abril 10

Entrevista com o autor Fábio Guolo

Olá Amigos do Blog!
Bem hoje trago de primeira mão a entrevista com o escritor Fábio Guolo, autor do livro Draco Saga: O Despertar – Vol 1
Quem quiser conferir um pouco mais sobre o livro confira a resenha de Draco Saga clicando aqui.
  
1-       Fale um pouco sobre quem é Fábio Guolo 
 R.: Sou um cara comum: marido e trabalhador. Gosto de cinema, séries e livros. Eu e minha esposa somos voluntários de uma ONG que cuida de animais abandonados e eventualmente frequentamos bares de temática Rock n Roll, que adotamos desde sempre como nosso estilo musical e de vida.
2-      Vi que você é formado em física e em sistema de Informação – áreas distintas da literatura. O que lhe motivou a ser escritor? Você emprega seus conhecimentos de graduação na escrita?
R.: A motivação para escrever provavelmente veio só RPG que surgiu na minha vida muito antes de eu estudar as áreas citadas. E sim, emprego tais conhecimentos sempre que a situação requer. Tenho que confessar que, de fato, o estudo dessas áreas já me poupou bastante tempo de pesquisas.
3-      Você é mestre em RPG de mesa, conforme consta em sua bibliografia. Gostaria que explicasse aos leitores um pouco sobre o RPG e também gostaríamos de saber se usa técnicas de RPG no desenvolvimento de suas estórias.
R.: RPG é a sigla em inglês para RolePlaying Game. Em uma tradução aproximada: “jogo de interpretação de personagens”. E nada mais é do que isso mesmo: um jogo onde um mestre/narrador conta uma história a jogadores que interpretam personagens ativos dentro desta história. Os jogadores usam fichas com descrições das características de seus personagens e devem agir de acordo com isso para transpor as situações impostas pelo mestre/narrador. Aproxima-se de um teatro sem script, onde tudo é resolvido na base do improviso. Quem ganha o jogo? Todos! Pois o único objetivo é a diversão.
Não obstante, aquele que se propões a “ser” o mestre/narrador precisa de mais preparo do que um jogador, pois deverá conhecer a mecânica do sistema de regras a ser utilizado no jogo além de escrever e narrar uma boa história, ou, neste caso, uma boa premissa, porque a história, a trama de fato, desenvolve-se ao longo do jogo. E é bem comum acontecer de pessoas familiarizadas com o mundo do RPG, que leram meu livro, comentarem pela internet afora coisas do tipo: “Temos a impressão de estar em uma sessão de jogo” ou mesmo “…me causou nostalgia do tempo em que eu jogava…” e coisas do gênero. Então a resposta é sim, utilizo muito as técnicas do RPG.
4-      O que me chamou a atenção ao ler Draco Saga foi a narrativa em primeira pessoa do ponto de vista de um Dragão – Dryfr. Como foi a elaboração deste protagonista e a criação dos sentimentos e do modo de vida de um dragão?
R.: Foi um exercício de criatividade como eu jamais havia feito. Basta dizer que demorou 5 anos até que os textos chegassem a um ponto em que pensei: “já dá pra publicar”. Em muitos momentos eu tinha que me perguntar: “…mas como um ser que nunca soube da existência disso, ou daquilo,  encararia isso ou aquilo? Como encararia essa ou aquela atitude”. E mais: “…como encararia a partir de suas opiniões e conceitos já formados? E quais são essas opiniões e conceitos já formados?” É por questões como essas que Dryfr foi a personagem mais difícil que já criei. Tenho experiência de quase 20 anos na criação de centenas de personagens para RPG, onde as características descritas, muitas vezes, chegam às minúcias de seus hábitos secretos. Portanto, ao contrário do que os pouco criativos podem crer, Dryfr não é fruto de minha própria personalidade, mas sim uma personagem com suas próprias crenças e convicções. Uma personagem criada com tais características para cumprir seu papel dentro da obra: questionar o comportamento humano.
5-      Você se inspirou em alguma obra para escrever Draco Saga? Qual?
R.: Várias. Dentre as principais JRR Tolkien e Bernard Cornwell. Além deles  inspirei-me muito em filmes como Coração Valente (vide o modo de falar, mas não apenas isso), Os 300 de Esparta (vide cenas de combate, mas não apenas isso) e muitos outros filmes e séries de TV.
6-       Quais são os autores que mais lhe inspiraram a escrever?
R.: Os citados no item anterior e mais recentemente preciso dar um destaque a ao Martin (Crônicas de Gelo e Fogo); a um autor nacional daqui de Curitiba chamado Thiago Tizzot, conhecido pelo pseudônimo de Estus Daheri que, assim como eu, provém das mesas de RPG; A Anne Rice, que na minha opinião é muito boa, mas poderia ser muito melhor; enfim… eu acho que posso dizer que me inspiro não só em autores e literatura, mas em tudo o que me cerca.
7-      Como é seu processo de produção de um livro – desde a ideia- escrita e envio a editoras.
R.: A partir da ideia base, ou premissa, eu começo a traçar roteiros. A partir dos roteiros escrevo a trama de forma simples e linear. Por fim, começa o processo mais demorado: leio e releio o texto diversas vezes a fim de dilapidá-lo. Corrigir, acrescentar, suprimir, incrementar, encurtar, enriquecer e encorpar o texto e a trama.
Depois submeto o texto a, pelo menos, duas pessoas de minha confiança para uma revisão de enredo no intuito de aparar arestas e fixar pontas soltas na trama. Depois submeto a revisão ortográfica de outra pessoa de minha confiança que revisa o texto pelo menos duas vezes. E por fim eu faço a minha última revisão pessoal. Só então considero o texto pronto para publicar.
8-      Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou para escrever?
R.: Para escrever? Nenhuma. A minha dificuldade é publicar e divulgar.
9-       Em um ponto da estória, você se refere ao termo “viagem astral”. Deixando a religião de lado, sabemos que movimentos como gnosis, ordem rosa cruz, dentre outros explora a terminologia viagem astral a fundo. Como se deu o processo para inserir em sua história essa terminologia.
R.: Algumas pessoas, ao ler meu livro, afirmam: “Fábio Guolo é ateu”. Acho uma baita falta de ética, para não dizer infantilidade, afirmar tal sobre um autor a partir das opiniões de uma de suas personagens. As referências a “viagem astral” constantes em Draco Saga provém do “Kardecismo”. Frequentei durante muito tempo centros kardecistas diversos e até espiritualistas. Li várias obras literárias e assisti a vários filmes do gênero além de ser admirador do mestre Chico Xavier e seus ensinamentos. Sou religioso fervoroso? Não, longe disso. Mas sou ateu? Também não. Como já disse um outro mestre: “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante…” e definir-me como um estudioso.
10-   Draco Saga, além da estória de dragões, relata em algumas passagens sobre elfos e paladinos. Você realizou pesquisa sobre esses seres míticos e lendários, bem como sobre história antiga?
R.: Algumas. A maioria do material sobre esses assuntos já estava pronto para mim no mundo do RPG. Eu apenas precisei confirmar como foram de fato as coisas que realmente existiram em nossa história, como os paladinos. Com as partes míticas não me preocupei muito, pois a ideia é criar minha própria mitologia.
11-   Você já tem outros livros publicados. Quais são?  Você já se identificou com algum personagem desses livros?
R.: Publiquei A BARONESA, por hora só em e-book. Trata-se da história de Taramar, grande vilã do livro 1. É um conto curto e revelador narrado por ela. Está a venda por apenas R$ 2,99 em www.dracosaga.com.
12-   Qual a maior dificuldade enfrentada pelos escritores nacionais?
R.: Sem a menor dúvida: publicar/divulgar/distribuir. Todos os autores sem exceção passam ou já passaram por isso algum dia.
13-  Gostaria que deixasse uma mensagem aos seguidores do blog A Arte de Escrever, e aos que se aventuram na magia de escrever seu primeiro livro.
R.: Ao leitores, muito obrigado pela paciência de ler a entrevista até aqui. Espero que tenham gostado e espero que comprem/leiam/gostem dos meus livros! E aos aventureiros, não sei se já tenho knowhow suficiente para tais conselhos, mas eu diria: não se cansem jamais de perseguir o sonho. Tenham coragem porque o caminho SERÁ muito árduo. Tenham paciência para publicar em boas condições. E tenham muito mais paciência PRINCIPALMENTE com a revisão do texto, pois um texto bem revisado não conta ponto positivo ao passo que um mal revisado conta milhares de pontos negativos. Jamais acredite na 1ª editora que aparecer com a proposta “pague e publique”. Existem várias e a maioria não vale a pena. Espere. Reveja condições, negocie bastante, faça MUITOS orçamentos. Converse com quem já publicou pela editora pretendida e veja se está satisfeito. É isso aí… um grande abraço a todos!


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Posted 10 de abril de 2012 by Hermes Lourenço in category "Draco Saga O despertar", "Entrevista", "Fabio Guolo

4 COMMENTS :

  1. By Willian Couto on

    Tudo bem…

    Gostaria, se possível, mais informações do mercado editorail, de textos… Seria de grande valia.

    Abraço

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  2. By Willian Couto on

    Olá Hermes…

    Gostei da entrevista e resenha, graças a ela comprei o livro do Guolo. Gosto e acompanho seu blog e em breve, muito breve mesmo, lerei o Faces de um Anjo… Suas dicas sobre livros estão sendo muito valiosa.

    abraços

    Reply

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