dezembro 8

A Princesa e o Espelho

Olá  amigos do blog!
Bem, mudando um pouco de direção, recentemente me surpreendi com o pedido de minha prima Maria Vitória de 7 anos de idade, que mora em Ribeirão Branco – SP.
Achei interessante o desafio proposto: “Você é escritor. Escreve uma história de criança pra mim? Que tenha uma princesa. Escreve, por favor!”
Achei um supermegaultradesafio. Às vezes a vida nos ensina de uma maneira misteriosa.
Bem, atendendo ao pedido de minha priminha, aqui vai a estória. Achei interessante compartilhar essa experiência com vocês. Comentem a vontade!
Um forte abraço a todos.

A princesa e o Espelho
Era uma vez, uma linda princesa chamada Melissa.
Tinha os cabelos cor de sol e a pele era branca como a neve. Mas era triste como a lua.
Melissa não conseguia rir. Passava horas diante do espelho tentando sorrir. As vezes  esticava os lábios para cima para tentar-se ao menos imaginar-se sorrindo, mas não conseguia.
O pai, o rei Marcos, ficou muito preocupado. Havia procurado por toda a redondeza alguém que fizesse a princesa sorrir.
Palhaços, homens que cuspiam fogo, até mesmo um elefante adestrado. De nada adiantou.
Todos aqueles que tentavam voltavam tristes, pois todo mundo ria, menos Melissa.
Lembro-me de um dia de uma mulher que inventou algo que hoje vocês conhecem como sabão. Ela fazia bolhas transparentes de todos os tamanhos que flutuavam no ar e depois, como mágica estouravam e desapareciam.
Nem assim ela sorria.
Certo dia surgiu um homem misterioso. Ele se vestia de preto e tinha uma longa barba branca e os olhos eram da cor do pó da madeira queimada.
Ele trazia um grande pacote enrolado com corda e coberto de papel.
Melissa ficou curiosa para saber o que tinha dentro do pacote e mesmo assim, não sorriu.
Então aquele homem, aproximou-se do rei e disse:
– Vossa majestade. Trouxe um presente que irá fazer sua filha sorrir. – Disse enquanto desenrolava a corda e retirava o papel.
O rei ficou encantado. Nunca havia visto aquilo antes. Parecia mágica. Você aproximava-se diante de uma moldura e como na água mais límpida era capaz de ver a si mesmo refletido.
– Majestade lhe apresento minha última invenção que a batizei com o nome de espelho. Mas cuidado! Ele apenas mostrará sempre a sua imagem externa, que nem a casca de um ovo. Muitas pessoas no futuro aprenderam apenas a olhar essa imagem, esquecendo-se de nossa verdadeira essência.
– Como assim, verdadeira essência? – Perguntou o rei, sem tirar os olhos da próprio reflexo.
– A essência chamada amor. Essa sim é a maior das virtudes. – Respondeu o velho sábio.
– Mas como isso irá ajudar minha filha?
– O tempo lhe trará a resposta. – Respondeu o sábio que como num passe de mágica desapareceu em meio a uma cortina de fumaça.
O espelho foi colocado no quarto de Melissa.
Todo dia ela ficava horas e horas, sentada diante daquele estranho objeto observando a própria imagem refletida.
Mesmo assim não conseguia sorrir…
Então, em uma bela noite, Melissa aproximou-se do espelho que a engoliu como se estivesse mergulhando em uma lagoa.
Havia sido sugada para um outro lugar bem diferente de tudo que havia visto antes.
Quanto abriu os olhos viu que estava em um mundo onde todos eram tristes e ficavam observando apenas o espelho.
Olhavam as roupas, o cabelo, pinturas que passavam no rosto.
Viu uma caixa com gente dentro que as pessoas chamavam de televisão. Nesse mundo havia carruagens diferentes e eram fabricadas de lata. Tinha gente que chamava aquilo de carro. Viu pássaros de metal que havia engolido as pessoas e depois as devolviam em lugares esquisitos que chamavam de aeroporto.
Foi então que percebeu que as pessoas apenas olhavam para si próprios. Passavam ao lado das outras sem serem notadas.
Então ela viu o espelho. Só que desta vez ao invés de ver a própria imagem,  viu a imagem do rei, velho, doente e triste, por que ele tinha uma filha que não gostava de sorrir.
Melissa nunca tinha visto o pai daquela forma. Então, com a ajuda de uma pedra, a arremessou com toda a força no espelho, que se espatifou em vários pedaços.
Então as pessoas começaram a sorrir. A maldição havia se quebrado.
Até que pode ouvir uma voz conhecida.
– Acorde filha, você estava gritando! Sou eu, papai.
Assim que abriu os olhos, viu que o rei estava abraçando-a preocupado.
Então se lembrou do sonho e ficou feliz por estar segura ao lado do pai.
Foi neste momento que ela riu pela primeira vez, enquanto o rei chorava de alegria ao ver a felicidade da filha.
Melissa contou o sonho para o rei que ouviu tudo atentamente.
Ficaram tão felizes que decidiram ir contar a novidade para a rainha.
Quando acenderam as velas para iluminar o quarto, milhares de pontinhos luminosos brilhavam espalhados pelo chão.
Foi então que perceberam que o espelho havia se quebrado restando apenas milhares de cacos.