abril 27

AMNÉSIA

Olá amigos do blog! Antes de começar o conto, gostaria de dividir com vocês, um pouquinho de como esta estória nasceu. Na verdade tenho um grande amigo e ao mesmo tempo, fã de minhas obras que propôs um desafio. Criar um suspense em plena praia a luz do dia e no máximo com 3 páginas… Como adoro desafios, decidi presenteá lo com a estória abaixo. 
Será que nos “Hospícios” todos os pacientes são verdadeiramente “Loucos” ?
Hermes M. Lourenço



“A esperança renova a alma.”
Eram palavras que não saiam de meus pensamentos, enquanto sentado na areia da praia sentia o ardor do sol radiante em minha pálida face, que se acalentava ritmicamente com a suave brisa marítima.
Sentia-me como um vampiro resistente a exposição solar.
Não tinha um corpo atlético, ainda mais depois de me alimentar mal por duas semanas, que se agravava pelo uso de diversas medicações. Queria lembrar-me de tudo, mas não conseguia e algo me afligia.
Tudo incomodava, mas a sensação agradável dos dedos dos pés remexendo a fria areia da praia fazia com que minha bateria se revigorasse por completo, mesmo em meio a minha juventude plena e voraz.
A praia estava com pouco movimento. Eventualmente algumas garotas, passavam como se estivessem desfilando em uma passarela. Emanavam uma beleza irradiante, onde algumas vezes conseguia flagrar algum olhar sorrateiro, ainda que interrompido, pelos vendedores ambulantes que exibiam seus produtos e colocavam em transe as poucas clientes que transitavam pela praia.
O sol estava a pique. Respirava a esperança mesclada com a oportunidade de um novo recomeço que não tardariam em chegar.
Foi então que percebi que uma linda mulher se aproximou com um olhar angelical, estendendo a toalha de praia bem ao meu lado.
“Incomodo-lhe se ficar aqui perto de você?” – perguntou com uma voz encantadora enquanto eu observava as curvas perfeitamente geométricas que iam do glúteo ao busto, capazes de entorpecer o olhar de qualquer homem que por ali passasse. A pele morena e o cabelo loiro ondulado conferiam-lhe uma beleza divina contrastando o céu com o azul dos olhos. Era a beleza da criação se manifestando em forma viva ao meu lado.
“Claro!” – foram as primeiras estupidas palavras que passaram em minha mente… Respondi gaguejando.
Nem mesmo as sirenes da policia que percorriam a Avenida Atlântica eram capazes de tirar minha concentração diante de tamanha beleza.
“Nada melhor do que dar uma fugidinha para curtir a vida!” – insinuou ela com um olhar provocador.
“O que você faz?” – perguntei na tentativa de uma abordagem mais direta deixando as cerimônias de lado.
“Sou estrategista. Apaixonada por lógica sequencial” – respondeu calmamente.
Senti que estava ao lado de uma astronauta ou algo semelhante. De qualquer forma aquela mulher parecia ser extremamente inteligente e havia algo de familiar em que naquele momento, eu era incapaz de lembrar.
“Vamos mergulhar?” – perguntou-me com o olhar provocador. “Odeio entrar na água sozinha!” – exclamou enquanto prendia os cabelos ondulados e exalava o feromônio que me levava a submissão completa.
Percebi que ela não era de muita conversa e como era estrategista, certamente já conhecia minhas segundas intenções.
“Ótima ideia! Estou precisando me refrescar”. – respondi calmamente.
Ela levantou-se rindo. Segurou minhas mãos enquanto caminhávamos para o mar. Tinha a sensação contínua de que a conhecia de algum lugar.
Percebi que as poucas pessoas que estavam na praia me observavam como se houvesse algo de errado. Porém, compreendia perfeitamente a indignação e inveja dos poucos homens que caminhavam pela praia e cobiçavam minha musa que eu acabara de descobrir.
Enquanto caminhava para a praia percebi que um homem nos seguia em direção ao mar. Talvez entrar no mar ao meu lado fosse uma forma de se safar da perseguição de um ex-namorado inconformado.
Assim que senti a água do mar nivelar com minha cintura, com um olhar sereno ela me disse:
“Preciso de sua ajuda. Estou sendo perseguida pelo meu ex-marido. É aquele homem ali atrás. Ele me ameaçou dizendo que meus dias estão contados. Não tive escolha se não me aproximar de você, achando que ele fosse se afastar…” – respondeu-me com os olhos marejados.
“Não se preocupe. Você não está sozinha.” – disse confortando-a ao mesmo tempo em que sentia meu sangue fervia quando vi que aquele sujeito não parava de nos fitar.
“O que foi!” – esbravejei olhando para um indivíduo de aproximadamente 30 anos, cabelos curtos e com uma tatuagem de dragão sobre a pele morena destacando-se no ombro direito.
“O que foi o que? Se tá louco cara! Se tá procurando confusão, vou lhe ensinar a não mexer com a mulher dos outros!.” – gritou nos desrespeitando.
Não podia deixar barato a situação. Foi então que a mulher com olhar angelical puxou o cabelo ao lado revelando que a orelha direita havia sido extirpada.
“Foi ele quem fez isso… Carregarei essa mágoa por toda minha vida”.
Perdi totalmente o controle quando vi a maldade que aquele miserável havia feito com a pobre e mulher. Ninguém destrói a vaidade de uma mulher e sai impune. Não pensei duas vezes… Me aproximei daquele maldito e consegui dar-lhe uma gravata e mergulhamos no mar. Ele se debatia como um peixe fora d’água, até que após alguns minutos de privação do oxigênio, percebi que o corpo se relaxou totalmente. Era o fim de mais um maníaco.
Assim que saí da água, notei que aquela linda mulher havia desaparecido. Foi um salva vidas se aproximando.
Corri em direção a praia. Não compreendia o que estava acontecendo. Olhava para os lados a procura daquela mulher e não a encontra. Sentei-me na areia e vi que o salva vidas tentava reanimar aquele sujeito. Minutos depois, senti uma forte descarga elétrica percorrer meu corpo até que fui totalmente imobilizado pelos policiais que exibiam seus teasers em punho.
Algum tempo depois já estava dentro da viatura. Foi quando mais uma vez vi no horizonte a imagem daquela exuberante mulher conversando com um flanelinha. Nesse momento a viatura começou a se movimentar e foi a última vez que a vi…
“Obrigada…” – disse a linda mulher com uma voz encantadora, exibindo curvas perfeitamente geométricas capazes de inebriar os olhares de qualquer homem que por ali passasse. A pele morena e o cabelo loiro ondulado conferiam-lhe uma beleza majestosa que se destacava com o azul dos olhos.
“Não há de que. Estamos aqui para isso! A propósito, eu te conheço de algum lugar?” – perguntou o flanelinha.
“Sim… Da televisão. Sou neuropsiquiatra. Meu marido a alguns anos atrás enlouqueceu alegando que eu queria ficar com o seguro. Porém, em um determinado dia ele teve um surto psicótico onde ele cortou as próprias orelhas e tentou me matar.” – respondeu tirando uma nota de cinquenta reais da bolsa de praia.
“Deve ser difícil para a senhora, uma médica, assistir seu marido terminar assim…”.
“Pois é… Lamentável. Ao menos consegui recompor minha vida com o auxílio do seguro que ele deixou. Isso me ajudou em meu segundo casamento.” – respondeu a linda mulher com um sorriso irônico.
“Senhora!” – exclamou o flanelinha – “Obrigado pela gorjeta!” – respondeu olhando hipnotizado para a imagem da onça pintada gravada na nota de cinquenta.
“Não há de que!” – respondeu a médica entrando em um luxuoso BMW estacionado na orla marítima.
Assim que entrou no luxuoso veículo, destacavam-se espalhados sobre o banco trazeiro artigos de própria autoria em substâncias indutoras de esquizofrenia bem como diversos livros de lógica sequencial.
Ela jogou a bolsa de praia suja de areia sobre as publicações, até que alguns minutos depois o silêncio foi interrompido pelo toque do celular.
“Dra. Ana?”
“Sim. Em que posso ajuda-la?”
“Doutora Ana! É Bianca quem está falando, sua nova secretária. Não sei nem como lhe dizer, mas a polícia acabou de ligar dizendo que seu marido acabou de falecer. Parece que seu ex fugiu do manicômio e afogou seu marido na praia. Mas ele já foi preso e devolvido a ala psiquiatrica.”
Sem dizer nada, desligou o celular. Mentalmente era capaz de visualizar o funeral de um empresário que deixava diversas empresas para se administrar.
Enquanto dirigia e exibia sua tatuagem de dragão no braço direito. Riu quando lembrou que todos desconheciam o vultoso seguro que havia sido feito à alguns anos atrás.
abril 23

Não crie expectativas demais

Já mencionei em uma postagem anterior neste blog, a quantidade de autores iniciantes que tenho conhecido e quantos deles tenho visto desanimar e desistir da carreira de escritor. Se você for perguntar a eles, darão a você mil justificativas: o Brasil não é um país de leitores, não se apoia a Literatura Nacional, o livro é caro, as editoras não divulgam direito e só nos exploram, etc, etc, etc. Tá, isso tudo realmente é verdade, mas não é o verdadeiro motivo que os faz desanimarem e desistirem, isso é o que eles dizem a si mesmos e ao público para convencerem-se a si próprios. A verdade é que, via de regra, a culpa é deles mesmos. E sabe por que? Porque criam expectativas demais.
Muitos acham que seu livro é uma obra-prima repleta de originalidade e que em apenas um mês, mesmo sem apoio, sem revisão ou uma divulgação decentes, ele vai bombar! Que ele se tornará o novo Paulo Coelho ou até mesmo a nova J. K. Rowling. Gente, pensa comigo: Um professor, faz uma faculdade de 4 anos para poder ingressar na carreira, um médico, no mínimo 6 e um advogado, 5. Por que raios algumas pessoas acham que a carreira de escritor se faz em um mês? Por que tantas pessoas se acham “iluminadas” a ponto de explodirem com um livro prodígio?
As coisas não são assim. É preciso pé no chão, ou o que fatalmente acontecerá é que terá seus sonhos destroçados e será mais um a desistir. Volto a insistir: a carreira de escritor demanda tempo, dedicação e esforço, não é algo que acontece instantaneamente.
Alguns me dirão: mas J K Rowling, Stephenie Meyer e E L James estouraram com o primeiro livro! Sim, isso é verdade, mas o mercado internacional é muito diferente do nosso. Lá, os autores iniciantes contam com a ajuda (e o crivo) de um agente literário e com o trabalho de editores sérios e competentes que realmente editam os livros, sugerem mudanças e alterações para que o livro de fato venda. Além disso, só estamos vendo a situação agora que elas já são um sucesso, mas não sabemos tudo pelo que passaram até chegar lá. Garanto que não foi fácil nem instantâneo. O próprio Paulo Coelho – que você pode até não gostar, mas tem que dar o braço a torcer e concordar que o cara é milionário e seus livros já foram traduzidos para diversas línguas – chegou a renegar seu primeiro livro (O Manual Prático do Vampirismo), devido ao fracasso de vendas que ele foi. Seu segundo livro, O Diário de um mago, também não foi um sucesso imediato. Sua primeira edição, feita por uma editora média vendeu muito pouco. Sua carreira só deslanchou quando ele conseguiu uma editora maior, que reeditou o livro. Lembre-se ainda que ele não era um ilustre desconhecido quando iniciou, ele já conhecia muita gente influente devido a anos de parceria com o Raul Seixas. Agora veja bem, você lançou seu livro há 6 meses, é um anônimo que publicou por uma editora pequena e está reclamando por que seu livro não “aconteceu” como você queria?  
Vou falar da minha própria experiência para elucidar o fato: Quando comecei a escrever Limiar, não pensava muito em publicá-lo, era apenas uma terapia recomendada pelo meu psicólogo como auxílio no meu problema de compulsão alimentar. Depois, comecei a sonhar um pouco mais alto e a pensar em publicá-lo para meus alunos, foi nessa fase que decidi ambientá-lo em minha cidade para que eles se identificassem mais com a história. Em seguida, preocupei-me em construir um enredo para quem não estava habituado a ler, principalmente Fantasia. A minha meta era escrever um livro que despertasse em meus alunos o gosto pela leitura e poder discutir com eles as impressões que tiveram sobre a história. Quando uma editora se interessou por Limiar, mal pude acreditar. Fiquei muito feliz com isso e logo comecei a imaginar como divulgaria e trabalharia com meu livro aqui na minha região. Entretanto, logo o livro começou a chamar atenção na internet e nas redes sociais e quando dei por mim, Limiar estava “correndo” o Brasil. Apenas seis meses depois, consegui uma nova Editora que me ofereceu condições melhores para publicar meu segundo livro, o que corroborou meu trabalho de forma muito satisfatória. Resumindo: apenas 10 meses após seu lançamento, Limiar já superou todas as minhas expectativas, tanto, que hoje invisto na carreira de escritora como algo sólido, algo que jamais imaginava fazer há cerca de um ano atrás, quando finalizei minha história. Limiar não é um Best-seller, tampouco uma obra-prima. Porém, ele já me ensinou muita coisa, dentre elas a ter humildade, manter os pés no chão – sem deixar é claro de sonhar – e principalmente a não desistir, nunca.
Para finalizar, quero deixar uma frase que meu pai sempre repete pra mim: Se for pra criar alguma coisa, crie peixe e não expectativa! 




Elaine Velasco é autora da série Limiar, cujo primeiro volume foi publicado pela Editora Dracaena e o segundo volume, intitulado Abismo será lançado ainda neste ano pela Editora Literata.
Para acompanhar mais postagens de Elaine Velasco, acesse: elainevelasco.blogspot.com.br
abril 16

Lançamento livro A Conspiração Vermelha

Olá Amigos do Blog!

Hoje estou passando por aqui, para dividir com vocês um pouco do lançamento do livro A Conspiração Vermelha.
O evento foi realizado na livraria leitura do BH Shopping, aqui em Belo Horizonte no dia 13 de Abril de 2013.
Muitos amigos e leitores estiveram presentes, entre eles o autor Ledinilson Moreira que estava divulgando seus livros: Portais e Recomeço.
Foi uma tarde saborizada com vinho, queijo, água, refrigerante e é claro: meu novo livro.
Senti uma imensa satisfação em dividir espaço com os leitores e perceber o quanto meu trabalho está sendo tão bem acolhido.
Em especial aproveito para agradecer a Paola Patrício – blog plantão on-line – que esteve presente durante todo o lançamento em prestigio aos autores e a nova literatura nacional.
Um forte abraço a todos!

 


abril 16

Narração em Primeira e Terceira Pessoa

Tenho percebido que muitas pessoas ainda têm dificuldade em diferenciar uma narração em primeira pessoa de uma narração em terceira pessoa, por isso, decidi escrever esse artigo aqui, afim de tentar lançar um pouco de luz sobre esse assunto e ainda discutir os prós e os contras de cada tipo. Primeiro, vamos à diferenciação entre elas e suas subdivisões:

Narrador


Derivado do latim narro  (dar a conhecer, tornar conhecido). É aquele que transmite a mensagem da narrativa. Quem conta a história.
A narração pode ser feita em primeira ou em terceira pessoa, sendo assim podemos classificar os narradores como narrador em 1ª pessoa e narrador em 3ª pessoa.
Narrador em primeira pessoa
Narrador personagem: além de contar a história em primeira pessoa, faz parte dela, sendo por isso chamado de personagem. É marcado por características subjetivas, opiniões em relação aos fatos ocorridos, sendo assim uma narrativa parcial, já que não se pode enxergar nenhum outro ângulo de visão. A narrativa é dotada de características emocionais daquele que narra. Esse tipo de personagem tem visão limitada dos fatos, de modo que isso pode causar um clima de suspense na narrativa. O leitor vai fazendo suas descobertas ao longo da história junto com a personagem.
NARRADOR PROTAGONISTA: o narrador é a personagem principal da história. Todos os acontecimentos giram em torno de si mesmo, e por isso a narrativa é a mais impregnada de subjetividade. O leitor é induzido a compartilhar dos sentimentos de satisfação ou insatisfação vividos pela personagem, o que dificulta ainda mais a visão geral da história.
NARRADOR COMO TESTEMUNHA: É uma das personagens que vivem a história contada, mas não é a personagem principal. Também registra os acontecimentos sob uma ótica individual, mas como é personagem secundário da trama não há uma sobrecarga de emoções na narração.
Narrador em terceira pessoa
Narrador onisciente: É aquele que sabe de tudo. Há vários tipos de narrador onisciente, mas podemos dizer que são chamados assim porque conhecem todos os aspectos da história e de seus personagens. Pode por exemplo descrever sentimentos e pensamentos das personagens, assim como pode descrever coisas que acontecem em dois locais ao mesmo tempo.
NARRADOR ONISCIENTE NEUTRO: Relata os fatos e descreve as personagens, mas não influencia o leitor com observações ou opiniões a respeito das personagens. Fala somente dos fatos indispensáveis para a boa compreensão da narrativa.
NARRADOR ONISCIENTE SELETIVO: Narra os fatos sempre com a preocupação de relatar opiniões, pensamentos e impressões de uma ou mais personagens, influenciando assim o leitor a se posicionar a favor ou contra eles.
Narrador observador: é o que presencia a história, mas ao contrário do onisciente não tem a visão de tudo, mas apenas de um ângulo. Comporta-se como uma testemunha dos fatos relatados, mas não faz parte de nenhum deles, e a sua única atitude é a de reproduzir as ações que enxerga a partir do seu ângulo de visão. Não participa das ações nem tem conhecimento a respeito da vida, pensamentos, sentimentos ou personalidade das personagens.
Fonte: http://www.infoescola.com/redacao/tipos-de-narrador/
E aí, deu pra entender mais ou menos as diferenças? Bem, isto posto, vamos discutir as vantagens e as desvantagens de cada tipo de narração.
Narração em primeira pessoa: A vantagem ao se usar esse tipo de narração, é que o leitor se sentirá mais “envolvido” com a personagem que narra, por partilhar com ela seus sentimentos, emoções e impressões, portanto, será mais fácil criar uma empatia por ela. Entretanto, daí deriva a primeira desvantagem desse tipo de narração: Se o leitor achar a personagem/narradora odiosa, ele dificilmente irá prosseguir com a leitura, por não concordar com a “visão de mundo” da personagem. Outra desvantagem, é que não se poderá narrar cenas aonde a personagem não esteja presente, tampouco narrar os sentimentos e pensamentos das outras personagens, apenas poderá narrar-se a impressão que a narradora tem acerca desses assuntos.
Narração em terceira pessoa: A vantagem desse tipo de narração é que o autor torna-se mais “livre”, podendo narrar cenas independentes, bem como sentimentos e pensamentos de inúmeras personagens, de modo que, se o leitor não se identificar com o protagonista, ele poderá se envolver com algum personagem secundário ou ainda apenas com situações ocorridas. A desvantagem é que esse tipo de narração torna o leitor mais “distante”, é mais difícil para ele sentir “dentro” da história ou “na pele” do protagonista. 
Certa vez, acompanhei uma palestra com o editor da Tarja, e o questionei sobre esse assunto. Perguntei-lhe, se na opinião dele, era mais fácil trabalhar com a narração em primeira ou em terceira pessoa. Ele me disse que atualmente os escritores tem optado por trabalhar mais com a narração em primeira pessoa, embalados pelo recente sucesso de livros que utilizam esse artifício, entretanto, ele julga que isso é um equívoco, pois a narração em primeira pessoa é muito mais difícil, pois a construção da personagem deve ser feita de forma meticulosa e suas impressões sobre o mundo e as pessoas, muito bem exploradas, algo que um escritor iniciante com certeza terá dificuldade em fazer. Também acompanhei uma entrevista certa vez com Stephenie Meyer, autora da série Crepúsculo e ao ser perguntada se guardava algum arrependimento sobre a série, ela declarou: Arrependo-me apenas de tê-lo escrito em primeira pessoa, pois não pude explorar os sentimentos e pensamentos dos outros persongens como eu queria. 
Meu primeiro livro publicado, Limiar – Entre o céu e o inferno, é narrado em terceira pessoa, pois de fato, julguei esse tipo de narração mais adequado para o que eu queria. Entretanto, no momento, trabalho num outro livro, no qual uso narração em primeira pessoa. Diante de minhas experiências, posso afirmar que cada tipo de narração deve ser utilizado de acordo com o que se pretende atingir, tendo cada uma suas vantagens, desvantagens e regras, cabendo a cada autor saber pesá-las bem.
E você? O que acha?
Para acompanhar mais postagens de Elaine Velasco, acesse: elainevelasco.blogspot.com.br
abril 9

Autor x Escritor

Olá queridos leitores, é com muito prazer que hoje inicio minhas postagens aqui no blog a convite do queridíssimo Hermes Lourenço. Espero que gostem!!!

Dia desses, eu estava conversando com um editor sobre a diferença entre um autor e um escritor. A conversa começou porque ele estava se queixando de autores que iniciaram séries ou em quem ele investiu forte em divulgação e que após decorridos anos, jamais escreveram uma linha sequer novamente. Fiquei refletindo nessa questão por longo tempo e devido a isso, decidi partilhar esse artigo com vocês.
Para começar, fui buscar no dicionário a definição de cada termo:
Significado de Autor
s.m. Aquele que está na origem de, que é a causa de: o autor de uma invenção.
Aquele que é responsável: o autor de um crime.
Aquele que faz uma obra literária, científica, artística.
Fonte: http://www.dicio.com.br/autor/

Significado de Escritor

s.m. Autor de livros literários ou científicos.
Fonte: http://www.dicio.com.br/escritor/
Perceba que o próprio dicionário já faz distinção entre um e outro, exatamente como afirmou meu amigo editor. Autor é aquele que faz UMA obra literária. Escritor é aquele que é autor de LIVROS ( no plural). Ou seja, há uma clara distinção entre um autor – aquele que escreve um livro – e um escritor, aquele que escreve diversos livros.
Mas por que eu quero tocar nesse assunto? Veja bem caro leitor que acompanha esta coluna, quero levá-lo a se perguntar: quero ser um autor ou quero ser um escritor?
E aí você mais uma vez se perguntará: mas que importância tem isso? Ah caro leitor, isso faz diferença sim, e muita!
“Andando” por esse meio literário, tenho conhecido diversos autores e alguns escritores e percebo neles, clara distinção. Há aquele, que acredita ter escrito a obra de sua vida, a sua obra-prima, e com isso está satisfeito, com isso já se sente realizado. Ele gestou e preparou uma história a sua vida inteira e quando finalmente a publicou, deu seu sonho, o de partilhá-la com outras pessoas, como realizado. O escritor é aquele ser inquieto, que não consegue viver sem escrever, sem produzir, é aquele que não dorme, pois tem o pensamento continuamente povoado por histórias, personagens e diálogos clamando para “sair”. O escritor, escreve por necessidade, por paixão, a escrita para ele é um estilo de vida. Se viver 100 anos e durante eles contar 1000 histórias, ele não se dará por satisfeito, acreditará ainda não ter cumprido sua tarefa. Tudo lhe inspira, faz sua mente fervilhar. Às vezes, tem um sonho magnífico, que anota no papel de pão por falta de lugar melhor, apenas para não deixar a ideia escapar…
O autor, trata seu livro como um filho, não suporta que o maltratem, que o critiquem. Por ele briga, faz birra, ameaça matar. O escritor, vê nas críticas, material de crescimento, possibilidades de evolução, novos caminhos a seguir e espaços a conquistar.
O autor, acredita que seu livro é uma obra-prima, perfeita, intocável. O escritor, percebe e aceita os defeitos de seu livro, vê que pode aperfeiçoá-lo e que pode melhorar como profissional para no futuro, produzir obras melhores.
O autor acredita que nasceu com um talento, um dom especial e que o livro que ele produziu é sua obra máster. O escritor busca aperfeiçoar sua técnica, faz cursos, lê, pesquisa, corre atrás.
O autor vê seu livro como um hobby. O escritor vê seu livro como o início de uma carreira, que como qualquer carreira necessita de investimento, tempo, esforço e dedicação.
É por isso tudo que eu lhe pergunto: o que você quer ser? Autor ou escritor?
Você quer ser aquele de quem se diz: “Produziu um livro bom, parecia promissor, mas nunca mais escreveu nada.”?
Acompanhe mais postagens de Elaine Velasco em: elainevelasco.blogspot.com.br
abril 6

Horas e Ondas

                             Olá Amigos do blog!

                             Hoje trago para vocês mais uma novidade!
E com imensa satisfação que venho dividir com os seguidores a notícia do ingresso da Dra. Eulália Jorda, médica, membro titular da Sobrames -MG,  escritora- na qual tenho a honra de compartilhar momentos culturais explendorosos nas reuniões com os confrades da Sobrames-MG.
Em breve divulgo a bibliografia da Dra. Eulália, porém, já de antemão, ela nos agraciou com maravilhosos poemas que serão postados aqui no blog. 
Ao lado a foto e o poema que ela gentilmente nos brindou.
Um forte abraço a todos!


Horas e ondas
                                                                                  
O que fazer se.
Outro dia mesmo
Coloquei para funcionar um velho relógio
De forma que apontasse para horas velhas,
Umas atrás de outras
Lembrando as coisas naturais
Chamando por um mar,
E as ondas que vão -e- vem.
Os antigos classificavam assim:
Animais com penas
Animais com pelos
E aqueles com pele.
No entanto
A minha pele é invertida
As horas pulsam para dentro
É de lá que vem um som interno
E ninguém é capaz de me dizer
Se as ondas já se foram
Se o que ouço são  só reverberações
Se as ondas vão – e – não vem
Se as ondas, finalmente, são horas paradas.

                                   Eulália Jordà-Poblet
abril 5

Elaine Velasco


Olá Amigos do blog!

Hoje trago para vocês a boa notícia de que a partir de hoje iremos ser agraciados com posts da autora e minha conterrânea, Elaine Velasco que aceitou tornar-se colunista do blog.
A verdade é que o blog vem crescendo, acredito que em breve irá se transformar em site – já pago plano de hospedagem  kkkk -, e é uma imensa satisfação ver que a cada dia o número de seguidores vem aumentado – como sabem não faço promoções para aumentar os seguidores. 
A Elaine Velasco é autora do livro Limiar,  também colega de editora e estará a nos regozijar com postagens primorosas referente a A Arte da Escrita, contos, resenhas e novidades.
Desde já Elaine, seja bem-vinda ao nosso humilde espaço e espero que nessa jornada em prol da literatura possamos plantar sementes no coração dos leitores transformando-os em autores.
Um forte abraço a todos!

                                          

                                   Conhecendo Elaine Velasco
Biografia: Elaine Velasco nasceu em Itapeva, interior de São Paulo, em junho de 1981. É professora de Matemática e Física. Atualmente cursa Faculdade de Letras. Casada e tem uma filha. Autora da série “Limiar – Entre o céu e o inferno”, que teve o primeiro volume publicado pela Editora Dracaena e cujo segundo volume será publicado pela Editora Literata. Para maiores informações, acesse: elainevelasco.blogspot.com.br
abril 3

Convite lançamento: A Conspiração Vermelha

Olá Amigos do Blog!

Bem, hoje trago para vocês o convite para o lançamento de meu novo livro: “A Conspiração Vermelha“, que será realizado no dia 13 de Abril.
Desde já adianto a sinopse do livro, bem como posso afirmar que recentemente recebi os livros e posso lhes assegurar que ficou com ótima qualidade editorial.
Um forte abraço a todos!

Sinopse: A Conspiração Vermelha

O assassinato do casal de cientistas russos, na cidade de Moscou, dará início a uma rede de conspiração entre duas grandes potências mundiais – EUA e Rússia -, em uma acirrada disputa por um projeto secreto de alto impacto para a humanidade, estando dispostos a sacrificar qualquer pessoa que possa tentar impedí-los de conquistar seu objetivo.Envolto em um elo de intrigas e imerso em um centro de lutas entre duas grandes nações, o médico Harrison será obrigado a enfrentar uma corrida contra o tempo para poder salvar a vida de sua amada filha, Sophie, contando apenas com o apoio de um velho amigo de faculdade.Em um texto fluente, o autor nos transporta a uma leitura repleta de ação, suspense, revelações e com um final surpreendente.Quais limites um pai estaria disposto a superar se a alma de sua filha estivesse em jogo?