abril 23

Não crie expectativas demais

Já mencionei em uma postagem anterior neste blog, a quantidade de autores iniciantes que tenho conhecido e quantos deles tenho visto desanimar e desistir da carreira de escritor. Se você for perguntar a eles, darão a você mil justificativas: o Brasil não é um país de leitores, não se apoia a Literatura Nacional, o livro é caro, as editoras não divulgam direito e só nos exploram, etc, etc, etc. Tá, isso tudo realmente é verdade, mas não é o verdadeiro motivo que os faz desanimarem e desistirem, isso é o que eles dizem a si mesmos e ao público para convencerem-se a si próprios. A verdade é que, via de regra, a culpa é deles mesmos. E sabe por que? Porque criam expectativas demais.
Muitos acham que seu livro é uma obra-prima repleta de originalidade e que em apenas um mês, mesmo sem apoio, sem revisão ou uma divulgação decentes, ele vai bombar! Que ele se tornará o novo Paulo Coelho ou até mesmo a nova J. K. Rowling. Gente, pensa comigo: Um professor, faz uma faculdade de 4 anos para poder ingressar na carreira, um médico, no mínimo 6 e um advogado, 5. Por que raios algumas pessoas acham que a carreira de escritor se faz em um mês? Por que tantas pessoas se acham “iluminadas” a ponto de explodirem com um livro prodígio?
As coisas não são assim. É preciso pé no chão, ou o que fatalmente acontecerá é que terá seus sonhos destroçados e será mais um a desistir. Volto a insistir: a carreira de escritor demanda tempo, dedicação e esforço, não é algo que acontece instantaneamente.
Alguns me dirão: mas J K Rowling, Stephenie Meyer e E L James estouraram com o primeiro livro! Sim, isso é verdade, mas o mercado internacional é muito diferente do nosso. Lá, os autores iniciantes contam com a ajuda (e o crivo) de um agente literário e com o trabalho de editores sérios e competentes que realmente editam os livros, sugerem mudanças e alterações para que o livro de fato venda. Além disso, só estamos vendo a situação agora que elas já são um sucesso, mas não sabemos tudo pelo que passaram até chegar lá. Garanto que não foi fácil nem instantâneo. O próprio Paulo Coelho – que você pode até não gostar, mas tem que dar o braço a torcer e concordar que o cara é milionário e seus livros já foram traduzidos para diversas línguas – chegou a renegar seu primeiro livro (O Manual Prático do Vampirismo), devido ao fracasso de vendas que ele foi. Seu segundo livro, O Diário de um mago, também não foi um sucesso imediato. Sua primeira edição, feita por uma editora média vendeu muito pouco. Sua carreira só deslanchou quando ele conseguiu uma editora maior, que reeditou o livro. Lembre-se ainda que ele não era um ilustre desconhecido quando iniciou, ele já conhecia muita gente influente devido a anos de parceria com o Raul Seixas. Agora veja bem, você lançou seu livro há 6 meses, é um anônimo que publicou por uma editora pequena e está reclamando por que seu livro não “aconteceu” como você queria?  
Vou falar da minha própria experiência para elucidar o fato: Quando comecei a escrever Limiar, não pensava muito em publicá-lo, era apenas uma terapia recomendada pelo meu psicólogo como auxílio no meu problema de compulsão alimentar. Depois, comecei a sonhar um pouco mais alto e a pensar em publicá-lo para meus alunos, foi nessa fase que decidi ambientá-lo em minha cidade para que eles se identificassem mais com a história. Em seguida, preocupei-me em construir um enredo para quem não estava habituado a ler, principalmente Fantasia. A minha meta era escrever um livro que despertasse em meus alunos o gosto pela leitura e poder discutir com eles as impressões que tiveram sobre a história. Quando uma editora se interessou por Limiar, mal pude acreditar. Fiquei muito feliz com isso e logo comecei a imaginar como divulgaria e trabalharia com meu livro aqui na minha região. Entretanto, logo o livro começou a chamar atenção na internet e nas redes sociais e quando dei por mim, Limiar estava “correndo” o Brasil. Apenas seis meses depois, consegui uma nova Editora que me ofereceu condições melhores para publicar meu segundo livro, o que corroborou meu trabalho de forma muito satisfatória. Resumindo: apenas 10 meses após seu lançamento, Limiar já superou todas as minhas expectativas, tanto, que hoje invisto na carreira de escritora como algo sólido, algo que jamais imaginava fazer há cerca de um ano atrás, quando finalizei minha história. Limiar não é um Best-seller, tampouco uma obra-prima. Porém, ele já me ensinou muita coisa, dentre elas a ter humildade, manter os pés no chão – sem deixar é claro de sonhar – e principalmente a não desistir, nunca.
Para finalizar, quero deixar uma frase que meu pai sempre repete pra mim: Se for pra criar alguma coisa, crie peixe e não expectativa! 




Elaine Velasco é autora da série Limiar, cujo primeiro volume foi publicado pela Editora Dracaena e o segundo volume, intitulado Abismo será lançado ainda neste ano pela Editora Literata.
Para acompanhar mais postagens de Elaine Velasco, acesse: elainevelasco.blogspot.com.br


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Posted 23 de abril de 2013 by Hermes Lourenço in category "Dicas Sobre A Escrita", "Elaine Velasco", "novos autores

2 COMMENTS :

  1. By Hermes M. Lourenço on

    Pois é Elaine… Sábias palavras. Isso me faz lembrar uma de minhas postagens anteriores sobre os sete pecados capitais do escritor: Dentre eles: Todo escritor acha que seu primeiro livro é um best seller. Adorei a postagem! Espero que continue nos brindando com conteúdos de excelentíssimo nivel como o que acabou de postar. Um forte abraço!

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    1. By Elaine Velasco on

      Obrigada Hermes, seu convite para que eu ajudasse aqui no blog veio em boa hora, pois minha mente anda fervilhando com essas coisas todas, rs.
      Abraço, amigo!

      Reply

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