fevereiro 8

TRANSFORMAÇÃO

Olá Amigos do Blog!

Sempre achei um desafio escrever um conto de terror. Não é toa que sou fã de Edgar Allan Poe.
Rompendo algumas de minhas correntes tradicionalistas decidi elaborar um pequeno conto de terror.
Espero que gostem.
Em breve novas resenhas aqui no blog.
Um forte abraço a todos!
TRANSFORMAÇÃO
O segredo é esconder a verdade.
Sou o sétimo filho homem, tenho seis tias e hoje completo 23 anos.
Uma maldição circula em meu sangue. Alguns dizem que sou um mutante. Outros dizem que é porque nunca fui batizado. Isso já não mais me importa.
Não cheguei a conhecer minha mãe – pelo que sei meu pai a matou-, e alguns anos depois ele morreu com uma bala de prata certeira disparada bem no coração.
Nos últimos dias apenas a solidão tem sido minha verdadeira amiga.
Nasci numa sexta feira 13 e hoje será a primeira noite de lua cheia, de um ano bissexto. Sei que meu corpo irá sofrer algumas transformações. Meus músculos ficarão mil vezes mais fortes enquanto meus dentes se transformarão em presas. Pelos irão crescer por todo meu corpo ao mesmo tempo em que minhas mãos irão se converter em garras.
Mas o que realmente devo me preocupar é com aquilo que meu pai chamava de “dominação”.
Isso é o que há de mais terrível… A verdadeira maldição.
 – Você não pode amar! – Dizia ele. – Caso se apaixone, após transformado nesta besta, inconscientemente você irá caçar e matar a mulher que você ama ou que esteja apaixonado!
Por ironia do destino encontrei a mulher que é o amor de minha vida. Maldita sina!
Lindsei… Lembro-me de quando a vi pela primeira vez na sala de aula. Os longos cabelos loiros balançavam ao sopro do mesmo vento que acariciava-lhe silenciosamente a face. O sorriso límpido refletia a inexplorada floresta de liberdade que ela escondia no olhar. O primeiro beijo tocou meus lábios como as asas da borboleta delicadamente tocam o vento.
Talvez hoje, o coração de Lindsei esteja pulsando inocente em contagem regressiva enquanto eu sinto as palpitações medo e agonia. Não quero feri-la, mas sei que em breve perderei o meu livre arbítrio.
Venho escondendo essa maldição desde o dia de meu nascimento. Achava que era lenda, mas sei que na primeira noite de lua cheia quando eu completasse 23 anos de idade era chegada a hora derradeira. Minha primeira transformação.
Há 6 meses me afastei de todos. Moro nessa cabana a poucos quilômetros do pequeno vilarejo onde mora meu verdadeiro amor.
Tudo o que me resta é este pequeno revolver e apenas uma única bala de prata justiceira.
A balança do destino ironicamente sorri em meu caminho. De um lado o peso da morte e do outro a liberdade de Lindsei.
E se tudo for mentira? Seria eu um novo Romeu a morrer tragicamente pelo amor?
Mas se for verdade…
Verdade… Triste realidade libertadora das garras de penumbra de uma mentira.
Neste caso a bala de prata perfurará meu coração ferido pela eternidade de ter que desistir de viver e de meu verdadeiro amor.
Uma única decisão, uma única bala e apenas um de nós irá seguir as trilhas de um único destino, separados pela eternidade.
Resta-me pouco tempo. A lua majestosa começa a despontar no ébano horizonte enquanto os frios raios do luar começam a fazer meu sangue entrar em ebulição.
Meus instintos mais primitivos começam aflorar sobre minha pele.
Tenho que ser rápido…
Olho para a reluzente e polida bala de prata sobre a velha e desgastada mesa de madeira.
Me restam poucos segundos…
Sinto sede. Sede de sangue.
A lua cheia está imponente no céu ao lado das cintilantes estrelas.
Corro com a força de mil cavalos selvagens pela floresta em direção ao pequeno vilarejo.
– Que maravilhosa é a sensação de liberdade!
Ouço gritos, mas isso não importa. A fome e sede prevalecem.
O sangue nunca fora tão saboroso.
Vejo alguns corpos caídos, outros mutilados. Mas estranho! Minha fome parece aumentar.
Então vejo uma pequena casa, uma aura! Como insetos voam em direção a luz,  sinto-me atraído em direção a essa estranha fonte que emana energia.
Arrebento a porta. Ouço gritos. Mas tudo que quero é encontrar aquela luz.
Entro em um pequeno cômodo. Vejo uma linda mulher. Farejo o cheiro de almíscar que invade meu profundo ser.
Avanço sobre a linda mulher aterrorizada e saboreio-lhe à deliciosa entranha.
Agora me sinto satisfeito! Nunca o sangue e carne fora tão inebriantes.
Mas estranho… Sinto como se tivesse perdido algo de imensurável valor.
Talvez meu bem mais precioso…
Já é hora de regressar.
Quanto à verdade… De nada ela importa!


             TÍTULO: TRANSFORMAÇÃO
             Autor: Hermes M. Lourenço
             Fevereiro 2012
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Posted 8 de fevereiro de 2012 by Hermes Lourenço in category "Uncategorized

2 COMMENTS :

  1. By Inêz on

    Não gostei!Não devia ter matado a mulher amada,é um conto muito forte e triste,mas muito bom para quem gosta deste tipo de leitura.Que imaginação!!!
    Anônima

    Reply
  2. By Inêz on

    Não gostei!Não devia ter matado a mulher amada,é um conto muito forte e triste,mas muito bom para quem gosta deste tipo de leitura.Que imaginação!!!
    Anônima

    Reply

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