janeiro 16

Ilusão X Publicação


Olá Amigos do Blog!

Bem, hoje decidi elaborar um post um pouco polêmico, algo meio que caminhar sobre ovos e não quebrá-los.

Para os que já publicaram, sabemos que quando digitamos o ponto final em nosso livro, inicia-se uma verdadeira via sacra a procura de editoras, onde encontramos editoras comerciais e não comercias.

Porém a verdade não está bem aí. Basta seguirmos o puro raciocínio lógico:

Sabemos que existe um ciclo: editora – distribuidora – livraria – leitor.

Como podem perceber, “não” coloquei propositalmente a palavra autor no texto, pois como sempre ele está de fora aguardando sua pequena porcentagem de lucro – que na maioria das vezes não consegue sequer cobrir os gastos quando trabalham em regime de “parcerias” com as editoras.

O publico alvo é o leitor. Isso é obvio. Agora por que é tão difícil publicar no Brasil?

Vamos lá…

Primeiramente o espaço de uma livraria é pequeno. Você já parou para pensar se todos os livros de autores nacionais fossem enfiados dentro de uma livraria? Não teríamos espaço sequer para entrarmos na loja. – Aqui a vantagem dos e-books.

Sabemos que grande parte do espaço é usado pelos autores internacionais, ou seja, pelos best sellers –  e é nesses autores internacionais que as grandes editoras estão de olho, pois diferentemente do leitor e do autor a editora vê da seguinte “fórmula”: livro=$$$. Então porque investir em um autor nacional e desconhecido? Isso custa muito caro e dá muito trabalho, pois sabemos que temos muitos autores no país e poucas obras de qualidade – Isso se deve ao imenso descaso com a educação de nossos governantes. Digo isso por experiência própria, pois eu vejo a mesma cena na saúde – que se reflete na hora de escrever associado ao pouco ou quase inexistente material de apoio de escrita literária.

Escrever um livro exige técnica e sem elas não teremos um livro de qualidade, apenas uma boa ideia escrita é difícil de ser digerida pelos leitores em meio a cenas mal construídas ou ilógicas. Muitos livros são publicados por editoras que não visam a qualidade – Ou você se esqueceu que mora no Brasil -, e acabam publicando “qualquer” – esse qualquer está entre aspas em apologia ao desconhecimento do processo de escrita – livro visando o ganho capital. Isso destrói a imagem do autor, e fará com que o leitor abandone a leitura e jamais queira ler outro livro do mesmo autor e irá gerar uma crítica negativa.
Agora a isso acrescente uma pitada de necessidade de absorver produtos estrangeiros. São as marcas famosas, os pcs com maça mordida, os cell phones de ultima geração – isso também explica os altíssimos impostos que pagamos nos produtos que poucas pessoas desconhecem. – finalmente algum mister M político aprovou a lei que irá mostrar os impostos ocultos que pagamos.

Então temos: editora visa lucro = venda livros. Quanto mais vende, mais lucro. Isso explica a necessidade de se investir nos best sellers. Porém, há poucas editoras que se arriscam com autores nacionais.

Para muitos leitores, livro nacional é igual a Machado de Assis. Concordo é um clássico, um long seller, porém alou? McFly, tem alguém aí? –  Apologia gringa ao de volta para o futuro maldosamente colocada neste parágrafo…kkkk -, Nós temos bons autores sim e por sinal ótimos autores que esperam pela chance de ser publicados ou que desistem pela falta de estímulo seja pela editora ou que quando publicam pela falta de leitores. Mas são poucos, como já disse.

A distribuidora morde uma fatia gigantesca do preço do livro, para poder colocá-lo na livraria. Então, surge outro problema que irá forçar a editora continuar comprando direitos autorais de publicações estrangeiras: medo de prejuízo. Se a distribuidora devora mais de 50% do valor do livro – preço de capa -, então a editora torna-se obrigada a colocar livros que vendam nas livrarias e isso explica mais uma vez o desinteresse em colocar um livro nacional – que muitas vezes é melhor do que os que vêm de fora – porém raros pela questão da educação e material de apoio -, e isso cria o ciclo vicioso em apostar nos autores estrangeiros.

Algumas editoras “parceiras” precisam sobreviver, então publicam amenizando o “prejuízo” com o autor. Cobram uma fortuna – muitas vezes o valor pago pelo autor custeará toda a publicação-, porém acabam pequenas diante da distribuição e divulgação.  De certa forma o autor se sentirá iludido, pois terá um livro publicado, mas muitas vezes mal distribuído e raramente o encontrará fisicamente em uma livraria, muito menos em destaque.

Não quero jogar um balde de água fria naqueles que desejam publicar seu primeiro livro, porém, fica aqui a mensagem. Procurem uma boa editora – de preferência que não cobrem pela publicação -, que tenha uma rede de distribuição nacional e invista em publicidade do autor. Só que para isso, você autor terá que aprender a dominar e conquistar dois itens imprescindíveis: paciência e conhecimento na hora de se escrever.

Também tenho observado que os livros eletrônicos – ebooks – sejam a grande cartada no futuro literário. O problema será encontrar leitores num país onde pouco ou nada se investe em cultura e que mal tem condições de comprar a carne para o almoço, quem dirá um e-reader?

Soluções? Sim, existem. Só que acredito que não seja para esta época e tampouco neste e nos próximos governos. – Ainda bem que não estamos na ditadura! Caso isso aconteça, peço aos seguidores que me lembrem de tirar este post do ar.

Um forte abraço a todos!