloriando-se e pôs-se a falar. — Sabe a que vim, caído?
             Não — Pietro o analisou. Samael fazia-o se recordar de seu irmão. Tinha modos um tanto rudes e a arrogância estava presente em seu sorriso. Quis dar-lhe as costas e voltar à melancolia de não saber como manchar a alma de Suzanna agora que estava apaixonado, mas manteve o olhar no dele.
             Uma guerra está para acontecer. Estou reunindo meus filhos e vim oferecer-lhe um lugar em meu exército; a meu lado.
             Uma guerra? E a quem você serve? A Lúcifer? — desdenhou.
             Não necessariamente. 
             Eu não sirvo a mais ninguém. Apenas a mim mesmo, não pretendo entrar em mais nenhuma contenda — deu as costas ao jinni e suspirou, sentando-se à beirada do telhado, olhando abaixo o Museu se estendendo, silencioso devido à madrugada.
             Tampouco eu sirvo a senhor algum. Mas lhe asseguro que temos inimigos em comum e apenas isso, creio ser o suficiente para nos unir. Tempos sombrios se aproximam e é importante criar alianças.
            — Inimigos em comum? A quem se refere?
— Creio que sabe de quem estou falando — disse, erguendo a sobrancelha esquerda. — Acaso não ouviu falar de Noah, o nefilim?
— O que tenho eu a ver com isso?  
            — Ora, então não sabes que Pierre é o responsável por tomar conta do moleque?
Pietro virou o rosto fitando-o. Todos os desejos mortíferos contra o irmão brotando de uma só vez em sua mente. Pensou em Veronique e também em Suzanna e se ergueu, ainda encarando Samael.
             Não quero a morte de meu irmão — proferiu entre dentes, enquanto Samael sorria maliciosamente, aguardando o desfecho daquelas palavras. — Quero que ele sofra. Muito.
             O que você quiser — respondeu o anjo da morte. — Eu só quero o maldito nefilim.
            Estendeu a mão para selar aquela promessa. Pietro hesitou por um instante, mas a apertou firmemente. Assim que Samael desapareceu, questionou-se em que havia se metido. Só dava passos errados desde que se apaixonou por aquela maldita humana.
            Não muito longe dali, Pierre ouvira tudo e sabia que teria uma árdua tarefa pela frente. Tinha esperanças em resgatar seu irmão e até aquele momento acreditava que Pietro havia mudado, afinal, não obrigara Suzanna a pecar em nenhum momento, mesmo tendo chances. Agora, começava a acreditar que os planos de Pietro eram, na verdade, confundi-lo e fazer com que baixasse sua guarda. Precisava avisar seus superiores, mas sem alarde, ou a guerra seria facilmente vencida… pelo lado errado.